quarta-feira, maio 05, 2010

eleições presidenciais

Tenho defendido que a introdução de uma lógica partidária nas eleições presidenciais é um absurdo, uma incongruência, um paradoxo. As eleições para a Presidência da República são, por definição constitucional, unipessoais. Candidatam-se pessoas e não partidos. Neste ponto de vista, os candidatos posicionam-se acima dos partidos. Por isso é que, na praxe eleitoral, o candidato vencedor é categórico ao afirmar, logo no seu discurso de encerramento e de vitória, que a maioria que o apoiou se dissolve nesse preciso momento. Do mesmo modo, os deveres do Presidente da República não se alargam consoante o vencedor: o mais alto representante da nação jura fazer cumprir a constituição da República.
Há os estilos, evidentemente. Mas estes não são só por si suficientes para partidarizar o cargo. Creio mesmo que o apoio cego e "partidário" dos partidos políticos, perdoem-me a redundância, seja contraproducente para os próprios. Acaso José Sócrates prefere Alegre a Cavaco Silva? Podem crer, meus caros leitores, que não. E o PS vai apoiar este antigo deputado socialista. Do mesmo modo, convive bem o PSD com Cavaco Silva em Belém? A resposta é a mesma no que concerne ao actual líder do PSD.
Voltemos, pois, aos estilos. Mesmo estes são difusos e difíceis de catalogar (deixemos de fora traços personalísticos, que a perspectiva analítica dos nossos comentadores tanto vislumbram). Cavaco é acusado amiudadas vezes de ser um mero espectador, de não ser proactivo, de dizer banalidades. É verdade quanto a este último ponto, o qual parece, no entanto, ser uma inevitabilidade inerente ao cargo. É que eu já vi Manuel Alegre criticar Cavaco quando este anotou negativamente a aposta imediata nas grandes empreitadas públicas. Isto não é ser interventivo? Calar-se-ia Alegre se pensasse o mesmo? Nesta mesma perspectiva crítica, o Bloco de Esquerda também não arranjou melhor argumento na reacção ao discurso do presidente na sessão comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República, do que criticar o chefe de Estado quando este introduziu a cidade do Porto numa crítica ao endémico centralismo excessivo que padece o país (poderia ter ido mais longe, para o interior, por exemplo). Um presidente da República não se deve incrustar na esfera de competências do Governo, advogou o presidente do grupo parlamentar bloquista.
Um presidente tem de ter voz e esta tem de se fazer ouvir. Imiscuindo-se os partidos na eleição presidencial é uma forma desta se desvirtuar. Neste pressuposto teorético, só um candidato merece o epíteto de apartidário e que é Fernando Nobre. E a razão é muito simples: é o único que não anda com partidos atrás. Nem à frente. Nem tão pouco a suplicar apoios partidários.

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