O ministério da educação continua na sua senda vertiginosa de uma plausível reforma curricular. Entrementes, virou-se para a contratação de professores. Justifica-se com a agilização dos concursos. Uma das propostas não me deixou alheio. Trata-se da equiparação, para efeitos de concurso, dos professores do privado com os do ensino público. Ambos prestam um serviço de educação pública, adianta alguém ministrável.
Pois muito bem. Deve então o ministério da educação, na sua douta e desassossegada demanda justiceira, começar por integrar no quadro aqueles professores do ensino público que laboram há muitos e estafados anos num regime de exclusividade contratual. É que os professores do ensino privado, ao fim de três anos, entram automaticamente nos quadros da escola. Se queremos ser sérios, senhores, não basta parecê-lo.
Segunda-feira, Fevereiro 20, 2012
Quarta-feira, Fevereiro 15, 2012
isabel jonet premiada
Em 2007, escrevi isto. Hoje, após ler a notícia de que Isabel Jonet foi distinguida, pela Seleções Reader's Digest, com o prémio Personalidade Europeia do Ano, a impressão mantém-se. Entre o orgulho de pertença e a emoção desalentada intrínseca à justificação do próprio prémio, gostaria que o mesmo não tivesse existido. E termino como em 2007: estou certo que Isabel Jonet concordará comigo.
Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012
gente que não se conhece
De vez em quando, a frase de Paul Valéry sobre a guerra - "a guerra é um massacre entre gente que não se conhece, para proveito de pessoas que se conhecem, mas não se massacram" - assoma-se-me descomplexadamente, como se forçasse uma qualquer entrada desautorizada. Estes rompantes desassossegos são, obviamente, mais frequentes quando a temática versa a própria guerra. No entanto, penso que esta frase pode ser ajustada tendo em conta a aparentemente irresolúvel crise económica e financeira que passamos. Deste modo, poderíamos escrever que gente que não se conhece é arrebanhada pelas ações decretadas por gente que se conhece, mas que não arrebanha. Numa palavra, pois já vai longa a noite: é fácil prescrever, quando se vive (bem) acima da média do comum dos mortais, sofríveis remédios para uma suposta cura.
Domingo, Fevereiro 12, 2012
o cândido vasco
Vasco Graça Moura não esperava tanta polémica em torno da seu prepotente gesto em mandar retirar dos computadores do Centro Cultural de Belém o programa que verte, automaticamente, a grafia portuguesa para o que se designou apelidar de nova ortografia. Parece-me no mínimo ridículo esta afirmação. É evidente que Graça Moura estava ciente do que originaria. E também é claro que lhe assiste um direito de lutar por esta causa, a qual é, aliás, muito distinta e importante. Daí que também não encarrilhe com aqueles que lhe apontam dedos acusatórios de não obediência a normativos governamentais. Vasco Graça Moura usa simplesmente as armas que tem ao dispor e usa-as muito bem, ainda para mais quando se começam cada vez a ouvir, com maior empreendimento, de toda os cantos da lusofonia, vozes que esgrimam válidos e diferenciadores argumentos sobre esta decisão luso-brasileira.
Há tempos, o primeiro-ministro convidou, toscamente, os professores a emigrar. Nesta perspetiva, revela-se muito interessante a seguinte constatação: das várias áreas curriculares do ensino básico e secundário, uma das que se manifesta de maior incongruência relativamente a outros países lusófonos como, por exemplo, o Brasil, é precisamente o ensino da Língua Portuguesa. Ou seja: é muito mais fácil um professor de química, de inglês ou de matemática lecionar numa escola brasileira do que um seu colega de língua portuguesa. Afinal, há muito mais a fazer quando se pensa na preservação e incrementação no mundo da língua portuguesa. Neste sentido, a recentíssima reforma curricular na área do ensino da língua materna (os chamados novos programas para o ensino básico e secundário) é uma perfeitíssima inutilidade, tendo em conta, precisamente, a uniformização do ensino da língua portuguesa.
Há tempos, o primeiro-ministro convidou, toscamente, os professores a emigrar. Nesta perspetiva, revela-se muito interessante a seguinte constatação: das várias áreas curriculares do ensino básico e secundário, uma das que se manifesta de maior incongruência relativamente a outros países lusófonos como, por exemplo, o Brasil, é precisamente o ensino da Língua Portuguesa. Ou seja: é muito mais fácil um professor de química, de inglês ou de matemática lecionar numa escola brasileira do que um seu colega de língua portuguesa. Afinal, há muito mais a fazer quando se pensa na preservação e incrementação no mundo da língua portuguesa. Neste sentido, a recentíssima reforma curricular na área do ensino da língua materna (os chamados novos programas para o ensino básico e secundário) é uma perfeitíssima inutilidade, tendo em conta, precisamente, a uniformização do ensino da língua portuguesa.
nem tanto ao mar, nem tanto à terra
O que não devia passar de um fait divers absolutametne inócuo, tornou-se assunto de interesse político. Uma conversa de intervalo entre o ministro Gaspar e o seu homólogo alemão só tem interesse num país cujos jornalistas funcionam espelharmente, retratando, de certo modo, a miséria grasnante. Daí que a paranóia patriótica do Bloco de Esquerda tenha a correspondência apropriada no desestruturante discurso de Relvas (desestruturante na medida em que se afasta vertiginosamente da realidade). Ou seja: nem o lusitano Gaspar se humilhou (foi, simplesmente, educado), nem o germânico Schaeuble disse nada de jeito.
Sexta-feira, Fevereiro 10, 2012
os bancos e a publicidade milionária
Não deixa de ser curioso que os bancos com maiores prejuízos no exercício de 2011 tivessem sido aqueles que apostaram em autênticas estrelas do firmamento desportivo: Millennium, com o inevitável Mourinho; BES, com o inevitável Ronaldo; CGD, com o inevitável Benfica. É certo que se pode sempre conjeturar que sem estas dispendiosas imagens de marca, as coisas correriam muito pior. Pessoalmente, duvido muito deste raciocínio.
Quarta-feira, Fevereiro 08, 2012
entrevista à josé gomes ferreira
Ouvi e vi a estafada entrevista de José Gomes Ferreira ao ministro da economia, Álvaro Santos Pereira. E o que se ressalvou de todo aquele monocordíssimo linguajar foi uma desconsolada sintomatologia de grau zero. Dois ou três desconcertados vocábulos a pairar naquela bafienta sala (o que estava no cimo da lareira eram sinos de natal?!...): reformas estruturais, brevemente e não há alternativa. Nada, pois. Estou mesmo propenso a crer que o próprio Álvaro não faz a mínima ideia de todo este seu teor discursivo. Diz o que tem de dizer e pronto. Tudo se resume a um efémero manual governativo. E as pessoas, essas, não cabem nas páginas do livro. O desígnio inicia-se e finaliza-se numa obstinação, numa congeminação troikana virada crença por este conjunto de pessoas mandadas. Cada vez mais o ser humano, na sua dignidade, não existe. Não há alternativa, diriam o Álvaro, o Passos, o Gaspar.
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