sexta-feira, maio 31, 2013

o mexia do ministro das finanças

O senhor Gaspar parece que gostou da piada do senhor Mexia a respeito do Benfica e do PIB. Mais do que isso, o senhor Gaspar quis mostrar-se. Desenvergou simpaticamente a farda e, por momentos, verteu-se num ser humano. Ele bem sabe que, em Portugal, a melhor maneira para atingir esse desígnio é falar de futebol. E falando de futebol, os tais seis milhões de adeptos merecem uma atenção especial.
O senhor Gaspar bem o reiterou: o momento é de investimento, "tomem nota".

o psd profundíssimo

José Matos Correia, vetusto e "com muito orgulho" deputado do PSD, em remoque público contra Pacheco Pereira, apontou a este a porta de saída do partido. A sua premissa é uma: não pode estar contra o partido e ser do partido.
Não sei se Matos Correia consegue atingir o alcance das suas palavras. E também não sei se anda a dormir nestes dias que correm (também não alcanço se terá mais alguma atividade para além da de deputado orgulhoso, o que explicará, de certo modo, em caso afirmativo, o entorpecimento). Porém, sei que não é só Pacheco Pereira que se encontra "outsider" deste partido que foi fundado por Sá Carneiro numa linha verdadeiramente social-democrata. Neste sentido, seria mais ajustável inventar outro partido para que os Matos Correias possam continuar a chafurdar na arena da politiquice experimentalista.

quarta-feira, maio 29, 2013

a desopressão de Rosalino

Neste jogo de palavras e de frases que se tornou a política comunicativa do Governo, anoto o que Hélder Rosalino afirmou hoje, despudoradamente, candidamente, tacanhamente, a propósito do estafadíssimo regime de requalificação da função pública: não está o Governo a criar nenhuma pressão sobre os trabalhadores, "isto que fique bem claro", desbocou o Secretário de Estado da Administração Pública. Adiantou ainda que parte de trabalhador a saída do posto de trabalho.
Ora, como esta semântica é tão ridícula, o melhor é esperar por outra. O que, aliás, não é de todo insólito na putativa imagem de grandes cérebros deste Governo.

segunda-feira, maio 27, 2013

educação e passos coelho

Acabei de ouvir Passos Coelho falar de educação na conferência, realizada hoje, no Centro Cultural de Belém, "Educação, Ciência, Competitividade". Concordei com tudo que ele disse. Passos Coelho falou, grosso modo, no valor da educação para um país, para uma sociedade, para uma família, para um indivíduo. Salientou também a dicotomia entre educação e liberdade. Enfim, tudo o que o primeiro-ministro referiu podia ter sido dito por Guterres (educação como paixão) ou Sócrates (recentralização educacional das pessoas que abandonaram precocemente os estudos). Mas Coelho, ao discursar assim e fazer o contrário, não é capaz de ultrapassar o discurso fátuo, inerme. É, pois, um registo hipócrita. Um exemplo, bastaria, para reforçar esta ideia: Passos Coelho falou na valorização dos graus académicos nas empresas. Por que razão esses mesmos graus não são considerados nas escolas portuguesas?

sábado, maio 25, 2013

emprego e desemprego, subsídio e ricardo salgado

"Os portugueses não querem trabalhar, preferem o subsídio". Leio, entre aspas, a frase. O autor é Ricardo Salgado, do BES. Fico abismado. Como é possível, numa altura destas, haver alguém, montado nos seus milhões de euros, que profira uma frase deste teor? Um banqueiro que tem uma quota-parte da culpa da situação do endividamento das famílias, não deveria jamais abrir a boca para disparatar deste modo. Seria o mesmo eu afirmar que os banqueiros querem fugir ao fisco e só coatados é que regularizam a sua situação fiscal, pagando os respetivos milhões em falta. Obviamente, que estaria perigosa e injustamente a generalizar. Do que é público, só um é que o fez.

sexta-feira, maio 24, 2013

"tomem nota"

O ministro Wolfgang Schäuble gizou, ao que parece, mais uma penada programática. Na verdade, nada como uma viagem à Alemanha para Gaspar subir ao Olimpo. Ficamos então a saber que, por cá, anda tudo bem. Somos mesmo um sucesso, uma referência. Ainda bem.
Gaspar anunciou um pacote de investimentos para combater o desemprego, principalmente o jovem (estes indivíduos são obsessivos com o desemprego jovem, não vislumbrando que a prioridade, a este nível, deve residir nos menos jovens). E anunciou-o com certa pompa retórica: "Tomem nota", disse ele, "este é o momento do investimento". Se o senhor Gaspar o diz... ficamos todos mais descansados.
Entretanto, mais desempregados, mais rescisões, mais emigrantes, mais mobilidade especial, mais miséria, mais défice público, mais ausências académicas teimam em não nos abandonar.
O pós-troika é, arrebatadamente, muito importante.

quarta-feira, maio 22, 2013

programa revitalizar e a europa

Há coisas que não se compreendem, nem com muito esforço. O Governo português lançou, em 2012, um programa direcionado para empresas que se encontram em dificuldades financeiras, com incontornáveis dívidas excessivas e impagáveis. Uma das premissas do programa Revitalizar baseia-se, para além de facilitados acessos a fundos financeiros, na renegociação com os credores, incluindo-se neste ponto um perdão parcial da dívida da empresa. Foi o que aconteceu, por exemplo, à maior gráfica do país - Lisgráfica -, a qual, por intermédio deste programa, conseguiu superar uma situação de insolvência iminente.
Ora, a questão que se deve colocar é simples: por que razão é que este caminho não é trilhado pelo Governo português perante os seus credores internacionais? O princípio é o mesmo e nem é novo, pois decorre de qualquer processo negocial, como, aliás, foi prática durante todo o século XX, principalmente no período pós-segunda guerra mundial (e o devedor era, aqui, a Alemanha) e, mais recentemente, com a própria Grécia.
Mercados à parte, programas como o Revitalizar a uma escala naturalmente mais alargada serviriam, antes de mais, para um verdadeiro renascimento europeu, sobrevalorizando aquilo que nunca deveria ter sido desvalorizado: os princípios fundacionais da União Europeia, indo ao encontro de uma verdadeira Europa pensada, na apropriada asserção de um dos seus fundadores, o francês Jean Monnet.

terça-feira, maio 21, 2013

o conselheiro lobo antunes

O conselheiro de Estado via quota presidencial, o conceituado cirurgião João Lobo Antunes salientou que a última reunião de sete horas (Mário Soares saiu mais cedo devido aos seus recentes problemas de saúde que o impedem de ficar tantas horas em reunião) do órgão de consulta do Presidente da República foi muito útil para perceber o futuro do país pós-troika. Até porque, segundo Lobo Antunes, há muita gente que ainda não entendeu o Portugal pós-troika (“Foi muito interessante porque tratou de uma situação que os portugueses ainda não têm consciência, ou seja, o que vai acontecer quando chegarmos ao fim do memorando de entendimento”), não podendo nós deixar que o presente, por muito aflitivo que seja, nos impeça de preparar o futuro. Tem razão neste ponto, permitindo-me acrescentar que me parece muito enviesado o entendimento não só sobre a situação prospetiva como também sobre a situação presente de Portugal. Diz então o cirurgião, neste propósito prolético, que, apesar de existirem pessoas a viver “situações de aflição” (eu ajudo-o na definição de “situações de aflição”, senhor Conselheiro: com menos dinheiro no final de cada mês, pode ser?…), ou mesmo “casos de desespero” (“casos de desespero”, senhor Conselheiro: vasculhar comida no lixo, está bem para si?...) ou “algumas situações trágicas” (permita-me ajudá-lo, novamente: atirarem-se do 13º andar com o filho nos braços, por exemplo, serve?...), apesar disto, diz Lobo Antunes, o país deve discutir o pós-troika, pois “há mais vida para além da troika”, parafraseando o aforismo sampaísta (provavelmente, ele pretenderia dizer pós-troika).
Eu concordo com o Conselheiro Lobo Antunes: há muita mais vida para além das troika. E há também mais vida para além deste Governo. E destes conselheiros de Estado, já agora.
 

 

segunda-feira, maio 20, 2013

as abstrações do conselho de estado

Passos Coelho iniciou o mote, há semanas: temos de discutir o pós-troika. Torna-se agora evidente que não partira dele a ideia (e aqui não existe surpresa alguma). Cavaco, o presidente depois-não-digam-que-eu-não-avisei, auspiciosamente, prevenira-o. A coisa não levantou grande fervura por parte de ninguém e o avisado Cavaco sentiu-se confortável na aquiescência cava dos opinion makers políticos e meteu mãos à convocatória. Asneira. A discussão pós-troika quer dizer que Cavaco Silva se encontra num estádio de apatia perante o presente. E não devia, obviamente. É que o presente tem a ver com coisas tão presentes (desculpem o jogo de palavras) como isto: o que fazer com a economia? O que fazer com os milhares de desempregados? O que fazer com o crescente número de pessoas que diariamente vasculham comida nos contentores do lixo? O que fazer com a desesperança dos portugueses? O que fazer com a posição de Portugal perante a União Europeia e os países do Sul?
Algumas destas questões serão também colocadas, estou certo, pela Nossa Senhora de Fátima, a julgar pelas declarações do Papa Francisco, do Papa Emérito Bento XVI ou do Cardeal de Lisboa D. Manuel Clemente, por exemplo. Talvez o Presidente da República não sintonize plenamente os canais apostólicos, talvez se sinta incapaz, talvez esteja a construir o seu próprio cognome - o avisado. Porém, o que se afigura, desgraçadamente, correspondente com esta extraordinária reunião é que o Presidente da República Portuguesa gosta mais de discutir abstrações futuras do que realidades presentes.
Talvez Cavaco Silva saiba o que mais ninguém sabe: como será a Europa dentro de um ano (ia escrever três meses).
É, pois, demasiado mau tudo isto.

futebol: o que nos faz diferentes

Campeões e campeonato à parte, irracionalidades clubísticas postas de lado, importa relevar o seguinte dado, no qual se cimenta a nossa originalidade futebolística, sendo também considerado, de certo modo, um traço identitário português: de acordo com os números disponibilizados no sítio oficial da Liga Portuguesa de Futebol (LPFP), 79% do público que assistiu, nos estádios, aos jogos de futebol, pertenciam aos chamados três grandes - Sporting, Benfica e Futebol Clube do Porto. A mesma LPFP forneceu ainda os dados relativos às "outras" assistências: Rio Ave, 32 054, Paços de Ferreira, 30823, e por aí adiante. O Benfica teve 635.689 espetadores nos 15 jogos realizados no seu estádio, o FCP, 454173 e o Sporting 397817.
Importa, pois, olharmos para estes números e questionarmo-nos por que razão isto se passa e por que razão as mentalidades custam tanto a alterarem-se em Portugal.

sexta-feira, maio 17, 2013

ainda a propósito de lata

O Secretário de Estado da Educação disse, no Parlamento, mais ou menos o seguinte, concludentemente: não houve despedimentos de professores; o que houve foi uma redução de contratados. Silêncio nas bancadas da oposição...
Não sei se o senhor João Casanova foi merecedor de aplausos. Não quero parecer nem muito menos ser extremista, mas uma necedade deste calibre é merecedora duma grande vaia parlamentar, seguido do respetivo despedimento do senhor. Será que ele é contratado? É que se for, seria apenas uma redução.

a lata

Um deputado do CDS-PP, de seu nome Michael Seufert, afirmou hoje que a greve convocada pelos sindicatos da educação para o dia 17 de junho constitui um golpe baixo, visto que calha no primeiro dia de exames nacionais. Espanta-me esta gente e relembro, quase pavlovianamente, os versos de Sá de Miranda: "Isto passado, quando me desponho, / e me quero afirmar se foi assim, / pasmado e duvidoso do que vi, / m'espanto às vezes, outras m'avergonho".
Dito de outro modo, bem mais cáustico e popular: é preciso ter uma grande lata!

quinta-feira, maio 16, 2013

futebolisticamente

Sofremos uma invasão nestes dois dias. O país parou. O Benfica foi a uma final europeia. Renascemos das cinzas de Fénix. Cavaco fala nos milagres de Nossa Senhora de Fátima a respeito da sétima avaliação da troika (a importância duma primeira dama!...) e diz que seria bom que o Benfica ganhasse a taça. Não diz o caneco por que não fica bem a um Presidente da República e caneco só o FCP é que o levanta. O Benfica perdeu o jogo, mas teve uma vitória moral. Centenas de adeptos esperaram a equipa até de madrugada para a incentivar a continuar. As incessantes montagens televisivas mostram tudo: a dor e o desespero, a alegria e a esperança. Os comentadores especializados conseguem comentar o que toda a gente comenta: o Benfica foi superior, o Benfica não teve sorte.
Portugal parou. Existe, por aqui, um qualquer e desalentado cheiro a mofo.

ps. Ainda não ouvi ninguém referir-se racionalmente ao jogo. Se o fizesse, teria de alertar para as falhas ofensivas do Benfica (não conseguiu marcar quando teve oportunidade para isso) e para os vazios defensivos (deixar um jogador ir ao encontro da bola que ia planando, caprichosa, sobre a área do Benfica, nos últimos segundos do jogo, ou deixar um jogador isolar-se perante um passe com a mão do guarda-redes), na sorte que o Benfica teve com a bola no poste (a oitava na sua escalada até à final!) e na não expulsão de um defesa (o capitão) quando o avançado do Chelsea se isolava perante o guarda-redes.
Preferem, antes, colocar o enfoque nas opiniões dos jogadores que transitaram do Benfica para o Chelsea, os quais, obviamente, constroem a narrativa que mais lhe convém.

terça-feira, maio 14, 2013

regressar aos mercados

Começa a cansar a vesânia do regresso aos mercados ("é preciso regressar aos mercados"). Não seria mais atinado regressar, primeiro, às pessoas?

o presidente

Cavaco Silva anda, neste momento, a trabalhar para a popularidade (notícia implantada na imprensa de hoje: "Afinal foi Cavaco quem mediou crise entre Passos e Portas"). Ficará na história como o pior presidente da República Portuguesa em democracia. Cavaco não gosta da sua popularidade em baixo, muito menos com saldo inferior a zero. Gostava de acalentar a imagem de sempre, artificialmente fabricada por uma imprensa amorfa: atento, cumpridor, rigoroso, honesto, trabalhador. Por sua própria ineficácia, sairá de Belém arrasado e não deixará saudades, excetuando para alguns dos seus inefáveis seguidores. Cavaco foi um erro do povo português. Como está a ser amplamente demonstrado. Era, dos candidatos presidenciais (primeira eleição), o menos apto, o menos esclarecido e... o mais velho.

adenda: acabadinho de chegar "às redações": "Eu penso [no fim da sétima avaliação] como uma inspiração - como já a minha mulher disse várias vezes - da nossa Senhora de Fátima, do 13 de Maio" (Cavaco Silva). Fico, no entanto, sem saber se isto é mais uma tirada humorística do nosso vetusto presidente.

segunda-feira, maio 13, 2013

alguém é capaz de me explicar essa coisa do síndrome grisalho?

Estou confuso. Vi outro dia o solene Paulo Portas, num direto televisivo, afirmar que não deixaria passar a chamada contribuição de solidariedade que os pensionistas passariam, obrigatoriamente, a comparticipar. Chamou-lhe fronteira e chamou-lhe síndrome grisalho e, possivelmente, anexou-lhe mais outras metáforas que, neste momento, não revejo. Houve um conselho de ministros extraordinário de três horas, em pleno fim de semana. Os ministros acordaram, nessa reunião, que os pensionistas vão, afinal, descontar para esse pacote impositivo (a troika impôs). Paulo Portas, obviamente, deixou passar. No entanto, parece que existirá uma margem de manobra (um intervalo financeiro) para a taxa não ser implementada nos pensionistas. Esta será uma realidade teórica, não passando do papel, para a troika ver (coitados, que burros), mas, na prática, ficará para as calendas gregas. Foi isto que aconteceu, não foi? Reuniu-se esta gente três horas para isto?

domingo, maio 12, 2013

o inacreditável senhor mexia

O Sr. Mexia lembrou-se de se armar em engraçadinho e desejou, ontem, em entrevista à Antena 1, a vitória do Benfica com o inacreditável argumento que esta seria boa para Portugal, nomeadamente, para o PIB. Pinto da Costa respondeu-lhe muito bem, ao dizer que tudo fará, ao nível do Futebol Clube do Porto, para mudar de operador de eletricidade. O Senhor Mexia é o presidente da Comissão Executiva da EDP, uma empresa pertencente, maioritariamente, ao Estado da República Popular da China. É, pois, um executivo muito bem remunerado. Os chineses, a esta hora, devem estar arrependidos de terem  mantido o senhor Mexia no cargo. Mas isso facilmente se resolve. Fosse ele funcionário público de Portugal...

sábado, maio 11, 2013

os abreus amorins

É destes que eu tenho medo... Estes que tratam o povo (o povão) por néscios, apesar de afirmarem o contrário, isto é, a sabedoria do povo (Gaspar: "os portugueses são o melhor povo do mundo").
Carlos Abreu Amorim, vice-presidente da bancada do PSD e agora candidato à Câmara Municipal de Vila nova de Gaia, não teve pejo em afirmar que está na hora do ministro Gaspar ser substituído por outro. Coragem do candidato? Não. Plena cobardia política e pantanosa. De uma penada só, Abreu Amorim mostra ao país a liberdade que existe no seio do partido da maioria (não acreditem nos "mal-estares" que os jornais, prontamente, dispararam), ao ponto de criticar - vejam só - o ministro Gaspar (expectável e naturalmente remodelável a curto prazo) e a sua independência face aos eleitores de Gaia. Grande homem, este Amorim.

quinta-feira, maio 09, 2013

o desemprego

Devemos já ter ultrapassado (pela direita) o milhão de desempregados. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística avalia-os em 950 mil no primeiro trimestre deste ano, ou seja, 17,9% da população portuguesa. Houve, portanto, um aumento percentual de 0,8 em relação ao trimestre anterior. Estes números dão para tudo: para uma configuração experimentada de vivências dramáticas, mas também para o exercício cada vez mais requintado da retórica política. Neste último ponto, este flagelo serve tanto para o lado da maioria governativa e parlamentar como para os restantes partidos, sejam eles da esquerda moderada (seja lá o que isso for) ou de esquerda radical (o PP é de direita radical?). Todos são useiros e vezeiros no esgrimir argumentativo.
O último exemplo foi-nos oferecido hoje pelo ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Marques Guedes. Diz então o ministro que estes números "são resultado natural de dificuldades profundíssimas que a economia portuguesa sofre em termos estruturais, que levou (...) ao programa de assistência económica e financeira". Eu pensava que o desemprego era fruto da vertente acelerada de austeridade que o governo está a impor à débil economia portuguesa. Segundo Guedes ("dificuldades... que levou... ao programa de assistência e económica e financeira"), parece que vivíamos ainda pior antes do resgaste financeiro. Provavelmente, ele não dará por isso, na sua vida particular; provavelmente, continua a não fazer contas à vida; provavelmente, até estará financeiramente mais regalado, provavelmente, passa pelos pingos da chuva sem se molhar... Mas o que passa, certa e lamentavelmente, o grau da incerteza é a vida destas centenas de milhares de desempregados, novos e velhos, jovens e menos jovens (outra área semântica de interesse geral e conveniente, o do desemprego jovem, seja lá o que isso for...). Estes não escapam à recessão. Viveram acima das possibilidades que auferiam, dizem-lhes.
Mas Marques Guedes tem uma solução para tudo isto (a retórica, a retórica...): a "única forma" de resolver o problema do desemprego", diz o ex-líder parlamentar, é por via "da resolução dos problemas económicos que o país tem".
Pobre ministro, pobre país... Um milhão de desempregados para resolver a economia do país!... Afinal, é só isso que Marques Guedes consegue alcançar.

segunda-feira, maio 06, 2013

o portas oposicionista

Paulo portas é um adesivista. Escrevi, no post anterior, que Paulo Portas não foi claro. Esta opacidade não se liga à normalidade retórica, nem à forma, ambos previamente estudados para o boneco televisivo. A transgressão reside na fronteira (vocábulo que ficou como uma imagem teimosamente passada na retina dos ouvintes) entre o governante e o oposicionista. Paulo Portas foi, na sua declaração das sete ao país, quase em exclusividade, o líder do CDS que se encontra na oposição.
Paulo Portas é um adesivista. E é-o porque tanto se lhe dá ser muleta do PSD como do PS. Para ele, o tão orgulhoso e pateticamente proclamado arco da governação não quer dizer nada, mera expressão sem sentido de responsabilidade e de vaidade pessoal.
Portas é um adesivista. E começou no dia 5 a alargar um pouco mais o arco da governabilidade.

domingo, maio 05, 2013

portas falará ao ao país

Espero, sinceramente, não ouvir o Ministro dos Negócios Estrangeiros debater-se com a sobrevivência política do seu partido.

adenda: ouvi e vi Paulo Portas. A certa altura, já na fase das perguntas, afirmou que foi claro no que disse. Porém, não o foi.

o contabilista

Miguel Sousa Tavares escreve, no Expresso do último sábado, que qualquer merceeiro seria capaz de realizar o que o sr. Gaspar anda há dois anos a fazer ao país, isto é, contas de somar e de subtrair. Eu não digo tanto. Sempre defendi que qualquer bom contabilista ficava mais barato que o sr. Gaspar e faria o mesmo. Mas estamos perante um homem novo: o homo sapiens burocraticus e é daqui que emergem os crânios que conduzem atualmente os destinos da Europa. Para nosso exclusivo mal. Nosso, infelizmente neste caso, bate certo com povo, que é uma palavra que estes senhores desconhecem. Os números acabam sempre por bater certo.

quarta-feira, maio 01, 2013

coragem para a acusação

Marques Mendes afirma que o PSD deve ter a coragem de "dizer mais vezes" que a culpa da presente situação é do anterior Governo, o qual "lançou o país na bancarrota e meteu a troika cá dentro". Sabemos que o comentador da SIC fomentou este palavreado já num clima de campanha autárquica (parece que, realmente, o fantasma de Guterres pós-autárquicas reacende-se episodicamente) e que terá sido por isso que toldou, mnemonicamente, o seu discurso. É que ao contrário do que foi exposto de maneira moralista pelo atual chefe do Governo em campanha eleitoral, existe, efetivamente, um discurso delator em relação a José Sócrates. E esse registo passa não só pelos membros do Governo como também pelos muitos comentadores PSD's que pululam na larga esfera da comunicação social, com especial relevo no meio televisivo. E, claro, para não falar no extraordinário Presidente da República que nos calhou em sorte. Este passadouro de culpas formadas é, aliás, uma peculiaridade da política portuguesa.
Curiosamente, do passadouro passa-se, paradoxalmente, para um passadismo. Neste campo, também estes comentadores políticos e o senhor Presidente da República ajudam a invocar os gloriosos anos cavaquistas, os quais foram, afinal, onde tudo, pós-renascimento de abril, se iniciou.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...