terça-feira, maio 21, 2013

o conselheiro lobo antunes

O conselheiro de Estado via quota presidencial, o conceituado cirurgião João Lobo Antunes salientou que a última reunião de sete horas (Mário Soares saiu mais cedo devido aos seus recentes problemas de saúde que o impedem de ficar tantas horas em reunião) do órgão de consulta do Presidente da República foi muito útil para perceber o futuro do país pós-troika. Até porque, segundo Lobo Antunes, há muita gente que ainda não entendeu o Portugal pós-troika (“Foi muito interessante porque tratou de uma situação que os portugueses ainda não têm consciência, ou seja, o que vai acontecer quando chegarmos ao fim do memorando de entendimento”), não podendo nós deixar que o presente, por muito aflitivo que seja, nos impeça de preparar o futuro. Tem razão neste ponto, permitindo-me acrescentar que me parece muito enviesado o entendimento não só sobre a situação prospetiva como também sobre a situação presente de Portugal. Diz então o cirurgião, neste propósito prolético, que, apesar de existirem pessoas a viver “situações de aflição” (eu ajudo-o na definição de “situações de aflição”, senhor Conselheiro: com menos dinheiro no final de cada mês, pode ser?…), ou mesmo “casos de desespero” (“casos de desespero”, senhor Conselheiro: vasculhar comida no lixo, está bem para si?...) ou “algumas situações trágicas” (permita-me ajudá-lo, novamente: atirarem-se do 13º andar com o filho nos braços, por exemplo, serve?...), apesar disto, diz Lobo Antunes, o país deve discutir o pós-troika, pois “há mais vida para além da troika”, parafraseando o aforismo sampaísta (provavelmente, ele pretenderia dizer pós-troika).
Eu concordo com o Conselheiro Lobo Antunes: há muita mais vida para além das troika. E há também mais vida para além deste Governo. E destes conselheiros de Estado, já agora.
 

 

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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