terça-feira, agosto 26, 2014

a competência dos futebóis nacionais

Segui a conferência de imprensa do presidente. Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, uma das entidades que tem o privilégio de ter todos os canais noticiosos em cima, ao mesmo tempo. O tema era o mundial visto por uma peneira mediática. Ora, uma das palavras que mais saiu do cocuruto do senhor presidente foi competência. "Não fomos competentes", afirmava, repetida e irrevogavelmente, Fernando Gomes. Por conseguinte, há que meter mãos à obra para que novos mundos surjam. Começamos por mudar onde os outros foram melhores do que nós, ou seja, dentro do futebol jogado? Nada disso. Cria-se uma coordenação qualquer, mais uma unidade de saúde e performance (seja lá o que isso for) e rolará de novo a bola, para gáudio das bandeirinhas penduradas nas varandas nacionais.
Segui, como disse, a conferência de imprensa. E vi também uma classe jornalística indesejavelmente amorfa e absolutamente inócua. Sinais dos tempos que correm.

quarta-feira, agosto 13, 2014

educação: o ministério do caos controlado

Maria de Lurdes Rodrigues teve, num belo dia, uma ideia genial: colocar nas paredes do Ministério da Educação o retrato de todos os ministros que o tutelaram. Este exemplo, exposto assim aqui com traços assumidamente caricaturais, é revelador da feição recidiva de praticamente todas as personagens que se encontram penduradas nas ditas paredes.
Sejamos francos: será assim tão difícil pôr o edifício educativo do Governo da República a funcionar? Não, não é. Ou melhor: é se todo o espaço natural e desejavelmente de diálogo se metamorfosear num lugar de desconstrução, filaucioso e conflituoso. E é isso, infelizmente, que tem sido o Ministério da Educação. Ao ponto de coisas tão simples como um calendário concursal de professores e respetivos procedimentos não serem, aprioristicamente, divulgados. Ou então, supinamente, eleger uma prova de avaliação de competências como o facho que norteará o filosofema educativo em Portugal, deixando comodamente de fora, nesta anagnórise, as dezenas de milhares de professores do quadro. Falando, de novo, a sério: se perguntarmos a um professor como será a sua vida profissional para o próximo ano letivo, a resposta mais vista será um absoluto e sintomático não sei, vamos ver o que aí vem.
O Ministério da Educação revela uma das características mais comummente consideradas em relação aos portugueses que é a improvisação, popularmente apelidado de desenrascanço. É, sem dúvida, este qualificativo (que até nem é de todo destituído, se falarmos do ponto de vista individual) o mais amplificado pelas diversas equipas que nos têm educativamente governado, com particular semblante para o atual inquilino do edifício da 5 de outubro, de seu nome Nuno Crato. Logo ele, que tinha um não sei quê de sedicioso, inconformado, o tal que queria implodir muita coisa. Nuno Crato é, porventura, o mais extraordinário falhanço na educação em Portugal dos últimos tempos. Bastaria uma palavra para o justificar: arrogância.

domingo, agosto 10, 2014

solução bes

Como afirmei aqui, é bom não entendermos patavina da alta economia e da alta finança. Por vezes, há que ouvir os olhares dos outros, perspetivas diferenciadas de ramos opostos do saber. Dei por mim a pensar, a propósito da trapalhada (penso que este qualificativo só não se aplica - lá está! - aos abluídos economistas comentadores da nossa praça, decorrente do cintilante fanal advindo do mais empreendedor gabinete da Comissão Europeia) da divisão do BES em mau e bom, ficando este a cargo de um Fundo de Resolução que terá injeções dos quatro bancos da nossa praça, impulsionado pelos contribuintes portugueses. A questão que coloco é, assim, simples: por que razão não se dividiu banco BES em quatro, bom e mau e se dividiu o mal pelas aldeias, como se faz, por exemplo, com certas partilhas testamentárias. Até se podia, na mesma, deixar o BES mau para a família, mas entregava-se, equitativamente, o bom aos outros bancos. Simples, não é? Talvez demasiado simples ara certas mentes mais elaboradas.

sexta-feira, agosto 08, 2014

a solução bes

Na verdade, a política é importante de mais para se deixar exclusivamente aos políticos, tal como a economia tem sido inexorável e exageradamente ampliada para estar somente a cargo dos economistas, os quais abundam como cogumelos no outono. Deste modo, diferentes olhares são sempre bem vindos e úteis. São, pelo menos, perspetivas e isso já pode constituir uma espécie de alavancagem, termo apropriado nestas andanças.
Temos vindo a usufruir de unárias narrativas neste avonde caso bes/novo banco: o bom e o mau da fita, a solução milagrosa para os contribuintes, a ausência de risco sistémico, reestruturação, etc. No entanto, há, no meio de tudo isto, um não sei quê de irreal, uma conferência de Berlim de 1884/85 ajustada à paróquia financeira portuguesa: tudo gizado a régua e esquadro, ficas tu com isto que eu fico com aquilo, como se não houvesse mais nada envolvido. Depois logo se vê e o que se há de ver é a irremediável culpa dos bandidos, os quais sabemos, desde o princípio, muito bem quem são, pois só podem ser estes e mais nenhuns.
É, portanto, assim, que o caso bes/novo banco tem sido tratado. Não me venham com as diferenças relativamente ao bpn. Não sei, sinceramente, se no final irá haver grandes diferenças. A começar, desde logo, pelos despedimentos, esses colaterais danos do sistema. Pensando bem, se considerarmos os dez mil trabalhadores do BES, irá ser bem pior. Mas quem é que realmente se interessa por isso?

segunda-feira, agosto 04, 2014

o bes, o bom e o mau, o lobo e o cordeirinho

É bom não perceber da elaboradíssima economia, dessa que tem inundado, telejornalística e diariamente, as estações de televisão. Apesar disso, há algo nessa história do banco mau e do banco bom (e que também é novo de nome) que não consigo engolir.
Por que razão existem estas sub-reptícias tendências nacionalizadoras. É que os 4900 mil milhões de euros serão depositados no fundo de resolução pelo Estado, que receberá, é certo, posteriormente, esse valor acrescido dos respetivos juros. Ora, este processo não deixa de ser uma nacionalização. E não vinha mal ao mundo se o senhor Carlos Costa, estafadíssimo, tivesse pronunciado a palavra nacionalização, ainda que fosse seguida, qualificativamente, de provisória.
Pessoalmente, não acredito na solução encontrada. Vejamos o que os mercados mandam. Não deixaria de ser interessante se o banco mau, gerido não sei por quem, tivesse melhores compradores do que o bom, administrado pelo inestimável Vítor Bento, que fica com o bife do lombo, como diria Jerónimo de Sousa. Vamos, então, esperar pelos mercados, lá para depois da silly season.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...