sexta-feira, agosto 08, 2014

a solução bes

Na verdade, a política é importante de mais para se deixar exclusivamente aos políticos, tal como a economia tem sido inexorável e exageradamente ampliada para estar somente a cargo dos economistas, os quais abundam como cogumelos no outono. Deste modo, diferentes olhares são sempre bem vindos e úteis. São, pelo menos, perspetivas e isso já pode constituir uma espécie de alavancagem, termo apropriado nestas andanças.
Temos vindo a usufruir de unárias narrativas neste avonde caso bes/novo banco: o bom e o mau da fita, a solução milagrosa para os contribuintes, a ausência de risco sistémico, reestruturação, etc. No entanto, há, no meio de tudo isto, um não sei quê de irreal, uma conferência de Berlim de 1884/85 ajustada à paróquia financeira portuguesa: tudo gizado a régua e esquadro, ficas tu com isto que eu fico com aquilo, como se não houvesse mais nada envolvido. Depois logo se vê e o que se há de ver é a irremediável culpa dos bandidos, os quais sabemos, desde o princípio, muito bem quem são, pois só podem ser estes e mais nenhuns.
É, portanto, assim, que o caso bes/novo banco tem sido tratado. Não me venham com as diferenças relativamente ao bpn. Não sei, sinceramente, se no final irá haver grandes diferenças. A começar, desde logo, pelos despedimentos, esses colaterais danos do sistema. Pensando bem, se considerarmos os dez mil trabalhadores do BES, irá ser bem pior. Mas quem é que realmente se interessa por isso?

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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