segunda-feira, junho 29, 2009

um jogo de futebol

O jogo entre as equipas de júniores do Sporting e do Benfica acabou à batatada por causa de alguns adeptos imbecis de ambas as equipas. Posto isto, nem sei por que é que ainda se discute sobre a possibilidade de repetir o jogo.

domingo, junho 28, 2009

sir

O sir Elton John vai dar um concerto em Lisboa. Penso que o sir já teve um espectáculo marcado, há meia dúzia de anos, no Casino Estoril. Na altura, não apareceu e não deu cavaco a ninguém (as atribuições honoríficas, no Reino Unido, andam, como cá, pelas ruas da amargura...). Não é preciso dizer mais, nada, pois não?

marcação de eleições

Concordo veementemente com a opinião de António Barreto expressa hoje no Público, a respeito da demagogia política reinante em torno dum acto quase administrativo e burocrático: a marcação de eleições. Na realidade, esta gente trata os eleitores como se fossem idiotas, através de mirabolantes cálculos, nos quais esboçam e desenvolvem as mais controversas conclusões sobre o simplíssimo acto de apontar uma data no calendário, ainda para mais quando se trata dum período de tempo objectivamente delineado. Tenho visto, na televisão, reportagens sobre o mundo animal em que outros primatas conseguem fazer esse trabalho.
É por estas e por outras que, de vez em quando, esses mesmos senhores da política (incluo aqui os habituais comentadores encartados e jornalistas) se surpreendem com a visão pós-eleitoral do povo português.

leite português

Um claro sinal de desnorte político: o desautorizadíssimo ministro da agricultura, Jaime Silva, apelou, hoje, com um sorrriso tremeleado no rosto, ao consumo do leite português.

sábado, junho 27, 2009

fracos argumentos

Um dos pontos em que este governo pecou, ao longo da legislatura, foi o de ter subestimado o povo português. É verdade que se nota, cada vez com maior veemência, a espiral de deriva que José Sócrates encarna, desde que sofreu, surpreendentemente para ele (e não para o seu ministro da cultura) uma pesada derrota nas eleições europeias. Os recuos, através duma dolorosa e eventual postura de humildade, são muitos, e vão desde as obras públicas até à educação. Fortes apostas duma legislatura, portanto.
No entanto, o que para mim tem constituído uma ameaça à inteligência dos portugueses tem a ver com o argumentário utilizado para justificar alguns projectos. Na educação, por exemplo, a máscara da inevitabilidade intransigente das supostas reformas têm sido, agora, completamente desmascaradas cada vez que ouvimos a ministra da educação, claramente em final de carreira política. Ainda bem.
Do mesmo modo, nas obras públicas, os argumentos apresentados são, muitas vezes, hilariantes. Neste sentido, todos nos recordamos do "jamais" ministerial de Mário Lino, a respeito do deserto que, na cabeça dele, representa o sul de Lisboa. É outra personagem em fim de ciclo, como ele próprio, aliás, já se adiantou, afirmando que está velho para ser ministro (!). A auto-estrada para Bragança, proclamada por José Sócrates no mesmo tom de Mário Lino como a auto-estrada da justiça, é fundamentada no seguinte: alguém compreenderá que Bragança seja o único distrito do país sem auto-estrada? (José Sócrates dixit). Outros afirmam que esta obra, com um dos maiores (se não o maior) túneis rodoviários da Europa, constitui um factor de coesão social no país. Pois eu creio mais que esta auto-estrada – desadequada tendo em conta o alcance prioritário doutras oportunidades de intervenção estatal na região e do próprio fluxo de trânsito da IP4 – contribuiu para uma outra espécie de coesão, neste caso de vaidades. É por isso que não há um único presidente da Câmara do eixo Amarante-Bragança que incorpore negativamente esta obra. Só de imaginar que podem ir a Lisboa mais vezes, encostados a um qualquer banco traseiro de um carro de alta cilindrada, como fazem os seus congéneres de outros eixos rodoviários... De facto, custa verificar que ninguém reclama outros tipos de obras como, por exemplo, o melhoramento do IP4 e de outras estradas secundárias, as quais ligam o interior de Trás-os-Montes (continua a ser melhor alternativa atravessar a fronteira para chegar a Miranda do Douro, por exemplo), ou a aposta importantíssima nas vilas e cidades da região, através duma intervenção de renovação/restauração que deveria ser premente. Nada é mais importante, para estes autarcas, do que uma auto-estrada. Não aprendem, pois, nada.
Um outro exemplo que tem a ver com a debilidade argumentativa do governo diz respeito ao recente assomo de negócio com a Prisa, através da compra de 30% da Media Capital pela Portugal Telecom, empresa esta onde o Estado tem uma forte implementação negocial com as acções especiais que constituem a golden share (que lhe confere, por exemplo, poder de veto). Partindo do pressuposto que esta intervenção negocial do Estado constituía um bom negócio, é estranho que agora José Sócrates diga o seguinte: "o Governo não quer que haja a mínima suspeita de que a compra de parte da TVI se destina à alteração da sua linha editorial". Na verdade, o primeiro-ministro não podia ser mais claro. É que se a orientação de qualquer governo democrático fosse esta, não haveria, por certo, intervenção estatal que aguentasse a pressão de qualquer partido da oposição, o qual tem é que evidenciar, no Parlamento – sede própria por excelência do combate político –, este tipo de incongruências e de suspeitas.
Vêm a propósito o verso de Camões: “um fraco rei faz fraca a forte gente”.

(publicado no jornal Público, em 01/07/2009)

quinta-feira, junho 25, 2009

PT negócios

O sr. Zeinal Bava, presidente executivo da Portugal Telecom, parece que está a vender o MEO à Judite de Sousa, em pleno "Especial Informação". É desenvolto a falar, fala em ética e transparência, mas responde sempre ao lado das questões.

o segundo pior rendimento per capita

De vez em quando, lá nos aparecem assim, cruamente, à nossa frente, notícias destas. Desta vez foi através da própria União Europeia, num indicador que tem por objectivo medir o nível de riqueza por habitante, ajustando os níveis de poder de compra em cada país. Assim, em 2008, conseguimos ficar à frente da Eslováquia no que ao rendimento per capita diz respeito, isto é, fomos os segundos a contar do fim, com 75 % da média da União. Do lado oposto, aparece o Luxemburgo e a Irlanda, com 253% e 140%, respectivamente.
Mas o que é isso quando se tem o melhor jogador do mundo e o melhor treinador do mundo de futebol? E quando se vai ter o maior túnel rodoviário da Europa? E quando se tem uma média muito superior à União Europeia em auto-estradas? E quando se possui uns estádios de futebol dos melhores que se vêem nessa Europa? Rendimento per capita? Ponham a Irlanda ou o Luxemburgo a dar uns pontapés na bola com Portugal dos ronaldos e mourinhos e vão ver onde vai parar essa coisa do per capita.

quarta-feira, junho 24, 2009

a humildade

Carlos Guerra, gestor do Instituto da Conservação da Natureza (ICN) quando José Sócrates presidia ao ministério do ambiente, colocou o seu lugar à disposição do ministro da agricultura, ministério que o empregava com o simpático cargo de gestor para o Plano de Desenvolvimento Rural (Proder). Anoto, em primeiro lugar, que esta gente saltita de gestão em gestão, acabando alguns, após este calvário, como presidente de uma outra coisa qualquer, já fora do universo governativo. O ministro da agricultura, um dos remodeláveis deste governo, aceitou, célere, o pedido de exoneração. O motivo foi o de Carlos Guerra ter sido constituído arguido no âmbito do caso Freeport. A segunda anotação que me proponho tem a ver com o tão proclamado registo de humildade. É que ninguém acreditará que esta atitude poderia ter sido possível antes das eleições europeias.

o parlamento

Pode não passar duma teimosia obviamente subjectiva da minha parte, mas aquela sala do senado cheia de computadores reluzentes em frente a cada deputado presente tem mais a ver com uma parolice tecnológica do que qualquer outro avanço na área da tecnologia da informação.

a marcação de eleições segundo as sondagens

Fico espantado com Cavaco Silva quando refere as sondagens como forma de justificar a simultaneidade das eleições legislativas e autárquicas. Acaso ele ainda não percebeu a relação dos portugueses com as sondagens? "As sondagens valem o que valem", não é o que todos dizem?

sexta-feira, junho 19, 2009

o benfica

Não resisto a escrever duas ou três linhas sobre isto. O último treinador que prometeu um Benfica à Benfica foi Manuel José. Curiosamente, também ele, depois destas frases tonitruantes, entremostrava um invariável trejeito facial. Curiosamente, também ele criticou o anterior colega de trabalho, um campeão brasileiro, Paulo Autuori, afirmando que a equipa, com ele, iria jogar mais (Jesus diz que, com ele, os jogadores "vão jogar o dobro do que jogaram no ano passado. E o dobro, se calhar, é pouco"). Curiosamente, também ele foi todo promessas. Decididamente, essa gente que manda no clube não tem visão. Absolutamente nenhuma.

a entrevista

Vi somente uns salpicos da entrevista do primeiro-ministro. No entanto, o que as televisões passaram, e, principalmente, o enfoque dos respectivos jornalistas e comentadores, dá para entender sobre o modus faciendi da política nos nossos dias. Com efeito, todos se viraram para a forma, qual uma qualquer revista, dessas que por aí pululam que mais não fazem do que esquadrinhar a vida dos chamados famosos (e não é preciso procurar muito se tivermos em conta o ícone português do momento, o Cristiano Ronaldo) e nada para a substância, o conteúdo. Sócrates pensa (e não sei se se engana) que a política pouco mais é do que imagem. A sociedade, guiada pelo superficial que as televisões expelem, ajudam de que maneira na mentira. Nesta decorrência comunicacional, o drama está criado: afinal, quem é José Sócrates? O outro, aquele que avança destemido, o teimoso, o irascível? Ou este, com olhinhos de carneiro mal morto, que pede desculpa por tudo e por nada e que implora aos portugueses que o não abandonem, com juras metamórficas? Estou confuso. Com toda esta dubitabilidade, o melhor é mesmo não caucionar. A questão, agora, é outra: em quem acreditar?

terça-feira, junho 16, 2009

a humildade de sócrates

José Sócrates é um homem curioso. Hoje, quando saía da reunião da comissão política do Partido Socialista, confrontou os jornalistas com o resultado do encontro. Reafirmou então o desejo de uma nova maioria absoluta, ao mesmo tempo que assumiu uma nova atitude de humildade, decorrente do resultado do partido nas eleições europeias. Só que os jornalistas não entenderam muito bem o porquê do termo "maioria parlamentar". Então o primeiro-ministro foi lesto a dar provas da sua (novíssima) postura de humildade e disse qualquer coisa como isto: eu só conheço uma maioria parlamentar que é a maioria absoluta, agora se vocês conhecem outra!...
Muito bem!... Para bom entendedor, meia palavra basta. Se a atitude de humildade pudesse ser decretada!...

segunda-feira, junho 15, 2009

o carro com volante à direita

Hoje, à minha frente, numa estrada mais ou menos sinuosa, um carro inglês ziguezagueava cautelosamente entre os riscos brancos da estrada. A imagem do carro fez-me pensar na União Europeia. Atentei em dois pormenores: a matrícula e o volante do lado oposto. Nada, pois, no carro, fazia com que percepcionássemos alguma ligação à União. Nem as estrelinhas da matrícula, que simplesmente não existiam. Haverá algum orgulho naquele carro que parece reflectido num qualquer espelho? Estou em crer que sim. Mas seria bom que assumisse que o seu volante está mesmo do lado oposto.

a derrota do governo e a derrota na educação

Parece-me oportuno aproveitar este momento de rescaldo subsequente da contagem de votos das eleições europeias, os quais penalizaram – e muito – o partido que sustenta a maioria governativa, para apontar, em jeito de balanço, uma crítica a um ministério que foi, a meu ver, um dos principais algozes de José Sócrates. Refiro-me ao Ministério da Educação. Parece obviamente claro que o primeiro-ministro absorve também, no que ao panorama derrotista diz respeito, uma quota-parte da culpa, se não mesmo a totalidade.
Com efeito, ele foi incapaz de ver o que muitos (ou melhor, poucos, sejamos francos) começaram a vislumbrar desde muito cedo. Basta olharmos para os jornais de há dois ou três anos para concluir que a ministra da educação, Lurdes Rodrigues, usufruía daquilo que se apelida de uma boa imprensa. Este juízo era basicamente alicerçado em ideias muito genéricas e resumidas: finalmente, aparece alguém para pôr em ordem os professores e as escolas. O paradigma foi, desde muito cedo, claro: regras (ocultas ou através de uma caudalosa legislação) que semearam nos professores (honra lhe seja feita relativamente ao conhecimento psico-socio-profissional da classe) um clima de quase pânico. Estes – é também verdadeiro – desde muito cedo perceberam os "gastos da casa", ou seja, o desfalecido perfil da ministra e dos seus secretários de estado. O desassossego, porém, impôs-se na maioria das vezes, ainda para mais quando Maria de Lurdes Rodrigues se dissimulava ao redor dos comentadores sociais e políticos, da população e até do próprio Presidente da República, o qual nunca se inibiu de aparecer, concludentemente, com ela ao seu lado, louvando este novo manobrar em redor das coisas da educação. Foi um tempo em que José Sócrates esfregava as mãos e tinha na ministra uma espécie de cartão de apresentação da nova maioria, o que o Plano Tecnológico (leia-se, Magalhães) ajudou depois a estimular.
Contudo, é muito difícil, quando se fala em educação, mascarar por muito tempo más políticas. Só que, tal como nas grandes paixões, em que o amante entusiasta é sempre o último a saber, José Sócrates continuava enlevado numa teimosia persistente, perdendo extraordinárias oportunidades de renovação da pasta da educação. Cavaco, entretanto, já se tinha, cautelosamente, afastado.
Assim, convém interrogarmo-nos: o que ficou desta política educativa? Para além duma aprendizagem que a ciência política por certo aproveitará, no que diz respeito à educação, muito pouco. Estou mesmo inclinado a assumir que, dentro dum ponto de vista verdadeiramente educativo – medidas que se consubstanciam dentro duma narrativa pedagógica – não se fez nada. Um tempo perdido, portanto. Na realidade, o que esta equipa ministerial acabou por desenvolver resultou em meros procedimentos administrativos, os quais só com alguma boa vontade poderemos estabelecer uma relação unidireccional com um envolvimento pedagógico. Um só exemplo basta, na medida em que representa um porta-estandarte deste ministério: os professores titulares. Como se sabe (ou como começaram, os que se encontram do lado de fora da escola, tardiamente, a descortinar), a divisão da classe docente em titulares e não titulares foi não só artificialíssima como também envolvia um pressuposto que nunca foi muito bem explicado, mas que tinha a ver com a assunção de que só alguns – os melhores, presume-se – teriam como direito chegar ao topo da carreira. Ora, por aqui se vê esta especialização por via administrativa deste ministério. Agora, a questão indeclinável: quais as mais-valias que os professores titulares promoveram nas escolas, na educação? Por muitas voltas que se dêem, a resposta só pode ser uma: nada.
Aprendemos (espero), de facto, uma lição. Um Ministério da Educação tem de pensar, acima de tudo, em educação. E os valores inerentes à educação são, antes de tudo, humanos.

(publicado no Público, em 17/06/2009)

sábado, junho 13, 2009

o problema foi...

Faz parte duma certa ritualização partidária a demanda das razões por este ou aquele resultado nas eleições. Hoje vi, provavelmente, a mais engraçada. O autor é Marcos Perestrello. Defende então ele, que é candidato autárquico a Oeiras e aparece toda as semanas na televisão (uma fortíssima razão para ser candidato, por certo), que não se deve retirar conclusões destes resultados, na medida em que, se formos por essa via concludente, não estaremos a fazer mais do que "prolongar o embuste". E o embuste, para além dos próprios resultados, tem um nome: abstenção. E esta tem também uma causa, que eu coloco aqui entre aspas, tal como, aliás, o autor o faz: "nacionalização da campanha". Explicando: as pessoas abstiveram-se porque não encontraram assuntos europeus, isto é, porque a campanha rodopiou e estacionou nas preocupações nacionais, o que criou, nos eleitores, um "cariz de inautenticidade" pela coisa. Simples? Complexo? Eu direi mais: engraçado.

antónio variações

Ouvi agora na televisão que a carreira de António Variações, morto há precisamente 25 anos, percorreu somente três anos. Não sabia e fiquei verdadeiramente surpreso. Variações constituiu um claríssimo caso de avanço em relação à sociedade do seu tempo, nessa década de 80, de princípios de mudança, da chamada explosão do rock português. Na verdade, muito poucos artistas terão deixado uma marca tão profunda na arquitectura cultural do país, num espaço de tempo tão curto.

quinta-feira, junho 11, 2009

a transferência de ronaldo

Por muito que se goste de futebol (ou de qualquer outro desporto), o que o Real Madrid pagou pela transferência de Cristiano Ronaldo e de Kaká é, simplesmente, obsceno. No dia em que o meu clube, por muito rico que fosse, pagasse estas exorbitâncias, seria esse que deixaria de o ser. A cidadania (neste caso, europeia) teria aqui de afirmar uma palavra positiva. Infelizmente, haverá sempre palermas para justificar o que Valdano disse deste negócio: só é caro o que não for retornável.

quarta-feira, junho 10, 2009

crise económica, crise política e santos silva

Santos Silva faz mal em continuar a bater na mesma tecla no que diz respeito a uma eventual mudança de governo, ao advogar que "Portugal não pode dar-se ao luxo de acrescentar à crise económica uma crise política". Crise política, leia-se, governo do PSD (coligado ou não). Até aqui, era a estafada teoria do caos (conhecemo-la desde há muito, desde Cavaco, pelo menos); agora, com o que resultou das eleições europeias (o PSD como uma verdadeira alternativa de governo), não se entende este tipo de argumento. Até porque ficamos sem saber com qual das vitórias as crises estacionavam: com a do PS ou com a do PSD.

mau jornalismo

Não quero fazer de Pacheco Pereira com o seu prolongado "situacionismo", mas o que eu vi, hoje, no telejornal da SIC alberga um incontornável qualificativo: mau jornalismo. Começa tudo com a anunciada entrevista a Dias Loureiro, a pretexto da homenagem que o município de Aguiar da Beira - terra natal do ex-administrador do BPN, que foi também presidente da Assembleia Municipal - lhe prestou. A dada altura, Loureiro, respondendo à pergunta da jornalista sobre qual a importância da terra natal na sua vida, afirmou que aprendeu mais na sua terra, com as suas gentes, os seus valores como a lealdade, a verdade, a honradez, o não dizer mal de ninguém, do que nas viagens e nos livros que leu. É óbvio que em toda esta retórica Loureiro pensava mais no presente do que no passado. Mas a jornalista nunca poderia arrematar a entrevista como o fez: "a escolher palavras [Dias Loureiro] também não esteve nada mal". Definitivamente, estas senhoras e senhores jornalistas não sabem que a sua função, numa peça deste tipo (uma reportagem seguida de entrevista) não é o de estruturar a sua comunicação através deste tipo de tendência opinativa, ainda para mais quando ela é subliminarmente direccionada.

peregrinação de crianças

Parece que o dia 10 de Junho é escolhido por alguns papás e mamãs para remeterem os seus rebentos numa peregrinação a Fátima. Suponho que a igreja católica enalteça este posicionamento paternal tão devoto. Mas faz mal. Como faz mal permitir o degradante espectáculo das pessoas (estas sim, verdadeiramente devotas) a rastejarem nas lajes do Santuário. Sempre me ensinarem que a fé não se impõe. Ou se é tocado, ou não. Não sei a idade das criancinhas, mas estou propenso a crer que, no que respeita a luzes divinas, estariam mais inclinadas para outros tipos de claridades.

segunda-feira, junho 08, 2009

portugal e o trunfo barroso

Cavaco Silva afirmou hoje que o mais importante neste momento para Portugal é a recondução de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia. As suas palavras roçaram mesmo o exagero: "Não consigo imaginar algo mais importante para os superiores interesses de Portugal do que a escolha de um português para presidente da Comissão Europeia", realçando que só quem não compreende o funcionamento da Comissão é que não acha pertinente para o país ter um português à frente desse órgão. Esqueceu-se, todavia, de explanar quais os benefícios que Barroso, que abdicou descaradamente da chefia do governo português a meio do seu mandato, trouxe para Portugal. Mas, por favor, seria bom que não usasse aquele estafado e burlesco argumento da imagem do país. Aplicando as palavras do presidente, só quem não compreende a construção da Europa é que pode regozijar-se de tão acessório facto, assim como a saudação que fez aos "portugueses que irão representar o nosso país no Parlamento Europeu". É que os deputados eleitos não vão representar o país. Representam, acima de tudo, o grupo parlamentar no qual estão inseridos.

(publicado no jornal Público, em 11/06/2009)

eleições (6)

Com as legislativas no horizonte, o júbilo vivido no largo do Caldas é igual ao das penúltimas legislativas, quando Portas percebeu que poderia ser, finalmente, ministro, coligado com Durão Barroso.

eleições (5)

Um dado importante igualmente a reter diz respeito ao empate entre a CDU e o Bloco de Esquerda. Os dois, em conjunto, constituem já uma alternativa de governo.

domingo, junho 07, 2009

eleições (4)

António Barreto confirmou, com melhores argumentos, o que eu disse a respeito da quixotesca sondagem sobre eleições legislativas.

eleições (3)

Depois da derrota também das sondagens (não houve praticamente uma que acertasse nos números, excepto estas últimas), a SIC lança, a não sei quantos meses das legislativas, mais uns números inqualificáveis. É óbvio que qualquer sondagem, neste momento, estaria condicionada pela intenção de voto nas europeias.

eleições (2)

Dar, neste momento, uma sondagem para as legislativas (que eu presumo que seja a vitória do PS, ou melhor, a vitória de José Sócrates), com a pergunta idiota "e se fosse para as legislativas?" é ridículo. E, para além de ridículo, muito dificilmente se constitui como um dado crível para percebermos a dinâmica de voto em eleições legislativas.

eleições

Um primeiro sinal das eleições europeias: temos das mais altas taxas de abstenção dos 27 países da União. Claramente, este dado faz da abstenção o grande vencedor das eleições. Um outro importante sinal, a nível interno, diz respeito à viragem que rapidamente se processou na sociedade portuguesa, o que leva a pôr em causa muita teoria política, muitos jornais e comentadores. Como disse Ricardo Costa, na SIC, na noite da eleições, ninguém de bom senso afirmava, há dois meses atrás, que o PSD ganharia as eleições europeias. Afinal, o cozinhado político pode ser mais ou menos efervescente, e muito mais inesperado do que muitos teóricos equacionam. Do mesmo modo, também ninguém adivinharia que o Bloco de Esquerda triplicaria os seus deputados e até mesmo a sua votação. Ainda neste pressuposto de teoria política, poucos alcançavam que seria o PS o único partido que realmente desceu, alimentando, de certo modo, os restantes partidos. Um outro dado que convém aventar diz respeito ao fim do mito José Sócrates, visível, aliás, na triste figura que Maria de Lurdes Rodrigues resplandeceu quando entrou no Hotel Altis, em Lisboa (sede do PS nestes tradicionais momentos eleitorais), empurrando com a mão os jornalistas que ansiavam por um seu comentário. A frase que lhe ouvimos foi "deixem-me passar, por favor", com uma expressão facial que não lhe ficou nada bem. De facto, é bom relembrar que o primeiro-ministro teve, durante a campanha, uma notória visibilidade, enganando – e muito, mais uma vez – os jornalistas e comentadores políticos, os quais construíram uma relação directa e inequívoca entre a sua presença e a vitória (garantida) nestas eleições. O mito socrático chegou, pois, ao fim. Pelo menos, é o início do seu fim. Na verdade, se resta ainda a José Sócrates algum tipo de esperança para as legislativas, torna-se imperioso que comece a manifestar sinais claros de mudança de mentalidade e estratégica. E estes devem inquestionavelmente passar pela total rasura de personalidades como, por exemplo, a ainda ministra da educação, a qual tem, obviamente, como outros, a sua quota-parte de responsabilidade nesta derrota eleitoral.

quinta-feira, junho 04, 2009

vital

É impressão minha, ou o candidato Vital Moreira passa a vida nos ombros das outras pessoas, nesta campanha? E o mais curioso é que parece que gosta. Ando a tentar lobrigar o tecido subliminar de tal reacção aquiescente. Aceito, agradecido, sugestões.

jornalismo opinativo ou de factos

Ontem em o Clube do Jornalista, na RTP2, andou às voltas sobre o tipo de jornalismo que se pratica em Portugal. O ponto de referência foi, desacertadamente, Manuela Moura Guedes. E foi desacertado porque se tem vindo a empolar, desregradamente, o formato do jornal televisivo apresentado pela jornalista. Na verdade, Manuela Moura Guedes sofre dum mal que atravessa a classe: opina quando não deve opinar. Ou seja: quem está à frente dum telejornal, por exemplo (o chamado pivot), tem uma função específica: apresentar notícias. Por conseguinte, deve-se reduzir (e reduzir aqui não tem qualquer sentido depreciativo) a esta limitação. Aqui não há, pois, lugar para a opinião. O mesmo se passa com um entrevistador. Este deve estudar previamente as perguntas e os temas que desenvolverá na entrevista e possuir uma capacidade (oportuna) de intervenção, na eventualidade do entrevistado se afastar dos temas impostos pelo jornalista. Nada mais do que isso. Ora, o jornalismo opinativo é outra coisa. Quem quiser opinar, não deve entrevistar nem apresentar telejornais. Tão simples quanto isso.

quarta-feira, junho 03, 2009

vital moreira

Do ponto de vista discursivo, Vital Moreira não se enquadra numa campanha eleitoral. E não é por ser professor doutor de Coimbra, conforme Almeida Santos justificou, burlescamente, aquando do anúncio do cabeça de lista do PS. Há, de facto, qualquer coisa de anacrónico na personagem. Não sei se é a escola do PCP dos anos subsequentes à revolução que lhe enubla o pensamento, ou se estamos perante um mero e infeliz caso de falta de jeito. De facto, todo o argumentário do candidato parece ter saído dum qualquer baú de retórica política mais embusteira. Basta vê-lo e ouvi-lo nas justificações que dá para tudo. Ainda agora o ouvi desenvolver as razões de não ter aceitado o frente a frente com Paulo Rangel. O raciocínio justificativo é não só extraordinário como estafado: não quis oferecer tempo de antena ao outro candidato. E o modo como levianamente desdiz o que anteriormente afirmou de forma inflamada? Veja-se, por exemplo, o apoio a Barroso. Agora já disse que não disse o que disse. Ou seja: já coloca a hipótese de apoiar Barroso se o PPE ganhar as eleições. Percebe-se? Também não é para perceber. É, como diz muito boa gente, para ir percebendo.

obrigado a ganhar

Passos Coelho voltou à baila com esta: o PSD está obrigado a ganhar as eleições. Já tinha dado pela falta do ex-futuro candidato social democrata. Com este regresso, só lhe faltou justificar esta sua premissa. É obrigado a ganhar porquê? Desce de divisão, se tal não acontecer?

terça-feira, junho 02, 2009

as ordens e os ordenados

Nunca percebi muito bem a relevância de muitos agraciados com os diversos penduricalhos que, anualmente, o Presidente da República atribui. Dos variadíssimos nomes que pululam na lista destes anos, não conheço a maior parte. Outros há, todavia, que sei quem são e os serviços relevantes que prestaram ao país. Ouvi na rádio o nome de Moita Flores. Moita Flores? Aquele que andou na televisão com a Júlia Pinheiro e uma outra apresentadora que não sei agora o nome mas que também é, tal como a Júlia e ele próprio, "escritora"? Moita Flores condecorado com a Ordem do Infante Dom Henrique, aquela que visa "distinguir os que prestaram relevantes serviços a Portugal, no País e no estrangeiro" e "serviços de expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, sua história e seus valores"? Não é que o Moita Flores tenha culpa, ou outros que fazem parte da lista. Aquela reside numa cultura de um país imprópria, na medida em que nos habituámos e sistematicamente alimentámos figurões de trazer cá por casa. Estarei a ser injusto com Moita Flores? Talvez. Mas tenho para mim que quem anda nestas vidas e nestas companhias não merece a ordem do Infante Dom Henrique.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...