terça-feira, junho 24, 2014

Lição aprendida

Na pasmaceira futebolística que vivemos, é confortante ouvirmos o nosso Presidente da República explicar-se ao seu homólogo alemão que "Portugal aprendeu a lição dos últimos anos" sem, no entanto, referir, concretamente, a quais ou a quantos anos se refere.
Cavaco Silva engana-se, pois não aprendemos lição alguma. Ou melhor: a aprendizagem não seguiu o rumo argumentativo do Presidente. Se, simplesmente, quisermos definir o que vai na cabeça das pessoas bastará uma infeliz síntese interrogativa: mas para que é que serviram estes três anos? Diga, senhor Presidente, para que é que realmente serviram? É que para quem sabemo-lo já há algum tempo.

quarta-feira, junho 18, 2014

eminências pardas

Temo-los aos montes, estas personagens que se movem na sombra, radicalizados no centrão político, bajulados pelos seus correligionários partidários da direita e da esquerda. Fazem parte, grosso modo, da provável área profissional liberal mais lucrativa, que são os escritórios de advogados. O senhor Proença de Carvalho pode ser considerado, nesta ótica, um paradigma. Infelizmente para ele, o seu nome aparece, desta vez, ligado a um despedimento coletivo do grupo Controlinveste, no qual ele ocupa o pomposo e presumo lucrativo lugar de presidente do conselho de administração. Diz o advogado que estes despedimentos - 160 no total - são indispensáveis para que o grupo possa crescer sustentadamente.
Não conheço o grupo com pormenor. Reconheço que os tempos não estão de sabor para este tipo de negócio. No entanto, o que me sustenta nesta minha análise, tem a ver, tão-somente, com a decisão fácil e hipócrita à qual esta gente, por norma, adere. Para isto, não é necessário ter Proenças de Carvalho, mesmo que de eminências pardas se trate.
Uma última nota, curiosa e demonstrativa. Proença de Carvalho faz parte de um programa radiofónico na TSF intitulado, sintomática e abusivamente, "Senadores da República". É, no mínimo, desconcertante nos tempos que correm que o presidente do grupo seja, ele próprio, um dos protagonistas de um programa de rádio desse mesmo grupo.

sexta-feira, junho 06, 2014

o ps, seguro e costa

António José Seguro não se pode queixar: aquela descida do elevador do hotel, logo após a derrota do PS nas legislativas, merecia, agora, este golpe de António Costa. No fundo, estas personagens, embora clamem novéis auras processuais, estão irremediavelmente impregnados de estafadas retóricas e especialíssimos truques de vão de escada, quando, se acaso, não existe elevador.
António Costa tem, indubitavelmente, melhor imprensa. Pelo contrário, Seguro carece da simpatia jornalística, ou melhor, dos comentadores políticos, os quais estão cada vez mais parecidos com os seus congéneres da bola, quando não são eles mesmos atabalhoados espécimes heteronímicos.
O líder do PS é muito parecido a Passos Coelho, diz-se. Infelizmente, estou propenso a crer que assim é. Ambos foram líderes juvenis, vêm do lixo das jotas e cresceram com o sonho de alcançar, um dia, a liderança dos partidos. Por conseguinte, sendo a escola e perfis idênticos, não é presumível que se notassem verdadeiras mudanças na condução da política externa e interna
E Costa? Há dias, ouvi-o afirmar, contundente e abarrotado, que conhece bem o PS, pois é militante desde os 14 anos. Desde os 14 anos!?... Como é que alguém se pode orgulhar de ser militante de um partido aos 14 anos?! Então essa não é a idade para jogar à bola, andar de bicicleta, partir um vidrito por "acidente". Não! Esta gente nasceu para a política e, consequentemente, salvar Portugal, de preferência num brumoso dia. Ouvi também Costa, um militante de base (como gostam de se intitular) do partido socialista, a respeito da vergonhosa e degradante exploração dos arrendamentos no fim de semana da liga dos campeões, em Lisboa, que tudo não passava do normal funcionamento do mercado. Ora há expressões que, efetivamente, matam quem as profere. E afirmar que repugnantes indivíduos sem escrúpulos (tal com aqueles bancos de há três anos, lembram-se?) estão angelicamente a seguir a regra do normal funcionamento dos mercados é, no mínimo, desconcertante para quem quer ser chefe de um Governo socialista.
Uma outra acusação que fazem a António Costa diz respeito ao não cumprimento do seu mandato me Lisboa. Que eu saiba, esta situação não é nova nas suas incumbências ajuramentadas. Lembro-me, por exemplo, de ter largado o cargo de ministro de Estado e da Administração Interna da República para se candidatar à presidência da respetiva Câmara Municipal.
Volto, pois, ao início: gente nova velha que só sabem fazer política assim. Vem aí outro, não tarda: chama-se Barroso, José Manuel.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...