quinta-feira, dezembro 12, 2013

cavaco, o destemido

Gosto muito de ouvir Cavaco Silva apontar os eloquentes dedos às autoridades guineenses. "não foi garantida a segurança do aeroporto numa ligação aérea com Lisboa. É obvio que isso é observado pelas múltiplas companhias aéreas do mundo inteiro. É fundamental que as autoridades guineenses apurem responsáveis pelas ações que foram desenvolvidas (...) se as companhias aéreas do mundo não tem a certeza que o aeroporto da Guiné Bissau garanta as condições de segurança, então as suas ligações ficam seriamente comprometidas. Espero, neste momento, que as autoridades guineenses façam o devido apuramento da responsabilidade do que aconteceu".
Se eu fosse guineense, não gostava. Mas este tipo de atitude só mesmo um bom psicanalista poderá explicar.

quinta-feira, dezembro 05, 2013

novamente o sr. crato

É praticamente impossível não falar do sr. Crato. Tido como um dos notáveis salvadores da causa educativa da nação, crítico do eduquês que teimava em grassar no interior das salas de aula, o sr. Crato emergiu naturalmente nas acéfalas cabecinhas do "ineer circle" do sr. Passos Coelho. Passos Coelho, recordemos, foi sumptuoso na crítica ao programa Novas Oportunidades lançado pelo anterior Governo. O argumentário baseava-se, tão-somente, na qualidade do ensino ministrado, aferido este na resposta quantitativa da empregabilidade prática dos discentes, como se o direito à educação, pura e simples, não bastasse para alguém decidir... estudar ou reestudar.
Assim, o sr. Crato pôs em marcha um saudosismo oculto, com a retoma de velhos princípios educativos como, por exemplo, uma espécie de austeridade pedagógica, onde o foco, agora, se centra, antes de tudo o resto, nos professores. Os mega agrupamentos, iniciados pela extraordinária Lurdes Rodrigues, são apenas uma resposta económica, sem qualquer enquadramento pedagógico válido. Não obstante, esta infeliz decisão teve devastadoras e irrecuperáveis consequências na vida de muitos professores. Depois, veio a história da mobilidade dos professores. Mais uma vez, não existe, aqui, quaisquer indícios de pensamento pedagógico. Os deves e haveres emanados do excel do ministério das finanças impunham-se!
De repente, talvez sugerido por uma qualquer luminária ainda maior do que o sr. Crato, eis que relampeja, descarada, uma prova de exame para os professores contratados, desinspiradamente denominada prova de avaliação de conhecimentos e capacidades dos professores contratados. Só o nome bastava para ridicularizar a coisa. Conhece-se a razão invocada: aferir a qualidade dos professores. É ridículo, obviamente. E mentiroso, acima de tudo. Se fosse essa a razão, então teria de ser alargada a todo o universo docente e não apenas a dez por cento, como se a suposta deformação dos ensinamentos escolares residisse, irrevogavelmente, nesta abnóxia percentagem. O sr. Crato recuou: em vez de todos os professores, farão a prova os que têm menos de cinco anos de serviço. Assim se afere a qualidade dos professores!
Por tudo isto, parece-me mais do que evidente que Nuno Crato é alguém absolutamente impreparado e incompetente para presidir ao que quer que seja, muito menos ao ministério da educação. Não lhe vou pedir que cumpra uma prova de avaliação de conhecimentos e de competência (vigiado, porventura, pelos seus colegas ministros), mas posso, como português que se preocupa com a causa pública, em geral, e educativa, em particular, implorar-lhe que se demita.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...