sábado, setembro 28, 2013

o caso rui machete e a política do antigamente

Não quero (nem sou muito propenso a tal) arrogar uma atitude clássica do antigamente é que era bom. Mas é voz comum que atualmente os políticos não se regem, como condição fundacional da sua ação, pela idoneidade. Este governo tem sido, a este respeito, fértil em casos. Três exemplos apenas (e são muitos) gritantes: Paulo Portas, Maria Luís Albuquerque e Rui Machete. Todos conhecemos as irrevogáveis sombras que os perseguem. E estas (as sombras) possuem uma caraterística comum a todos: a mentira.
Atentemos somente Rui Machete. Omitiu, apropriadamente, no seu currículo, a passagem pela SLN. Depois, substituiu semanticamente o verbo mentir pela engraçada expressão "incorreção factual", para agora lhe chamar "erro involuntário". Perante isto, como devemos nós, portugueses desta república, apelidar o sr. Rui Machete? Aldrabão? Incorretor factual? Involuntário no erro? É só escolher. Não seria, porém, necessária toda esta novela se o sr. Machete houvesse tido a única atitude digna que um ministro poderia tomar perante estes acontecimentos: a demissão. Mas a demissão a sério, e não como a brincadeira que o sr. Portas lançou (e alcançou) no início do verão. Apetece-me aduzir, para acabar, a cansada expressão: antigamente era assim que se fazia.

terça-feira, setembro 24, 2013

o sr. crato

Nuno Crato começou como todos começam: reformar o ensino. Nesta ânsia, esqueceu-se, perigosamente, do seguinte: a escola pública, grosso modo, recomendava-se. A prova disso pode ser apegada aos últimos resultados dos testes internacionais no âmbito da avaliação em língua materna, ciências e matemática, nos quais ficamos à frente de países modelo como, por exemplo, a Alemanha. Mas Crato, como, aliás, outros antes de si, não quis saber. No pódio do seu gabarito de comentador televisivo, entendeu que podia reformar a escola atuando, ab integro, de acordo com um memorando de cortes quase bíblico. Infelizmente, tudo corre mal. Como é hoje já notório, o sr. Crato não tem uma ideia sobre o rumo que a escola pública deve seguir. Possui somente uma formatação de cortes com vista à apresentação de números reduzidos do seu ministério: cheque ensino, alargamento de número de alunos na turma, mega-agrupamentos, professores sem profissionalização na área curricular que lecionam, etc., tudo serve aqui como ementa exclusiva para pensar sobre a educação. Só que a educação não é, afortunadamente, isto.

domingo, setembro 22, 2013

a aura negativa da política

Atento na verve dos líderes partidários e candidatos camarários. Quanto mais ouço, mais vontade tenho de não votar. O que se apresenta absolutamente notório é a reiteração de uma linguagem pretensamente preditiva, abnóxia, cheia de lugares comuns. Linguagem essa que vem já dos confins dos nossos tempos políticos. Estive hoje num comício. Falaram todos: o mandatário, o candidato a presidente da Assembleia Municipal, o deputado pelo distrito, o líder do partido e, finalmente, o candidato. Uma seca. Devo notar que, nos dias comicieiros de hoje, cem pessoas perfazem uma multidão. Neste sentido, importa preciosamente desfrutar de uma esvoaçante bandeirinha. Nunca nenhum dos falantes tinha visto a praça tão composta de gente. Começam logo aqui a mentir.

sábado, setembro 21, 2013

estar caladinho é o melhor remédio

O que o prestimoso ministro do ambiente afirmou a respeito das críticas do seu correligionário partidário ao cinismo institucional (penso terem sido estas as palavras lavradas por Marco António) do FMI (e, por arrasto, da Troika), aconselhando-o a navegar em águas mais calmosas, diz mais sobre o Governo do que dele próprio. Ou seja: é neste não criar ondas, nesta aceitação das imposições aritméticas, nesta escola do bom aluno que Passos Coelho e Gaspar (este já foi, como sabemos), coadjuvados por outros doutos conselheiros, emergiram toda a sua estrutura de ação governativa. Neste sentido, ninguém melhor que o despovoado Passos Coelho para receber, ab integro, todo este formulário experimentalista neoliberalizante. O sr. Jorge Moreira da Silva mais não é do que uma voz feito importante pela nossa comunicação social. O que ele disse (e já agora, a tosca resposta de Marco António, com essa coisa de ter mais liberdade de expressão agora que já não está no Governo, serve também como exemplo de uma perfeita tontearia) é, no fundo, o resultado do que tem sido a ablepsia política desta gente, com pesadíssimos e complicadíssimos resultados para a vida das pessoas. Vi, por acaso, no dicionário, uma máxima latina que resume tudo isto: quidquid delirant reges, plectuntur Achivi.

sexta-feira, setembro 20, 2013

os números e o país

Estes políticos pelam-se por números. Não saem deste redondíssimo discurso. Daí que qualquer nota estrangeira, seja de algum país "aliado" e imperativo, ou de qualquer agência de rating, é sofregamente absorvida pelos vários quadrantes políticos. Sabem, obviamente, que os números são suscetíveis de desenvolvimentos criativos. E também sabem que esses desvios interpretativos têm uma relação direta com a confusão gerada no cidadão comum. Os números não costumam mentir, como dizem. E as pessoas aceitam essa verdade universal. Acontece que para além dos números está a vida das pessoas. A vida que, por sinal, só se vive uma vez. Daí que todo este processo de ajustamento esteja, desde a primeira hora, erradamente gizado. Por mais contas que se façam, não se constroem novos paradigmas sociais em três ou quatro anos. Se os senhores da Europa, se os senhores que governam a nossa república não o sabem, então mais vale adequar a célebre frase de Salazar a este tempo: orgulhosamente sós. Pelo menos, poderíamos afirmar, com toda a propriedade, eventualmente com um pacto de regime: numa geração, seremos um novo país. Sem feridos nem mortes.

quinta-feira, setembro 19, 2013

esquizofrenias

O Sr. Relvas foi-se e veio o Sr. Maduro, com melhor currículo e, acima de tudo, doutor por extenso. Veio para aligeirar, pungentemente, a comunicação do Governo. Nunca me pareceu que fosse esse o mal do executivo. Como já aqui disse, falam todos muito bem. O Sr. Passos Coelho tem até uma bela voz. Entusiasma-se, é certo, mas isso não se afigura como um mal irrevogável. Por sua vez (e já que foi para aqui chamado o adjetivo), o Sr. Portas é também um dos que têm o chamado dom da palavra. Basta vê-lo agora em campanha, austero, histórico, descasacado e desgravatado, dedo e sobreolho carregados, para facilmente concluirmos que, se fossemos todos como o Sr. Portas, o país estaria há muito sem FMI's. Ele diz que tudo fará para que esta nação com nove séculos jamais necessite de encomendas tão penosas. Daí que ande agora de braço dado com a ministra das finanças, a tal que o fez demitir-se irrevogavelmente (se todos fossemos como o Sr. Paulo Portas!...).
Mas confesso que ando confuso. Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque jornadearam até ao centro da Europa no sentido de iniciarem um périplo de convergência relativamente à oitava e nona avaliações da Troika. Pelos vistos, não convergiram lá muito bem. Olli Rehn, o comissário europeu dos Assuntos Económicos desferiu de imediato um golpe de negação relativamente à aspiração do vice-primeiro-ministro em aumentar o défice do corrente ano para 4,5% do PIB. Entretanto, o próprio FMI (um dos braços poderosos da Troika) veio dizer que os países como Portugal devem evitar reduzir os défices orçamentais demasiado depressa, pois a emenda tornar-se-á, deste modo, pior do que o soneto. Não sei, sinceramente, onde para, aqui, a novidade. É evidente que há economias e economias. Não tenho grandes dúvidas, mesmo não sendo economista, que um plano de ajuda deste tipo se ajustaria naturalmente em países como a Alemanha, por exemplo, visto que são países com uma capacidade de gerar riqueza mais célere. Assim, tratar por igual o que é diferente nunca me pareceu um bom caminho a seguir. E depois, para além disso (o que me parece desastroso) somos obrigados a pseudo-negociar, intervalarmente, com funcionários enviados, os quais não têm, visivelmente, capacidade de fugir ao guião com que entram no ministério das finanças (ou no palácio das Laranjeiras).
Para além disso - e como se não bastasse - o PSD age como um partido da oposição, ao criticar, através do seu porta-voz, Marco António Costa, o FMI de ser inflexível nas negociações. António Costa, à Jerónimo de Sousa, sublinha mesmo a hipocrisia institucional da organização internacional presidida por Christine Lagarde.
Não sei se esta incapacidade de entendimento destes atores políticos se deve exclusivamente às minhas limitações. O que eu sei é que eleições e coerência política costumam partilhar o mesmo espaço na nossa praça política.

segunda-feira, setembro 16, 2013

ronaldos e estádios

Num outro tempo, porventura dentro de algumas dezenas de anos, o homem olhará para a história e deparar-se-á com o que foi a passagem finissecular que nos abriu as portas para o que agora respiramos. Verá, então, como eram os seus iguais. Iguais no género; diferentes no que resta. E o homem, de entre o seu paradigma social, pensará: nesse tempo gastavam milhões e milhões de euros com desportistas e todos aclamavam, encantados. Mas também demasiadas pessoas viviam muito mal, com carências várias. Nesse tempo de milhões, falhava a educação e a saúde. Havia “swaps” e “mainstreams” financeiros que levavam empresas e pessoas à falência. Nesse tempo, não havia política porque esta estava confinada à economia e esta a esse “mainstream”. Pensará então o homem do século XXII: ainda bem que vivo neste tempo.

quinta-feira, setembro 12, 2013

relvas homenageado

As coisas que ficamos a saber quando abrimos o computador! O Sr. Miguel Relvas tem emprego: é um (ou o?) Alto-Comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa. Não sei nada sobre esta casa Olímpica, mas presumo que seja coisa fértil. Mas além de ter emprego na dita, foi alvo de uma homenagem. A liberdade é isto mesmo: podemos condecorar quem bem entendermos. No caso em apreço, deveu-se ao impetuoso trabalho do sr. Relvas no incremento das relações bilaterais ao longo deste ano (!) entre Portugal e Brasil.
Parece que o sr. Relvas foi vaiado quando entrava, com o seu resplandecente sorriso, no Museu Histórico Nacional, no centro do Rio de Janeiro, lugar da cerimónia. Consta que não se descompôs. É este, afinal, o traquejo dos verdadeiros estadistas.

quarta-feira, setembro 11, 2013

linguagens - tomo segundo

O senhor Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal, não está, obviamente, sozinho na sua encanecida jactância discursiva. Eis que me surge inesperadamente à frente um artigo do senhor João César das Neves, ilustre economista da nossa praça, hoje transposto no Diário de Notícias, no qual vale a pena passar por lá os olhos. Começa assim:

"Nos anos 1960, Portugal era um país pacato e trabalhador, poupado e prudente, que se sacrificava generosamente, labutando dia e noite para cumprir os deveres. Frequentemente emigrava e procurava vida melhor noutras terras. E os patrões, franceses ou alemães, suíços ou americanos, gostavam dele, por ser pacato e trabalhador, poupado e prudente. Havia quem abusasse da sua dedicação, e ele sabia-o. Sentia-se enganado, mas apesar disso trabalhava com afinco".

E segue, por caminhos felizes, a deleitosa e afincada prosa de César das Neves. De repente, e não sei por que razão, lembrei-me das abluentes palmas a que o senhor Passos Coelho teve direito numa igreja de Lisboa, aquando da cerimónia de aclamação do novo cardeal. Mas devo ser eu que ando para o esquisito.

linguagens

O senhor Passos Coelho não prima por cuidados de linguagem. Possivelmente, será essa faceta uma das suas maiores virtudes, pensarão os seus seguidores. O homem, afinal, está a pôr o país na ordem. A compor o que os outros (leia-se: esse tal de Sócrates e que agora tem o desplante de andar a falar todos os domingos na RTP1 que é pública e que por causa disso muita gente assinou uma petição para impedir essa imposturice) descompuseram.
Há poucos dias, virou-se, ferinamente, para um grupo de populares que o apupavam (meu deus, o homem anda a compor o país e é assim que lhe agradecem, esses comunas) questionando-os, qual adminículo, se a Constituição já tinha feito alguma coisa pelos desempregados. Hoje, numa espécie de abertura do ano letivo, numa escola em Oliveira do Bairro, afirmou que é bom uma escola possuir boas condições de trabalho, mas "sem luxo" (esse desgraçado Sócrates e o Parque Escolar!... O dinheiro que aí se esbanjou!...). Continuou, depois, a sua prelucidação, desta vez para falar sobre as baixas qualificações de muitos desempregados, um atraso secular (lembram-se das Novas Oportunidades?) que faz com que uma parte significativa dos desempregados "não tenha sequer concluído o 9º ano e tenha mais dificuldades em se adaptar às novas circunstâncias". Rematou o senhor Passos Coelho desta forma: "isso paga-se e não podemos deixar de investir para recuperar desse atraso, mas temos de fazer as nossas contas".
Não sei o que há para dizer para com este tipo de registo discursivo de um primeiro-ministro. Só me vem à cabeça que se Salazar vivesse em democracia, neste tempo, seria muito parecido com o senhor Passos Coelho; ou então, se este tivesse as mesmas responsabilidades no tempo do ditador, as diferenças seriam, inexoravelmente, delidas.

domingo, setembro 08, 2013

os outros números

Não me deixo embalar com a abertura dos noticiários sobre a leitura dos recentes números da economia portuguesa, a qual interrompeu o ciclo recessivo patenteado nos últimos dois anos, baixando tenuemente o número de desempregados (a que ajudou a percentagem em crescendo de trabalhadores não remunerados, isto é, de “indivíduos que exercem uma atividade na empresa/instituição e que, por não estarem vinculados por um contrato de trabalho, sujeito ou não a forma escrita, não recebem uma remuneração regular”, segundo definição do Instituto Nacional de Estatística), aumentando as exportações e os carros vendidos, etc.
Na verdade, eu sou daqueles que pensam que todo o programa de Passos Coelho e sua equipa passava, invariavelmente, por uma efetiva alteração do paradigma socioeconómico, o qual se encontrava, unívoca e estafadamente, ligado a uma redução da despesa do Estado. Por conseguinte, não se afigura necessário a proclamação insidiosa da aplicação do documento da Troika, assinado há dois anos, pois este, quando convém, é alterado sem pruridos de grande monta. Veja-se, por exemplo, o caso da educação.
Há, com efeito, uma comutação silenciosa em curso, a qual não passa, absolutamente, pela qualidade do ensino. É claro que o ministro Crato pode afirmar o contrário, que tudo passa para conferir à escola pública uma maior projeção qualitativa, mas o que resulta das suas afirmações é pura falsidade política e até intelectual. Nuno Crato sabe muito bem a matéria que tem à frente: uma classe amorfa e assustada e sindicatos levianos, cada vez mais ligados a uma realidade que não é a sua. Não admira, por isso, que os cortes neste ministério estejam, orgulhosamente, mais para além do que era preconizado pelo memorando de há dois anos.
Esta ideia tristemente prodigiosa de permitir ao privado entrar, sob o falseado signo de uma liberdade de escolha, por parte dos encarregados de educação, na escola pública é um verdadeiro retrocesso no ensino, em Portugal. E é-o porque estamos perante duas realidades educativas distintas, uma de cariz obrigacionista e outra mercantilista, embora esta última esteja escudada na diáfana mas sempre oportuna capa protecionista do Estado. Do mesmo modo, as escolas privadas não vão querer, naturalmente, entrar num quadro educativo que tem como base os princípios republicanos do livre acesso de todos à educação. De todos, sem exceção. É um pouco como o resultado das parcerias público-privadas que nos têm ajudado na nossa paulatina imersão: privatização dos lucros; estatização dos prejuízos. Até porque, sendo o ensino particular e cooperativo parte integrante da rede escolar nacional, é regido por legislação e estatuto próprios, tendo em conta a Lei de Bases do Sistema Educativo. Daí que não entenda como é que o estatuto próprio de algumas escolas privadas – o qual pode passar, por exemplo, por uma matriz católica – se se possa enquadrar no financiamento direto por parte do Estado que – note-se neste exemplo trazido aqui à colação – é laico. Mas o que paira na cabeça dos governantes desagua invariavelmente na fria aritmética. Adrede, uma coisa se afigura certa: a escola pública não vai necessitar de alguns milhares de professores, pois estes migrarão, naturalmente, para o outro lado, cada vez mais oportunista, do ensino privado. E isso é, sem dúvida, uma excelente notícia para o ministro Nuno Crato.
Entretanto, o ensino superior registou, este ano, um decréscimo de alunos caloiros, para valores do princípio do século. A este propósito, o retrocesso não é, obviamente, contabilístico. Os números representam, fundamentalmente, um retrato social.
Lamentavelmente, há quem teime, “sem ironias e cansaços”, apelidar isto de reforma do ensino.

adenda: a entrevista que Nuno Crato deu ao Correio da Manhã é das entrevistas mais miseráveis e mesquinhas que eu li na minha vida.

sexta-feira, setembro 06, 2013

a linguagem antiderivativa do pcp

Sabemos que o Partido Comunista Português (PCP) não é propriamente um partido que se deixe levar nas ondas derivantes de um mundo político cada vez mais espumoso. Fica-lhe bem. Para mal, já basta assim. No entanto, o que é demais, por vezes, cansa.
Vem isto a propósito da reação do PCP, pela voz do apático revolucionário Jorge Cordeiro, decorrente da decisão do Tribunal Constitucional (TC) em dar seguimento às candidaturas autárquicas repetentes, embora em territórios diferenciados. Congratulou-se, pois, o partido. De que forma? Com expressões que servem para tudo (para a vitória e para a derrota). Guardo uma: deriva antidemocrática.
É evidente que o PCP tem interesses autárquicos, precisamente pela considerada intervenção dos seus presidentes de câmara. Daí que a possibilidade agora decretada pelo TC abra mais uma janela de oportunidade de o partido alargar a sua influência no domínio camarário.
Eu só gostava de ver a conceção da deriva antidemocrática do partido se, por exemplo, Alberto João Jardim se candidatasse à Presidência da Região Autónoma dos Açores.

terça-feira, setembro 03, 2013

novo governo

Remeto-me numa única expressão que o jornalista fez a António José Seguro: novo Governo. Desde quando é que estamos perante um novo Governo? Eu sei que dá jeito a Portas e Passos a fermentação desta ideia. O que acho miseravelmente mau é que os jornalistas estacionem cada vez mais numa encefalia púdica e desenvolvam este tipo de tendência (é defeito, presumo) profissional.
Na verdade, o Governo tem novo visual. Basta somente olharmos para os passeios (sem sentido pejorativo, obviamente) que Maria Luís Albuquerque e Paulo Portas andam a fazer por essa Europa fora. O estilista é valioso e experiente. Afinal, estamos a entrar numa nova estação.

segunda-feira, setembro 02, 2013

debater a constituição

Rui Machete segue a linha passista: a Constituição deve ter em conta o momento do país. Obviamente, não deve. O texto constitucional existe como um pilar fundamental do Estado de Direito e não deve seguir uma linha interpretativa literária. O texto, escrito num outro tempo mas no mesmo espaço, já foi alvo de várias reformulações, as quais obrigam, como deve ser, a uma ampla maioria de dois terços dos deputados eleitos pelo povo português. Daí que a ideia primeira deste atual primeiro-ministro de rever a Constituição tenha sentido. Na verdade, haverá aspetos que não são compagináveis com a nossa sociedade deste início de século. Mas é para estas coisas que a cultura democrática é exigida. E é também para estas coisas que servem os partidos, os deputados e a Assembleia da República.

passos de coelho

Não ouvi a célebre frase de Passos Coelho sobre a suposta culpa do texto constitucional relativamente ao número crescente de desempregados portugueses, na Universidade de Verão do Partido Social Democrata. Porém, vi, perante um grupo de brigantinos que o vaiavam (queriam trabalhar não tinham trabalho, segundo entendi), a sua resposta, num registo não-verbal, que foi equivalente à exposta no encontro entre os jovens do partido, a qual se pode sintetizar numa só expressão: paciência, é vida!
Passos Coelho não tem respeito pela Constituição da República Portuguesa, isso já sabíamos. O que parece já não o incomodar - se é que algum dia o incomodou - é o número de desempregados resultantes da política de extermínio que leva a cabo desde há dois anos, em nome de uma espécie de regulamento imposto pela Troika.
Cavaco Silva, presidente da República, é o garante da defesa da nossa lei fundamental. Jurou-o por duas vezes, quando a maioria dos portugueses lhe deu essa prerrogativa. Por conseguinte, o mínimo que se lhe exige, perante este ataque à Constituição, é o uso da palavra, tantas vezes prometida nos idos eleitorais da primeira campanha.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...