quarta-feira, março 30, 2011

a seca partidária

Faz-me sempre muita confusão a capacidade que os partidos têm de, simultaneamente, agregar e dispersar apoios. A partir do momento que iniciam uma via de pretenso apogeu no governo da República, a sua e também pretensamente saudável via de discussão interna começa a esgotar-se, numa similitude com a seca que sistematicamente se abate sobre os outrora campos verdejantes. Aconteceu no PSD cavaquista e, presentemente, com o PS de Sócrates. Convém lembrar que Sócrates foi eleito secretário-geral do PS com uma clara contestação interna, não ao nível da percentagem de votos, mas antes no que diz respeito às tendências mais ou menos socialistas, mais ou menos modernistas de um partido que bebe a sua inspiração numa social democracia assente num paradigma de justiça social. Convém, neste sentido, fazer justiça ao Manuel Alegre deputado. Por outro lado, o Alegre candidato a presidente acompanhou a secagem partidária. O mesmo diz respeito a João Soares: Pergunto: onde está o João Soares que se apresentou contra Sócrates há meia dúzia de anos? A resposta é a mesma: enxugamento e consequente poalha partidária. O resultado de tudo isto é o que se vê: o PS não teve nem engenho nem arte para alterar o estado degradante do seu debate interno. Tudo poderia ter sido diferente se houvesse verdadeira democracia dentro dos partidos políticos, os quais deveriam ter força (autonomia) suficiente para mudar de líder, mesmo quando o mesmo ocupa o prestigiante cargo de primeiro ministro. No Reino Unido foi isso que aconteceu com a substituição de Tony Blair por Gordon Brown. Aliás, antes do candidato está o partido e antes do partido está o país. Só é pena que esta gente esqueça esta verdade diretora.

sábado, março 26, 2011

isabel alçada e a alteração das regras

Ouvi de relance, na televisão, a ministra Isabel Alçada afirmar que não se alteram as regras no meio de um ano letivo. Tudo a respeito da revogação da avaliação dos professores proposta pelo PSD (Passos Coelho foi claro, na entrevista à SIC, que não se trata de oportunismo eleitoral). Ouvi e pasmei. Se existe ministério em que sistematica e naturalmente se alteram formas processuais de ação tanto estruturais como também de âmbito mais imediato, esse ministério é o da educação. Basta olharmos para os inícios dos vários anos letivos e são muito poucos os que têm como adquirido um campo de ação rigorosamente estruturado. Apenas alguns exemplos: integração de professores nos quadros, concurso docente, reformulação de programas e de currículos, acordo ortográfico, avaliação os professores, estatuto da carreira docente, estatuto dos alunos, créditos das escolas, autonomia das escolas.

sexta-feira, março 25, 2011

contrariedades

O clima que se vive em Portugal começa por contra-. O PS saiu do Governo contrafeito; contrariado, entrará o PSD na governação do país; o Presidente da República, contraestímulo, vai ter de fazer alguma coisa. Contracorrente, o país espera por novos e inefáveis e há muito partidos horizontes.

quinta-feira, março 24, 2011

as campanhas eleitorais

Não há já dúvidas que a campanha eleitoral começou pujante. E o que se prevê, pela amostragem destes dois últimos dias, é que se percorrerá por caminhos desviantes que contribuirão muito pouco para a clarificação da real situação do país. Iremos, portanto, entrar num período de questiúnculas, entre as pessoais e as institucionais. A par disto, as televisões ajudam à festa. A RTP, por exemplo, mostrou hoje no Telejornal nobre da estação, José Sócrates chegar a Bruxelas. Ouvi os mais disparatados comentários do jornalista presente. Este chegou mesmo a dizer qualquer coisa como isto: pela cara de Angela Merkel não é difícil vermos que se encontra muito triste com a demissão de José Sócrates. Depois, todas as imagens, todos os cumprimentos dos homólogos chefes de governo vinham acompanhadas de uma espécie de benção delirantemente plangente exposta pela televisão pública. Um a um, desde Berlusconi até ao primeiro ministro grego, todos se mostravam solidários epilogadores da monstruosidade edificada pelo Parlamento português. Pelo menos por enquanto, andamos nisto.

o ps e as eleições

Sócrates apresentou a demissão ao Presidente da República, como prometera aquando do deslize do PEC para o Parlamento. Vamos, pois, ter eleições. Neste sentido, há um partido que parte notoriamente atrás: o PS. Tudo porque não foi capaz de se regenerar durantes estes anos de poder, a começar pelo seu líder. E pelos sinais que advieram dos corredores da Assembleia da República, a catarse não é ainda para hoje. O típico e pouco surpreendente Sócrates logo afirmou que se apresentará a eleições, ultrapassando descaradamente o congresso do partido. Do mesmo modo, Assis apresentou uma espécie de caderno de encargos com o atual secretário-geral do PS à cabeça. Do que é que esta gente está à espera? Dum descalabro eleitoral?

quarta-feira, março 23, 2011

os discursos e a imagem

Sigo o debate parlamentar. Dois bons discursos colaram na aragem discursiva dos deputados: o de Francisco Assis e o de Manuela Ferreira Leite, ambos devidamente aplaudidos de pé pelos seus congéneres. Todavia, a imagem que ficará desta sessão é a de José Sócrates a sair do plenário logo no seu início e a ausência de Teixeira dos Santos aquando da intervenção de Manuela Ferreira Leite. Tanto Sócrates como Teixeira dos Santos simbolizaram, com esta atitude escusa, o vazio e o desnorte do Governo.

o peditório

Apela-se à continuação de Sócrates para que Portugal chegue à próxima cimeira europeia com um Governo na sua plenitude funcional. Três nomes de peso agregam o conclave: Alegre, Soares e Sampaio. Confesso que não entendo: restará alguma credibilidade a este executivo? Obviamente que não. Cavaco anda, como é costume, a recolher pausadamente informação. Se existem alturas na vida de um país com um sistema bipartido como o nosso (Parlamento e Presidência da República) em que a voz do Presidente deve ser clara e consistentemente ouvida, vivemo-lo presentemente. Cavaco limita-se a introduzir o óbvio na discussão política portuguesa.

futebóis português

Por causa de meia dúzia de energúmenos que deviam há muito estar presos, consomem-se horas e horas de televisão, através de comentadores devidamente encartados, como se o caso merecesse sequer 1 minuto de antena.

terça-feira, março 22, 2011

reino da fantasia e da confusão patrioteira

Se existem coisas em que somos de facto evidentes é na pouca clarificação da nossa realidade política. Andamos há meses a ouvir respeitáveis membros do maior partido da oposição criticarem veementemente o Governo da República, designadamente o primeiro-ministro. Agora, em nome de um patriotismo rebuscado, utiliza-se o argumento da estabilidade perante os outros. Os outros são mesmo os outros, mercados à cabeça.

segunda-feira, março 21, 2011

o pec do descontentamento deles

Com PEC renovado ou não, a situação é simplesmente insustentável. As conturbadas e anfratuosas linhas argumentativas do Governo e do partido que o apoia metem dó. Eu pensava que tinha sido uma aposta de José Sócrates em eleições antecipadas. Mas mudei de opinião. O que realmente se passou, em Bruxelas, foi simplesmente cegueira política. Com o ministro Wolfgang Schäuble à perna (habituemo-nos a estes espaços nominativos alemães), Sócrates não teve pejo algum em mostrar um mal feito trabalho de casa. Mais: à frente de uma nação com oito séculos de história, que não se curva perante ninguém, nas suas próprias e eloquentes palavras após uma reuniãozita com a chanceler Angela Merkel, o ainda virtual primeiro-ministro português não soube, por total inépcia política, afirmar que em Portugal, ou melhor, em democracia, as decisões não se tomam na primeira pessoa e que, num período de enorme conturbação social e política, as responsabilidades são essencialmente parlamentares. Na verdade, é com este tipo de atitudes que ganhamos o respeito dos nossos parceiros europeus.

adenda: há uns anos, tínhamos um primeiro-ministro que se chamava Santana Lopes e um Presidente da República de seu nome Jorge Sampaio. Santana foi demitido por Jorge Sampaio. O Governo, curiosamente, era também maioritário. A crise, na altura, não existia, pelo menos com estas dimensões tão nefastamente projetivas. Mas o presidente, com um risco assumido, tomou uma decisão. Atualmente, temos um Presidente da República que só age quando os destroços jazem, irremediavelmente, na rua. O silêncio não é sempre um sinal de prudência. Pode constituir também sinal de fraqueza.

quinta-feira, março 17, 2011

ricardo rodrigues

Ricardo Rodrigues é um dos vice-presidentes do grupo parlamentar do PS. É, digamos, uma personagem que nasceu, ou melhor, que se desenvolveu durante o consulado Sócrates. Discorre muitas vezes sobre ética e justiça. A mim faz-me simplesmente impressão que um deputado que um dia gamou, sorrateiro, um gravador a uns jornalistas que o entrevistavam, ainda permaneça como uma das vozes impolutas do Partido Socialista. Hoje, por exemplo, irá pedir esclarecimentos ao Procurador-Geral da República sobre a veracidade ou não das suspeitas que recaem sobre Paulo Portas no estranho negócio dos submarinos. Está no seu direito, naturalmente, nem é isso que está em causa. Mas eu vejo sempre aquela mãozinha larápia...

crise política

O argumento reiterado da crise política é, obviamente, falacioso. Na verdade, vivemos há muito em crise política. Não basta simplesmente haver governo para que o fantasma da desgovernação se ausente do discurso político. No momento presente, um novo processo eleitoral clarificaria necessariamente alguma coisa. Não nos salvava de nada, mas era um pequeno passo/sinal que se erguia na nossa sociedade.

terça-feira, março 15, 2011

o tenaz

José Sócrates não se dá conta da figura. Nem ele, nem os seus assessores de imagem ou de discurso. Hoje na televisão, o primeiro-ministro apresentou-se ao país como o redentor de um país amordaçado por uma Europa maldita. Os outros não o compreendem, ou porque não conseguem acompanhá-lo, ou porque consideram primeiramente os seus próprios umbigos. Sócrates, entretanto, sem sequer olhar relanceadamente para o lado (para ninguém), prossegue a sua vereda mítica. Ele sabe que o défice tem de estar, no final do ano, nos 4,6%. Ele conhece o caminho. O discurso está escrito nos invisíveis telepontos, ora do lado esquerdo, ora do direito. Fala para os portugueses. Estes ouvem-no e o pior é que Sócrates está mesmo convencido disso. Por isso, fala, discorre pontos de vistas, perspetivas suas e alheias. Todavia, nota-se que utiliza cada vez mais a primeira pessoa do singular nos seus encadeamentos discursivos. É, assim, ao povo que deve prestar contas. Como um bom e verdadeiro democrata.

segunda-feira, março 14, 2011

a manifestação

Gostei da manifestação geração à rasca, apesar da minha inquietude inicial. O verdadeiro sucesso medir-se-á, todavia, pelo impacto além pirinéus. Afinal, podemos ainda ser algum ponto de luz europeu.

domingo, março 13, 2011

a autoestrada da justiça é transmontana

Estou perfeitamente à vontade na minha indignação (ou no meu "sobressalto cívico"): fui sempre contra a faraónica e inútil obra que constitui a autoestrada transmontana. Sócrates, dando voz ao tradicional provincianismo português, apelidou-a de autoestrada da justiça. O argumento era singular: Bragança é o único distrito do país que não é "banhado" por uma via com separador no meio. Os autarcas, babados, aplaudiram; as populações, adormecidas, regozijaram. Tudo muito certo, tudo muito irresistível.
Acordaram, entretanto, os transmontanos. A IP4 ser-lhes-á dissimuladamente surripiada: 80% da novel autoestrada que ligará Vila Real a Bragança terá como suporte o antigo itinerário principal. Ou seja: quem se fizer à estrada neste percurso terá de pagar qualquer coisa como 8 cêntimos por quilómetro, isto é, mais de 10 euros (parece que fazer o percurso de avião sairá mais barato). Pois é, amigos transmontanos, entre melhorias numa via que servia perfeitamente para os gastos da região e as esfumadas e cínicas promessas de equidade, escolheram, servidos por autarcas desleixados e facilmente logrados (esta gente não resiste a mimos centralistas, a uma visitita de um obscuro ministro ao "interior", "à terra", que os recebe ainda com banda e foguetes...), esta última via, precisamente aquela que vos levará de Bragança a Lisboa não em nove horas, mas em... 50 euros de sinuosas portagens. Mais coisa menos coisa.

sábado, março 12, 2011

apostar forte

A recente promulgação do chamado PEC 4 sem aviso prévio ao presidente e as posteriores comunicações do primeiro-ministro revelam um Sócrates a apostar forte e decisivo. Neste momento, com os juros nos 8%, com as tradicionais justificações do mercado a encimarem toda e qualquer ação preventiva, o que José Sócrates ardentemente deseja é ser demitido por Cavaco Silva. Por duas simples razões. A primeira é que Passos Coelho se tem revelado demasiado insonso, ao ponto de ter dito que com maioria ou sem ela, chamará Portas para o Governo (para primeiro-ministro?!...). Depois, as sondagens não revelam um PSD credível (6% para o PS não é definitivamente confortável). Por último, Cavaco poderia arrasar-se com eleições antecipadas goradas.

quinta-feira, março 10, 2011

o telemóvel do juíz

Um juiz entrega o telemóvel de serviço por lhe ter sido reduzido o plafond de chamadas. A comunicação social deleita-se e o juiz aparece como uma espécie de virtuoso contestatário. A mensagem que ele simbolicamente deixa no gravador de chamadas é sintomática dessa introspeção protestatória. É um dos homens mais poderosos do país, dizem os jornais televisivos sem a mínima emergência da sombra do ridículo. Os seguranças que estão incumbidos de o proteger têm um plafond superior ao do juiz, acrescentam esses mesmos jornalistas, agora com o rarefeito ar trocista da ocasião artificialmente fabricada.
Este sinal dado pelo magistrado Carlos Alexandre é, ao contrário da verborreia dos jornais, sintomático da aura apologética da classe profissional. O que se passou foi um mero episódio, com alguma piada, só isso. Há muita mais vida (muitas mais desgraças sociais e profissionais) para além do telemóvel do juiz.

quarta-feira, março 09, 2011

a manifestação de 12 de março

Dia 12 de março será dia de manifestação. Aparentemente, são uns jovens movidos, também aparentemente, por excesso de adrelanina tecnológica, via redes sociais, que combaterão em nome da precaridade laboral e das demais injustiças sociais. Confesso que, desde o início projetado do protesto, nunca me interessei pelo tema nem pela ação. Ou melhor, interessa-me o tema, mas não creio que seja este tipo mais apropriado de gente a introduzi-lo. No entanto, os media têm-se revelado prodigiosos na amostragem da manifestação, em Lisboa. Cavaco também se interessou, incluindo-a subliminarmente no seu discurso de posse.
Entretanto, há em Portugal mais jovens com juventudes demasiado prolongadas. E desses ninguém fala. Para esses, existe apenas a inquietação definitiva de que, se pudessem, não estavam de certeza naquele Terreiro do Paço protestativo do dia 12.

o discurso de cavaco

Cavaco Silva tomou hoje posse como o 20º presidente da República Portuguesa. É o seu segundo mandato à frente da República e adivinha-se um início de mandato no mínimo desconcertante. Na sua comunicação aos deputados (ao país), uma palavra foi discursivamente reiterada: ativo(a).
A par disso, o seu discurso de tomada de posse foi projetivamente coerente. Na verdade, Cavaco não se coibiu de discorrer sobre a crise social em que nos encontramos submergidos, em versão, é claro, maioritariamente económica. Assim, ouvimo-lo falar, do alto da tribuna parlamentar, de "dados económicos", "desemprego", "pobreza e exclusão social". Mas também o ouvimos, incisivo, a proclamar a urgência de "encontrar soluções", ou a autodefinida imposição de traçar "linhas de orientação e de rumos para a economia nacional", ou o pedagógico "entendo que há soluções", ou ainda o soarista presidencial "há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos", ou o guterrista eleitoral "os Portugueses não são uma estatística abstrata".
A salpicar tudo isto, o espaço dedicado aos jovens. Para o presidente da República, é neles que reside o futuro de Portugal. Foi precisamente aqui que Cavaco se pareceu mais com Cavaco.

o estranho caso da reforma do ensino básico

Retira-se do currículo do ensino básico duas disciplinas chamadas extracurriculares (estudo acompanhado e área do projeto), afunila-se a lecionação de educação visual e tecnológica para um professor (eram dois), junta-se um fermento de contestação sindical e temos uma reforma educativa. Mentor do extraordinário desígnio nacional: Isabel Alçada (só tenho pena de não continuar a ouvir as bacoradas justificativas de Walter Lemos).
Ouvi a ministra da educação divagar sobre finanças públicas (não sabe onde o Orçamento Geral do Estado vai agora buscar os 42 milhões de euros decorrentes desta extravagância da oposição política parlamentar). Foi desconcertante. Não sei se este penoso encargo teve como mandante Sócrates ou Teixeira dos Santos. O que eu sei é que, definitivamente, a educação (o projeto nacional educativo do país) é um parente pobre para o presente executivo em crise permanente.
Em primeiro lugar, uma reforma educativa tem, necessariamente, voos mais alargados do que estes cortezitos estereotipados. Uma reforma educativa tem, por inerência nominal, um projeto educativo interciclo e intergeracional. Neste sentido, o ponto de partida deve ser sempre interrogativo: que cidadãos queremos ter dentro de 15 ou 20 anos? Para isto não basta, pois, retirar, num ampla narrativa pedagógico curricular, duas ou três disciplinas de importância reduzida. Para além disso, introduzir no campo educativo variáveis orçamentais impostas por um défice crónico e agora cada vez mais apertado por uma impassível e destacada Alemanha, não é uma aglutinação saudável nem tão-pouco coerente. A aposta na educação – na educação que não é parva – é e será sempre uma aposta de futuro. Não há praticamente país no mundo com desinvestimentos nesta área. Pelo contrário, o que se tem vindo a verificar é uma aposta cada vez maior num paradigma educativo de acordo com as necessidades conjunturais e estruturais de cada país. Cavaco Silva, infelizmente, com a sua incapacidade de análise social (e cada vez mais deslumbrado pela tese do bom aluno europeu, que ainda dela fez eco há meia dúzia de semanas) hipotecou de forma traumática várias gerações de portugueses (o país) aquando da sua passagem repetidamente maioritária por São Bento. Mas depois dele também ninguém elaborou melhor projeto para a educação. Desgraçadamente, a qualidade das equipas do ministério da educação tem vindo a revelar-se em queda dramaticamente livre. Vejamos: tivemos Roberto Carneiro, Marçal Grilo para acabarmos em Maria de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada. Aqueles não conseguiram, é certo, edificar o tal projeto (não há projeto sem pacto educativo partidário). Estes, simplesmente, não sabem o que fazem (Lurdes Rodrigues, como é da praxe, ainda conseguiu um confortável lugar como presidente da Fundação Luso-Americana).
Para além desta pseudo reforma do ensino básico gostaria de referir uma outra que corre em paralelo na área do ensino da língua materna. São os chamados novos programas de português para o ensino básico e secundário. Há um pressuposto louvável neste exercício: conluiar o ensino da língua portuguesa nas suas determinações decorrentes do processo de ensino aprendizagem. Acontece que este exercício de homogeneização só teria o seu desejável amplo alcance se tivesse em conta as variantes gramaticais americana e africana. Tal como decorreu, aliás, do acordo ortográfico. O lema unidade na diversidade que deve pautar, de facto, o espaço linguístico lusófono, deve também ser delineado não por uma ramificação gramatical terminológica, mas antes por aquilo que os linguistas apelidam de diassistema, isto é, um sistema de sistemas, categoria inerente à própria variação de uma língua, seja no âmbito de uma variação diatópica (no espaço), diafásica ou diastrática (diferenças entre os estratos sócio culturais da comunidade linguística). O que decerto irá acontecer, dentro de pouco anos, é uma nova reforma do ensino da língua materna, agora conjugado com os nossos associados falantes nativos da língua portuguesa.
Não queria acabar estas linhas sem antes afirmar, a respeito da revogação do decreto-lei do Governo que iria entrar em vigor no início do próximo ano letivo (o qual determina a extinção da Área de Projeto, o fim do par pedagógico em Educação Visual e Tecnológica e a limitação do Estudo Acompanhado a alunos com dificuldades) que concordo com a medida do Executivo. Na verdade, não creio que os alunos adquiram substanciais competências com este tipo de disciplinas de importância reduzida. Estas horas letivas poderiam ser aproveitadas para o aprofundamento de outros conteúdos disciplinares (língua materna, iniciação a uma segunda ou terceira língua estrangeira…). Do mesmo modo, estou em crer que o par pedagógico a Educação Visual e Tecnológica não faz, efetivamente, sentido. Todavia, o que não faz também sentido é despachar para o desemprego insuprível milhares de professores. E este tipo de medidas social e profissionalmente insensível também é projeto educativo.

quarta-feira, março 02, 2011

o contributo de vicente jorge silva

Ouvi, de relance, Vicente Jorge Silva, nebulosamente compungido, afirmar que a liberdade festejada pela sociedade atual se paga também com precaridade laboral. Pois eu penso que quando se entra num estádio mais ou menos persistente de precaridade laboral, a liberdade vai relacionalmente diminuindo. E aí entramos em vias inconstitucionais.

o psd e o governo

O secretário geral de um partido fala, quando o faz à frente das camaras de de televisão, em nome do partido que representa. José Relvas afirmou hoje que o Governo anda desnorteado, ao ponto de ter dificuldade de entender a sua mensagem. Tudo porque Teixeira dos Santos, o desgraçado ministro das finanças, admitiu a possibilidade de mais medidas de austeridade. Défice oblige. Só isso. Não sei onde para a dificuldade de entendimento por parte do sr. Relvas. O que eu realmente não entendo é este PSD. Nem ata nem desata. As costas quentes do funesto e augurado rotativismo que nos aniquila dá para estas coisas.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...