terça-feira, março 15, 2011

o tenaz

José Sócrates não se dá conta da figura. Nem ele, nem os seus assessores de imagem ou de discurso. Hoje na televisão, o primeiro-ministro apresentou-se ao país como o redentor de um país amordaçado por uma Europa maldita. Os outros não o compreendem, ou porque não conseguem acompanhá-lo, ou porque consideram primeiramente os seus próprios umbigos. Sócrates, entretanto, sem sequer olhar relanceadamente para o lado (para ninguém), prossegue a sua vereda mítica. Ele sabe que o défice tem de estar, no final do ano, nos 4,6%. Ele conhece o caminho. O discurso está escrito nos invisíveis telepontos, ora do lado esquerdo, ora do direito. Fala para os portugueses. Estes ouvem-no e o pior é que Sócrates está mesmo convencido disso. Por isso, fala, discorre pontos de vistas, perspetivas suas e alheias. Todavia, nota-se que utiliza cada vez mais a primeira pessoa do singular nos seus encadeamentos discursivos. É, assim, ao povo que deve prestar contas. Como um bom e verdadeiro democrata.

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coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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