quinta-feira, agosto 25, 2011

imposto para os ricos em frança

Deem-se as voltas que se queiram dar e desaguamos inevitavelmente naquilo que é uma boa medida do governo francês, não só tendo em conta o quantificável, como também o simbólico. E a verdade é esta: os ricos, os muito ricos, podem objetivamente tornar o mundo um lugar melhor para viver. Só é pena que os nossos milionários tenham ainda impregnado nas suas cabecinhas que ainda estamos no século XX. A resposta de Amorim (eu não rico: sou um trabalhador) é demasiado elucidativa, penosamente elucidativa.

terça-feira, agosto 23, 2011

o ministro relvas

Há personagens que não desiludem, pelos bons e maus motivos. Miguel Relvas tem a indubitável aura de se encaixar neste grupo. O que ele desassombradamente fez hoje, ao acusar indiretamente a anterior gestão do Instituto de Desporto de Portugal de atividades no mínimo ilícitas (por conseguinte, criminosas), quando afirmou, publica e candidamente, que foram encontradas, “numa sala fechada” faturas no valor de seis vírgula qualquer coisa milhões de euros (o preciosismo desta gente: "um euro é um euro", diz, finório, a personagem) revela, sobretudo, o carácter do autor da missiva.
Qualquer indivíduo com um mínimo de ética (republicana, porque não) teria acionado, em primeiríssimo lugar, o canal de comunicação mais adequado, o qual seria, sem dúvida, o interno. É que entre a equipa cessante e a nascente a distância deveria ser curtíssima, ausente até. Infelizmente, esta gente, com a mesquinhez que a carateriza, não pensa assim. Na cabeça deles, o que interessa é, sobretudo, o acerto de contas, sejam elas quais forem.

segunda-feira, agosto 22, 2011

o estranho caso do correspondente em washington

A tradição ainda é o que era! A RTP e os tutelares ministros que o digam! Miguel Relvas, apesar das transparentes juras incondicionais de não se meter em assuntos de "boys", não conseguiu, afinal, esgueirar-se à sua própria e cada vez mais pesada e incontornável sombra. A coisa explica-se muito simplificadamente, pois é de coisas simples que se trata. Simples e bem portuguesas.
Mário Crespo prendou durante largo tempo o agora ministro Relvas com a importante e decisiva notoriedade televisiva, no âmbito do comentário político. Imagino que as condições contratuais entre os outorgantes tivessem sido igualmente muito interessantes para Relvas. Tal como Sócrates (que se projetou essencialmente na televisão, ao lado do eterno Santana Lopes), Relvas chegou um dia a ministro, cheio de ideias para o (seu) país. E uma destas tensões idealistas foi o de retribuir o emprego e a simpatia ao seu colega Mário Crespo. Fim da história, com moral: por mais que se embandeire, há coutadas que resistem.

quinta-feira, agosto 04, 2011

benfica: nova audiência

Começa a não haver pachorra para os pedidos de audiência que a direção do Benfica SAD insiste em realizar. Desta vez, é ao presidente do organismo que regula o mercado de valores mobiliários, Carlos Tavares, a propósito da extraordinária transferência do guarda-redes Roberto. Não deixa de ser um modo de vida...

quarta-feira, agosto 03, 2011

a chamada falsa para o 112

Os criativos deputados do PSD fizeram hoje, no âmbito de uma comissão parlamentar, uma chamada falsa para o 112 no sentido de verificarem, "in loco", os prazos de resposta do INEM. Podiam mesmo ter ido mais longe e simularem um acidente de viação acrescido de uma paragem cardiorrespiratória. Reponsável, esta gente...

terça-feira, agosto 02, 2011

o social neoliberal

Os ventos das mudanças trouxeram uma tendência comunicativa curiosa, aparentemente mais terrena, por parte dos nossos governantes. De repente, essa gente passou a ser inultrapassavelmente séria, ciosamente inexpugnável. O ministro da educação afirma que haverá professores que não terão lugar nas escolas para o próximo ano letivo. Por sua vez, o BPN é vendido a um grupo económico que, descomplexadamente, defende o encerramento de dezenas de balcões e de centenas de despedimentos. O ministro da economia quer ir ainda mais além do que foi acordado com a troika a respeito da redução dos cargos de dirigentes (vamos a ver para onde é que desaguarão os que o são e os que o não o são). Diz que quer ter "less jobs for the boys"...
Entretanto, os mais ricos vão ficando mais ricos e os mais pobres ainda mais pobres. E ninguém se dá conta que muitos dos ricos pagam, à grande maioria dos seus trabalhadores, 485 euros por mês, correspondente ao extraordinário salário mínimo português. Se eu fosse rico como o sr. Soares dos Santos ou como o sr. Amorim ou como o sr.Belmiro, o ordenado mínimo nas minhas empresas seria de 1000 euros. É certo que não elevava a minha riqueza pessoal a patamares tão deslumbrantes. Mas deixaria decerto muito feliz muitas mais pessoas.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...