segunda-feira, abril 11, 2011

nobre, o fernando e alegre, o manuel

Fernando Nobre destabilizou o PSD e o PS e restantes partidos com a aceitação de encabeçar as listas pelo círculo de Lisboa do PSD. Não haverá muito a dizer. É um homem livre e, segundo rezam as crónicas, houve uma imposição feita pelo próprio: ser indigitado para presidir à Assembleia da República. Ou seja: Nobre ficará, se o PSD de Coelho ganhar as próximas eleições legislativas, como uma espécie de vice-presidente da República. Não consigo, pois, compreender a tremenda agitação dos partidos políticos. O sr. Vitalino Canas chegou mesmo a afiançar que o cargo de Presidente do Parlamento deveria ser preenchido por alguém com (vasta) experiência de deputado. Ridículo argumento, a partir do momento de que existe a possibilidade de cidadãos independentes concorrerem ao cargo de deputados da nação. Para além disso, este ponto de vista configura uma sobranceria nada compaginável com o pressuposto de que a Assembleia da República é a casa da democracia, isto é, dos cidadãos portugueses, os quais são representados pelos deputados. Nobre almeja um dia vir a ocupar a tribuna de Belém. Está no seu direito. Por mim, acho muito bem que se sujeite a quatro anos de trabalhos esmiuçados, enquanto Presidente da Assembleia da República. O que não deve, a meu ver, é aceitar o lugar de deputado caso o PSD perca as eleições. Aí é que colocava em causa a palavra dada aos seus estupidamente desiludidos eleitores.
Um outro curioso caso nestes dias de nebulosidades políticas é o apoio aparentemente incondicionado de Manuel Alegre a José Sócrates. É certo que o poeta já desbaratou aquilo que julgava ser a sua reforma política, mais ou menos avalizada na formosa quantia de um milhão de votantes. Formosa, mas não segura, como previsivelmente se verificou no seu último teste presidencial. Convém recordar que Alegre foi sempre um opositor – feroz! – a José Sócrates, não só enquanto deputado e candidato a Presidente da República (primeira parte), mas também enquanto membro da Comissão Política Nacional do partido. Ora, a questão que se deve colocar é: o que é que mudou? A resposta antevê-se naturalmente negativa se a ligarmos ao ainda primeiro ministro. Na verdade, José Sócrates, tem sido de uma incomensurável constância no que à projeção política diz respeito. Tudo nele é previsível, como, aliás, se viu no último congresso partidário, ao esgrimir a teoria da vitimização (os outros... os outros....), acusando a oposição de ser a responsável pelo caos financeiro-económico-político que o país se encontra. Pelo contrário, quem efetivamente alterou a sua postura interventiva foi Manuel Alegre, ao sujeitar-se a uma intervenção que não foi mais do que mero alcance propagandístico, pois Manuel Alegre está para Sócrates como Maomé está para o toucinho.
E por falar em visões propagandísticas, Passos Coelho deu um grande e arriscado passo (paronímias à parte) ao convidar Nobre para número um por Lisboa. Voltamos sempre ao mesmo: mais importante do que saber quem encima uma longa lista, é conhecermos individualmente cada candidato a deputado. Não irá decerto ser Nobre ou Ferro Rodrigues (meros candidatos fantasmas) os representativos da nação socialista ou social democrata. Aqueles, na verdade, não passam de simples e confiados pontas de lança, os quais simplesmente não podem fazer mais do que prometer marcar muitos golos. Acontece que por vezes os golos não passam de desvirtuosos e desgraçados autogolos. Tal e qual como no futebol.

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