quarta-feira, abril 06, 2011

os abstrativos salvadores da pátria

Ouvimos e lemos por aí os salvadores da pátria contratados (contratados é um modo disfémico de alindar a questão, pois todos sabemos que esta gente, tratando-se de temas tão nobres como, por exemplo, o país - essa realidade abstrata que tão bem os tem servido ao longo de décadas de democracia - recusam todo e qualquer pinto sonante) pelo Partido Social Democrata de Passos Coelho (na verdade, começa-se a não se vislumbrar qualquer dissemelhança de fundo entre este partido de Coelho e os que o antecederam) admitirem, de fronha fixa e aparentemente compungida que, afinal, será necessário - imprescindível mesmo! - cortar o 13º mês aos trabalhadores portugueses.
O verbo, para esta gente, revela-se fácil, resoluto e cómodo quando, lá no assento etéreo onde se encontram (convenientemente colocados pela abstrata e prestativa pátria), abordam assim sem mais nem menos estas questões económicas. Convém sempre recordar que o ordenado médio em Portugal é de, mais euro, menos euro, 750 euros, valor igualmente abstrato para os carrapatosos do regime.
O que se revelava realmente patriótico era esta gente abdicar, durante três ou quatro anos, dos seus próprios subsídios de natal, férias e prémios de gestão. O simbolismo desta decisão reforçava, no fundo, a saída do universo da abstração analítica.

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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