sábado, maio 16, 2009

uma mudança, outra estratégia

Basta andar pelos centros e arredores das cidades portuguesas para notar que existe uma verdadeira degradação em desenvolvimento. É lamentável que isto aconteça, ainda para mais quando é Portugal um país que recebe muita gente de fora, muitos turistas, que se revelam de uma enormíssima importância para o equilíbrio das nossas finanças públicas. Daí que não compreenda que o actual Governo (todos os governos) não aposte num outro paradigma de desenvolvimento, o qual deveria passar por uma verdadeira ecologia urbana, para que as cidades e os seus arredores se convertam em lugares aprazíveis para viver, passear e passar férias. Mas é o oposto que acontece. Portugal sofre, desde há décadas, de uma atordoante insensibilidade urbanística. Dou um exemplo: a azulejaria. Com efeito, se existe uma marca estética que nos distingue dos outros países, o azulejo é, indubitavelmente, uma delas. É verdade que o azulejo foi utilizado em diversos países. No entanto, foi em Portugal que assumiu uma importância artística fundamental, não só por causa da sua longevidade (sem interrupções desde o século XV), mas também pela originalidade do seu uso, nomeadamente quando empregue como elemento estruturante da arquitectura. Acaso haverá países com um tão rico património arquitectónico em azulejaria? Não creio. A diferença é que a maior parte dos países da Europa, onde oficialmente nos inserimos (apesar de nos perturbar, por vezes, a assunção das nossas diferenças) não abdicam, no que às cidades diz respeito, do valor arquitectónico das suas casas. Nós não. Começámos por achar que os azulejos eram coisas dos emigrantes, que ostentavam cá dentro o que não faziam lá fora, esquecendo que o que estava realmente em causa se resumia ao sentido estético de cada um. Depois, foi o desbaratamento perverso de um património riquíssimo. Por isso, o azulejo está, hoje, praticamente esquecido nas nossas construções. As cidades revelam-se, assim, um espelho do que somos: um povo demasiado volátil e inseguro. Por isso, é urgente confluir, no âmbito programático do próximo governo que sair das legislativas, num novo paradigma de intervenção sobre e para Portugal. Em nome de todos nós, em nome também das gerações futuras.

(publicado no jornal Público, em 22/05/2009)

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