segunda-feira, fevereiro 02, 2009

o processo

O caso Freeport vem revelar, quanto a mim, uma evidência: o culto despropositado que o primeiro-ministro conseguiu desenvolver em pouco mais de quatro anos. Mas o que é realmente estranho é que essa espécie de veneração personalista vem, em grande parte, daqueles que, por obrigação, deveriam ter uma postura de total independência. Estou a falar, obviamente, dos que têm responsabilidades nos meios de comunicação social. Com efeito, desde o simples pivô do telejornal ao mais afamado e idóneo comentador, todos - ou, pelo menos, a sua grande parte - convergem no seguinte: o de não acreditar que José Sócrates ("o meu primeiro-ministro", ouvi de alguns) tenha recebido alguma espécie de luvas ou cometido algum tipo de irregularidade neste imbróglio em que se transformou o espaço comercial de Alcochete. Depois, como que a aligeirar o hipotético e nebuloso envolvimento do nome de José Sócrates no meio de tudo isto, atiram-se à família - ao tio e aos primos -, expressando sempre a tenebrosa e cobarde frase de que ninguém pode escolher a família que tem.
Creio que José Sócrates fica mal na fotografia. Não tanto pelas aparições etiquetadas que tem vindo a suceder nas televisões, mas, principalmente, porque parece sentir-se bem montado no alto da sua ténue sustentação piramidal. Quanto ao resto, é, simplesmente, o resto. José Sócrates é, à luz da lei, um cidadão como outro qualquer. Por isso, tudo o que diga respeito a processos de investigações judiciais em que o seu nome seja opinado, o tratamento a que é sujeito deve ser o mesmo que um outro qualquer cidadão. Daí que aquela juíza - por sinal a responsável pela investigação - que num dia deu duas entrevistas televisivas, prestou, também um mau serviço ao país, isto é, à justiça portuguesa.

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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