segunda-feira, outubro 10, 2011

a descoberta da manuela

Afinal, a economia, por vezes, tem de se vergar à política. Manuela Ferreira Leite disse, há horas, isto: o ideal seria prolongar por mais alguns anos o prazo contratual com a Troika. Há pessoas assim, pessoas que se defendem (e escondem) através do alto grau do seu padroeiro académico, pessoas que se autoinstitucionalizaram e que a sociedade, através de uma imprensa muitas vezes abúlica, acompanhou, panegiricamente, essa (auto)institucionalização. De repente, após crises e deceções, estudos e acompanhamentos troikanos, efetuam 500 passos atrás e defendem aquilo que uma consensual visão política desde sempre concebeu: não é possível e não é justo resolver os males económicos do país com receitas "exteriores" que colocam em causa, irremediavelmente, a vida das pessoas. Toda a gente sabe que é necessário reduzir a despesa, implementar sistemas de produção mais eficazes, combater a fraude fiscal (e a fraude mental, já agora), privatizar (com muito, muitíssimo cuidado), otimizar a educação, a saúde e a justiça. Mas também se torna evidente a necessidade de reduzir (acabar) as desigualdades territoriais e humanas (dos países da OCDE, só a Turquia e o México ficam atrás de Portugal, estando este em último lugar, neste indicador, no que concerne à União Europeia), regular a banca, impulsionar o mercado de trabalho e combater a precariedade laboral (mais uma vez, ocupamos os lugares cimeiros neste parâmetro). Mas tudo isto se faz de duas maneiras: à custa das pessoas, roubando-lhes a única vida que têm (a terrena, para quem não deseja conceber etéreos tons para lá da humanidade) ou à custa dum plano - político, se faz favor - que preveja, a médio/longo prazo, um efetivo arranjo do nosso tempo, do nosso espaço físico e mental. Caso contrário, resta-nos andarmos para aqui ao sabor destes senhores que mais não fazem do que abrir, incessante e perdidamente, os manuais de economia.

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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