quarta-feira, junho 02, 2010

encerramento de escolas

Mais uma das extraordinárias medidas "pedagógicas" levadas a cabo por as não menos extraordinárias equipas ministeriais, as quais decidiram que as escolas com menos de 21 alunos devem, em nome da evolução escolar dos discentes, encerrar. Depois, vem a hipocrisia: melhores escolas, melhores professores (?), mais e melhores equipamentos, mais miúdos a conviver entre si. É importante que se anote este último ponto: a convivência dos alunos.
A escola é, indubitavelmente, um espaço de convivência. Todavia, deve ser encarada, sobretudo, como um espaço de aprendizagem. Aliás, existem outros espaços de convivência para além dos muros escolares, bem mais saudáveis. Só se considerarmos que a denominada convivência deve andar de mãos dadas com o espaço da aprendizagem, com igual percentagem de relevância. A meu ver, não. Os alunos devem, desde o primeiro ciclo, objectivar a escola como aquele lugar onde a brincadeira fica de fora, onde se faculta mais um salto progressivo no seu desenvolvimento humano. Nesta perspectiva, não era de todo descabida o que se passava "antigamente", com os alunos a encararem o primeiro dia de aulas do primeiro ano escolar como uma "opção" obrigatória, em que a fronteira do sonho e da realidade emergia, tenuemente, num envolvimento teimosamente indagador. Esperem, senhores das ciências da educação, esperem psicopedagogos e assistentes pedagógicos e afins, esperem... não me crucifiquem já!... Eu também sei da importância do lúdico, dos afectos, dos vídeos projectores e dos power points. Sei isso tudo. Mas também sei o que é ir para uma escola de autocarro a não sei quantos quilómetros de distância, chegar a casa de noite, com frio, após uma viagem mal amanhada.
E também sei do despovoamento da ruralidade do país. Sei que depois se fecham centros de saúde porque as pessoas que vivem numa determinada área geográfica não são suficientemente "rentáveis" para a manutenção desse mesmo espaço. Sei que só com muita abnegação é que um jovem casal decide alicerçar uma vida num lugar assim.
Sei que Portugal é um pequeno país e é, provavelmente, o que mais sofre, em toda a União Europeia, de gritantes desigualdades sociais e regionais. Sei que depois vêm articulistas famosos satirizar os habitantes de Valença, precisamente com base no escasso número de utentes do concelho, quando estes simbolicamente decidiram agradecer ao alcaide de Tui a disponibilização das urgências locais para socorrer a população.
Sei, pois, isso tudo. Mas teimamos neste Portugal com "p" pequeno, neste Portugal futuro onde, ao contrário dos versos de Ruy Belo, é cada vez mais difícil ser feliz.

1 comentário:

Fernando disse...

Ainda bem que há alguem transmontano, neste caso, que poe a boca no trombone para denunciar algumas tristezas deste país. Concordo em absoluto.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...