sábado, junho 12, 2010

o hotel da seleção

Ouvi hoje na televisão a cretinice transmitida por um dos responsáveis da seleção de futebol na África do Sul a respeito dos custos do hotel. Parece que o local onde a comitiva se encontra hospedada é um dos mais caros, de entre todas as seleções. A explicação desse responsável foi esta: a qualidade e os custos da hospedagem estão de acordo com a nossa posição no ranking da FIFA. Para esta gente não existem país, défice, dívida pública, pec, subida de impostos, cortes sociais, desemprego, nível de vida.
Para este magote futebolístico, acarinhado como verdadeiro herói pelo povo, o país começa e acaba no jogo e nos proventos excelsos que dele tiram. A seleção da Dinamarca, por exemplo, que até ficou à nossa frente no grupo de apuramento, optou por uma estadia bem mais despretensiosa.
Seguindo o raciocínio deste responsável, os pergaminhos da nossa equipa, com o honroso terceiro lugar à partida, dar-nos-á para, no mínimo, mantermos esta posição.

2 comentários:

Arruda, não dos Vinhos disse...

O populismo no seu melhor. Se sou pobre os outros também têm de ser. É "chic" uma certa classe média criticar os luxos a que não pode aspirar. Claro que os luxos, mais modestos, que ainda vai conseguindo manter, não interessam para nada. Deveria procurar saber quais os proveitos da FPF via patrocínios e pagamentos por parte da FIFA e depois fazer as contas. Se calhar, em termos relativos, o autor fica mais caro ao seu empregador.

josé ricardo disse...

A questão que eu coloco aqui é simples: não se pode justificar o valor da diária de um hotel com os pergaminhos do terceiro lugar do ranking da fifa. Somos o país que somos e não podemos ter gestores públicos a ganhar tanto ou mais do que outros em países bem mais desenvolvidos do que o nosso e, em alegre convivência com isso, termos salários médios (da classe média "populista", caro Arruda) vergonhosamente inferiores a esses mesmos paises. Com esta coisa da seleção o ponto de partida (e de chegada) é o mesmo. Nada disto é populismo.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...