domingo, outubro 07, 2012

o morde e foge

É certo que só os mais distraídos poderiam esperar alguma coisa de António José Seguro. Verdadeiro Passos Coelho do PS, lembro-me, há uns dez anos, ouvi-lo afirmar que estava já cansado da extenuante vida política. Estaria na altura Seguro a desempenhar cabalmente o fatigante trabalho de deputado europeu. Lembro-me também de ler, em resposta a esta imbecilidade, um adelgaçado artigo de opinião de Baptista-Bastos no, se não me engano, Diário de Notícias.
Todavia, Seguro é líder do PS, apesar de ter disputado as eleições internas com um militante que apontava caminhos diferenciados e que, a meu ver, era o que melhor respondia a este longo e difícil caminho. Por esta escolha, inteiramente da responsabilidade dos militantes do PS (que não souberam aferir, por exemplo, as qualidades do homem quando iniciou a sua campanha eleitoral no próprio velório do Governo de Sócrates, à porta do elevador do hotel onde se realizava a declaração de vencido do seu partido), se pode ver que também estes não se podem desresponsabilizar do estado a que isto chegou. É que pior do que uma nulidade a gerir os destinos do país, é haver outra nulidade como alternativa...
A orientação de António José Seguro, enquanto líder do maior partido da oposição, tem sido marcada, inelutável e resumidamente, através de uma marca de pura covardia política. Explicando melhor: Seguro não quer ser Governo neste momento; prefere, simplesmente, que o poder lhe caia nas mãos como, aliás, caiu a Passos e, antes dele, a outros. De preferência (condição essencial, presumo) depois desta coisa aborrecida chamada troika ter saído de vez do país e este andar outra vez, cantando e sorrindo, nas ondas do irregular mercado financeiro. Daí que fuja a sete pés das moções de censura apresentadas pelos partidos à sua esquerda (extrema-esquerda, dizem, o que me confunde porque fico sem saber o que é a esquerda neste momento em Portugal), quando passa a vida a apontar - e bem - o descalabro desta coligação. Arranja depois estes joguinhos de baixa política, quando se lembrou (por aqui podemos ver a disposição estratégica dos seus colaboradores, não ficando estes a dever nada aos de Passos Coelho, como se não tivessem todos sido tirados das mesmas sacolas das juventudes partidárias) de apresentar uma proposta de redução de deputados na Assembleia da República. Obviamente que, com esta extraordinária jogada, o que este não menos extraordinário think tank socialista pretende é criar desregulações na coligação. Não seria, pois, necessário. A coligação está já moribunda e não tem pernas para aguentar. O que estes joguinhos farão é criar uma espécie de intervalo (não aconselhável) daquilo que realmente interessa: nós. E nós somos o país.

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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