domingo, maio 29, 2011

fidelidades

Ouvi Mário Soares justificar bem alto o seu voto: a fidelidade ao partido. Não podia o ex-presidente da República ser mais preciso no seu discurso justificativo. E é essa mesma fidelidade, aliás, que tem acompanhado José Sócrates nesta sua penosa (para ele e para todos nós) campanha eleitoral. António José Seguro, por exemplo, devia ter dado graças aos deuses pela abençoada chuva que caiu na sua emprestada augusta cidade de Braga. Todos sabemos o que se passará para a semana nas hostes dos derrotados e, principalmente, neste partido socialista sufocado de vários anos de recolhimento identitário.
Entretanto, as fidelidades partidárias descambam, muitas vezes, nos mais íngremes disparates. Foi o caso de Francisco Assis que afirmou, antes do discurso de Mário Soares, que seria catastrófico para o país e para (imagine-se!) a Europa se José Sócrates saísse da cena política. Assis defende que Sócrates tem um incomensurável prestígio na Europa e que é uma das vozes mais proeminentes na defesa do socialismo moderado. Deste modo, em dois ou três minutos, esqueceu-se tudo: as dívidas, os desempregados, o empréstimo e, o mais preocupante de tudo, a ausência de país.

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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