quinta-feira, junho 21, 2012

uma moção de censura ou a (in)sustentável leveza da política

O PCP é o partido mais previsível do nosso panorama parlamentar. Não quero, obviamente, com esta asseveração, tecer qualquer tipo de consideração mais crítica. O partido, na sua pujança existencial, insere-se numa linha contestatária de combate ao capitalismo. Daí que a resposta a este desenfreado liberalismo económico-político venha sob a forma de moção de censura. Seria bom que outras instituições "tradicionais" como, por exemplo, a igreja católica (muito parecida, aliás, ao partido comunista numa certa ritualização normativa) se mantivessem iguais a si próprias no que diz respeito a princípios dogmáticos, principalmente àqueles que se colam às injustiças sociais.
O comportamento do PS foi também, nesta matéria, expectável. A resposta à moção de censura do PCP firmou-se, pois, numa renúncia à ação. A justificativa foi a mesma usada pelo PSD em outras ocasiões similares: não se deve acrescentar uma crise política à crise social que vivemos, como se uma estivesse indissociável da outra. Em termos práticos, a abstenção do PS significa tão-somente isto: não estamos preparados para governar. Ou então: não conseguiríamos fazer melhor do que o PSD. Ou ainda: optaríamos precisamente pela mesmas opções das que foram tomadas pelo Governo. Ainda: estamos numa encruzilhada e precisamos da orientação do triunvirato.
A moção do PCP clarifica, assim, as águas. Possui, neste sentido, uma utilidade prática. As espumas mediáticas desaparecem e os partidos e os líderes surgem iguais ao que verdadeiramente são: minguados projetos.

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