quarta-feira, abril 11, 2012

a industriosa e utópica autoestrada transmontana da esperança num estafado programa de televisão

Ouço e vejo na televisão o programa “Portugal Hoje”, conduzido pela inevitável Fátima Campos Ferreira, dedicado ao interior do país, em geral, e ao distrito de Bragança, em particular. Os convidados são, na sua maior parte, transmontanos. Para além de algumas pequenas barbaridades eleitas por alguns destes convidados (sentido pejorativo em se ser do interior?!...os inconjuráveis caretos de uma aldeia de Macedo de Cavaleiros...), não me escapa ainda, estupefacto, a inglória crença que esta gente ainda açambarca na autoestrada transmontana. Demora-se muito tempo para chegar a Bragança, diz, afoita e obtusamente, a locutora. O que ela queria? Uma autoestrada em linha reta? O que interessa ter uma via de comunicação terrestre rápida se do outro lado existir um vazio, um lugar oco, sem esperança e sem retorno? Por acaso nunca ninguém pensou no desenho demográfico do país, imposto por governos décadas após décadas? Por acaso nunca ninguém se questionou por que razão é que se pode trabalhar no Porto e residir em Aveiro e ser transportado diariamente através de comboio, o que já se afigura completamente impossível se o local de residência for, por exemplo, Vila Real? Quando é que estes governantes, presidentes de câmaras, partidos políticos, teimam na opção circunstancial, efémera, em vez de projetarem uma região, um país, igual nas suas oportunidades, igual no seu desenvolvimento social? O que significa verdadeiramente a palavra interior num país como Portugal, todo ele litoral? Não é, decididamente, um vocábulo com uma abrangência polissémica significativa. Acrescentaram-lhe simplesmente, ingloriamente, esta trágica aceção.

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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