domingo, fevereiro 12, 2012

o cândido vasco

Vasco Graça Moura não esperava tanta polémica em torno da seu prepotente gesto em mandar retirar dos computadores do Centro Cultural de Belém o programa que verte, automaticamente, a grafia portuguesa para o que se designou apelidar de nova ortografia. Parece-me no mínimo ridículo esta afirmação. É evidente que Graça Moura estava ciente do que originaria. E também é claro que lhe assiste um direito de lutar por esta causa, a qual é, aliás, muito distinta e importante. Daí que também não encarrilhe com aqueles que lhe apontam dedos acusatórios de não obediência a normativos governamentais. Vasco Graça Moura usa simplesmente as armas que tem ao dispor e usa-as muito bem, ainda para mais quando se começam cada vez a ouvir, com maior empreendimento, de toda os cantos da lusofonia, vozes que esgrimam válidos e diferenciadores argumentos sobre esta decisão luso-brasileira.
Há tempos, o primeiro-ministro convidou, toscamente, os professores a emigrar. Nesta perspetiva, revela-se muito interessante a seguinte constatação: das várias áreas curriculares do ensino básico e secundário, uma das que se manifesta de maior incongruência relativamente a outros países lusófonos como, por exemplo, o Brasil, é precisamente o ensino da Língua Portuguesa. Ou seja: é muito mais fácil um professor de química, de inglês ou de matemática lecionar numa escola brasileira do que um seu colega de língua portuguesa. Afinal, há muito mais a fazer quando se pensa na preservação e incrementação no mundo da língua portuguesa. Neste sentido, a recentíssima reforma curricular na área do ensino da língua materna (os chamados novos programas para o ensino básico e secundário) é uma perfeitíssima inutilidade, tendo em conta, precisamente, a uniformização do ensino da língua portuguesa.

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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