domingo, janeiro 30, 2011

conselho nacional do ps e o porta-voz

O Conselho Nacional do Partido Socialista reuniu hoje com uma ordem de trabalhos que passava, inevitavelmente, pela análise dos resultados presidenciais. O porta-voz do partido, que antigamente era Vitalino Canas e agora se chama Fernando Medina, salientou, sabiamente, aquilo que estava já escrito há muito, não sei se nas estrelas, se na cabeça de José Sócrates desde a vencida noite eleitoral: o povo, na sua venturosa sapiência e serenidade, optou pela estabilidade e condenou exemplarmente as mudanças na ordem política nacional. O que aí vem, adiantou, exemplarmente, o porta-voz, não se compadece com resoluções disjuntadas. O povo tem, portanto, como se sabe, sempre razão nestas coisas.
O que é deveras interessante nestas reuniões reside precisamente na total ausência de problematização, essência primeira de respostas lógicas e frutuosas. É que o que foi concluído na reunião da Comissão Nacional do Partido Socialista - órgão composto por dezenas de individualidades - foi, ipsis verbis, o que dissera, porventura ainda a quente, Sócrates na noite eleitoral. Faz, pois, todo o sentido questionarmos a real vocação de um órgão de debate interno dentro de um partido político, se ele não faz mais do que papaguear o que por sua vez havia papagueado o seu líder, por muito carismático que este seja, por muito inebriante seja também o diáfano manto da fantasia do poder. O que realmente podemos aferir destas infelizes e inócuas reuniões, é tão só o péssimo serviço que esta gente presta à causa democrática, para além, obviamente, de não entenderem a urgência de uma mudança neste pastoso modus faciendi da política partidária nacional.
Para além disto tudo, ouvindo e acreditando nesta tese da estabilidade, sou levado a concluir que, afinal, o PS e Sócrates votaram em Cavaco Silva. E as razões são óbvias.

Adenda: ouvi também hoje Francisco Assis afirmar que o governo não irá ser um destabilizador político e social. Que eu saiba, Assis não faz parte do Conselho de Ministros.

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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