terça-feira, abril 21, 2009

o navio que não serve

Vi agora uma comissão de trabalhadores do estaleiro de Viana do Castelo a insurgir-se contra a não-aceitação do navio que a empresa projectou para o Governo Regional dos Açores. Ao que parece, e a crer nas palavras dos trabalhadores, o que motivou esta atitude do governo de Carlos César foi o incumprimento de um dos pontos contratualizados, o qual se liga à velocidade de ponta do barco. Ou seja: o navio não consegue atingir os trinta e tal quilómetros por hora. Em vez disso, fica dois ou três quilómetros por hora abaixo do contratualizado. Afirmam eles, justamente indignados e com visível orgulho no trabalho que desenvolveram, que todo o navio foi projectado tendo em conta a especificidade daquele mar e dos portos açorianos. Neste sentido, sublinham a capacidade excepcional de "manobragem" da embarcação. Não quer, pois, saber, Carlos César. Dois ou três quilómetros por hora fazem, na cabeça deste açoriano, uma grande diferença (as viagens entre as ilhas, com este barco, não durariam mais do que vinte minutos). Para estes senhores, a crise é uma palavra vã. Repito: dois ou três quilómetros por hora é a fronteira que separa a devolução (e a introdução de um inevitável regime de escassez financeira na empresa, o que poderá ter consequências desastrosas para a vida dos trabalhadores) dos trinta e tal milhões de euros e a entrega do navio ao Governo Regional dos Açores.
Gostei de ver e ouvir a ufania com que os trabalhadores falaram da embarcação. "É uma maravilha de navio", disseram, repetidamente.

1 comentário:

Anónimo disse...

Olá! O José pode ter razão: 2 ou 3 kms não têm qualuqer significado em termos de duração da viagem. Mas tem muito no que respeita ao cumprimento dos acordos. ESta hitória de arranjar desculpas posteriores (legítimas que sejam)para desculpar falhas no cumprimentos de contratos começa a ser tão vulgar que já ninguém monta umas simples prateleiras sem que o carpinteiro diga depois que as tábuas com o tal tamanho não existem. Isto de arranjar clientes a todo o custo mentindo-lhes não pode ser desculpável.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...