sexta-feira, abril 17, 2009

nacionalismo e patriotismo

Mais do que uma mera divergência resultante do (des)apoio a Durão Barroso para um novo mandato à frente da Comissão Europeia, o que verdadeiramente sobressai desta contradição entre Sócrates e Mário Soares tem a ver, sobretudo, com dois modos distintos de estar na política. Obviamente que outros factores relevantes devem ser considerados, como, por exemplo, a espessura ideológica e cultural de cada um. Para o primeiro, é o pragmatismo que conta; para o segundo, são os princípios. E aqui não podemos deixar de relacionar esta atitude de Sócrates (que ele erradamente apelidou de patriótica, como tão bem demonstrou Soares) com a crise que presentemente atravessamos. Ora, sabendo que todo este momento histórico tem por base uma forte componente funcionalista e liberal, em que praticamente deixou de contar, no concerto das relações internacionais (e também nacionais), princípios éticos e morais, os quais deveriam colocar, acima de qualquer globalização de mercado, o ser humano em toda a sua plenitude social (direitos e deveres), José Sócrates, ao apoiar, assim, Durão Barroso (o tal que renegou o nobre - e patriótico, sem ironia - exercício de chefiar um governo no seu país para ir para Bruxelas tratar da sua vidinha), demonstra que nada aprendeu com o terramoto socio-económico que se verificou nos últimos meses. Para ele, continua, portanto, a contar o pragmatismo, o funcionalismo político, o qual se pode resumir numa das expressões mais célebres que a actual conjuntura produziu: "porreiro, pá!"

(esboço do artigo publicado no jornal A Voz de Trás-os-Montes, em 23/04/2009)

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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