Sabemos que o Partido Comunista Português (PCP) não é propriamente um partido que se deixe levar nas ondas derivantes de um mundo político cada vez mais espumoso. Fica-lhe bem. Para mal, já basta assim. No entanto, o que é demais, por vezes, cansa.
Vem isto a propósito da reação do PCP, pela voz do apático revolucionário Jorge Cordeiro, decorrente da decisão do Tribunal Constitucional (TC) em dar seguimento às candidaturas autárquicas repetentes, embora em territórios diferenciados. Congratulou-se, pois, o partido. De que forma? Com expressões que servem para tudo (para a vitória e para a derrota). Guardo uma: deriva antidemocrática.
É evidente que o PCP tem interesses autárquicos, precisamente pela considerada intervenção dos seus presidentes de câmara. Daí que a possibilidade agora decretada pelo TC abra mais uma janela de oportunidade de o partido alargar a sua influência no domínio camarário.
Eu só gostava de ver a conceção da deriva antidemocrática do partido se, por exemplo, Alberto João Jardim se candidatasse à Presidência da Região Autónoma dos Açores.
sexta-feira, setembro 06, 2013
terça-feira, setembro 03, 2013
novo governo
Remeto-me numa única expressão que o jornalista fez a António José Seguro: novo Governo. Desde quando é que estamos perante um novo Governo? Eu sei que dá jeito a Portas e Passos a fermentação desta ideia. O que acho miseravelmente mau é que os jornalistas estacionem cada vez mais numa encefalia púdica e desenvolvam este tipo de tendência (é defeito, presumo) profissional.
Na verdade, o Governo tem novo visual. Basta somente olharmos para os passeios (sem sentido pejorativo, obviamente) que Maria Luís Albuquerque e Paulo Portas andam a fazer por essa Europa fora. O estilista é valioso e experiente. Afinal, estamos a entrar numa nova estação.
Na verdade, o Governo tem novo visual. Basta somente olharmos para os passeios (sem sentido pejorativo, obviamente) que Maria Luís Albuquerque e Paulo Portas andam a fazer por essa Europa fora. O estilista é valioso e experiente. Afinal, estamos a entrar numa nova estação.
segunda-feira, setembro 02, 2013
debater a constituição
Rui Machete segue a linha passista: a Constituição deve ter em conta o momento do país. Obviamente, não deve. O texto constitucional existe como um pilar fundamental do Estado de Direito e não deve seguir uma linha interpretativa literária. O texto, escrito num outro tempo mas no mesmo espaço, já foi alvo de várias reformulações, as quais obrigam, como deve ser, a uma ampla maioria de dois terços dos deputados eleitos pelo povo português. Daí que a ideia primeira deste atual primeiro-ministro de rever a Constituição tenha sentido. Na verdade, haverá aspetos que não são compagináveis com a nossa sociedade deste início de século. Mas é para estas coisas que a cultura democrática é exigida. E é também para estas coisas que servem os partidos, os deputados e a Assembleia da República.
passos de coelho
Não ouvi a célebre frase de Passos Coelho sobre a suposta culpa do texto constitucional relativamente ao número crescente de desempregados portugueses, na Universidade de Verão do Partido Social Democrata. Porém,
vi, perante um grupo de brigantinos que o vaiavam (queriam trabalhar não tinham
trabalho, segundo entendi), a sua resposta, num registo não-verbal, que foi
equivalente à exposta no encontro entre os jovens do partido, a qual se pode
sintetizar numa só expressão: paciência, é vida!
Passos Coelho não tem respeito pela Constituição da República Portuguesa, isso já sabíamos. O que parece já não o incomodar - se é que algum dia o incomodou - é o número de desempregados resultantes da política de extermínio que leva a cabo desde há dois anos, em nome de uma espécie de regulamento imposto pela Troika.
Cavaco Silva, presidente da República, é o garante da defesa da nossa lei fundamental. Jurou-o por duas vezes, quando a maioria dos portugueses lhe deu essa prerrogativa. Por conseguinte, o mínimo que se lhe exige, perante este ataque à Constituição, é o uso da palavra, tantas vezes prometida nos idos eleitorais da primeira campanha.
Passos Coelho não tem respeito pela Constituição da República Portuguesa, isso já sabíamos. O que parece já não o incomodar - se é que algum dia o incomodou - é o número de desempregados resultantes da política de extermínio que leva a cabo desde há dois anos, em nome de uma espécie de regulamento imposto pela Troika.
Cavaco Silva, presidente da República, é o garante da defesa da nossa lei fundamental. Jurou-o por duas vezes, quando a maioria dos portugueses lhe deu essa prerrogativa. Por conseguinte, o mínimo que se lhe exige, perante este ataque à Constituição, é o uso da palavra, tantas vezes prometida nos idos eleitorais da primeira campanha.
terça-feira, agosto 27, 2013
telejornalisticamente
Ainda a tempo de acrescentar algo ao que aqui escrevi, ontem ou anteontem foi notícia de telejornal o percurso que um grupo e amigos efetuou de bicicleta entre Odivelas e Lisboa, com paragem para umas cervejas no Bairro Alto.
paulo portas, o irrevogável
Este tempo estival atrasa a vida. Só agora tive oportunidade de ver a fotografia oficiosa do nosso Paulo Portas no seu gabinete ovalizado. Sentado, compenetrado, contraído e diminuído, o vice-primeiro-ministro escuta uns papéis que se estendem sobre a sua secretária.
Paulo Portas é, profundamente, um verdadeiro cromo.
Paulo Portas é, profundamente, um verdadeiro cromo.
sábado, agosto 24, 2013
dias de estio
Sabemos que são dias imensamente patéticos os das férias grandes. E talvez assim seja o melhor. O que ficamos também a saber é que se governa mais em agosto, quando todos dormem, como praticamente nos restos dos meses do ano. O governo, ainda a banhos, vai laborando meticulosamente os estragos: em nome das boas notícias que uma estúpida comunicação social televisiva vem escoando, a meta das metas despoleta um tendencioso e perigoso alcance: arrumar o país. Mas como o país não existe sem o humano que o compõe, há que arrumar estes animais que, embora racionais, não têm já pachorra nem forças para aguentar os Portas, os Pedros, os Cavacos, os agora Pires de Lima da nossa Lusitânia pátria.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
coisas
vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...
neste momento...
