sexta-feira, novembro 04, 2011

o abstémio

Nós não somos os gregos, está-se mesmo a ver. Ainda bem, dirão uns, ainda mal, outros. Nós não pertencemos, portanto, àquela zona de confusão sistémica grega. Temos assim dois partidos, muito limpinhos, muito bem comportadinhos, os quais, por obra e graça de nosso senhor e também dos portugueses, se revezam, sofregamente, no poder do Estado. Os dois partidos são mentirosos. É, na verdade, uma das muitas caraterísticas siamesas que os aglomera. Invariavelmente, ganham eleições mentindo aos portugueses. Nesta propósito, Passos Coelho ocupa um lugar invejável no ranking dos primeiros-ministros que faltaram ao prometido. Há sempre a desculpa, oportuna, do desconhecimento das contas herdadas pelo anterior executivo. É esta, no fundo, a base da teoria barrosista do Portugal está de tanga. Neste momento de tormenta, cabe ao PSD governar o país. O PS, por conseguinte, lidera a oposição que outrora foi ocupada, nos mesmos moldes discursivos, pelo PSD. O PS de Seguro discorda profundamente do Orçamento de Estado para 2012 (curioso e obtuso ponto de reflexão de Aguiar Branco: este é um orçamento de estado do Partido Socialista). Vai mais longe do que a Troika; oprime os portugueses; é ultraliberal; é... é.... e é... O líder do PS, que gosta da pose institucional, debita especiais sound bites políticos: este não é o meu orçamento, mas é o meu país e não volto as costas a Portugal. Aplausos? Parece que existem por aí alguns, dentro do próprio PS e também no PSD.
Seguro é incapaz de entender que não tem de se abster quando não concorda, pública, frontal e explicitamente das diretrizes económicas e sociais preconizadas pelo Orçamento de Estado. Como partido corresponsável pela entrada do triunvirato (por onde andas, Portas?...) em território luso, esta abstenção é, sobretudo, um autoatestado de incompetência. Nós somos contra, mas abstemo-nos. Alguém entende esta gente, se excluirmos, como é óbvio, aqueles jogos e joguetes políticos costumeiros? Precisamente esses que têm deixado Portugal numa jangada de pedra?

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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