quinta-feira, agosto 05, 2010

o ministro salamaleque

Já me havia ocorrido sobre o paradeiro do nosso ministro da justiça, teoricamente a braços com o estranhamente inconclusivo caso "Freeport". Ei-lo hoje no Telejornal da RTP1.
Alberto Martins foi, segundo rezam as crónicas, um revolucionário combativo que teve a sorte de estar um dia em Coimbra num certo plenário de estudantes, o qual resultou - granjeando ainda mais a sua fortuna - na prisão efetiva de alguns estudantes esquerdistas (comunistas, como então se simplificava), entre os quais se encontrava o simpático ministro. Viveu longos e justos anos à sombra e à luz dessa sua força juvenil, recusando, de certo modo, o envelhecimento. Mas este acontece e, por vezes, da pior maneira. Principalmente quando se sai de um assento sempre confortável de oposição (democrática) para a responsabilidade de liderar uma das pastas governamentais mais complicadas e carentes de iniciativas reformadoras.
Vendo e ouvindo Alberto Martins no cargo superior de alguém que tutela e se responsabiliza pela justiça portuguesa, é verdadeiramente confrangedor. Sobretudo porque a sua preocupação com o nada, com o vazio, com o inconcreto, com o porte, com o verbo, sobrepõe-se inexorável e definitivamente com os reais problemas que a justiça atravessa. Não existe, por parte do ministro, um rasgo, uma ideia, uma solução. Para ele, vinga, aparentemente, a máxima de que o tempo tudo resolverá. A frase que repetiu na breve entrevista: "o sr. Procurador-Geral tem a confiança institucional do governo da República". É pouco para quem quer respostas e soluções e sobretudo para quem (e são muitos e com preponderância no sistema jurídico), diariamente, não se coíbe de criticar abertamente o regime da justiça portuguesa.

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