domingo, janeiro 24, 2010

os premiados

Vítor Constâncio anda a prestar provas para a vice-presidência do Banco Central Europeu. Durão Barroso prestou-as, também para um emproado lugar nas elites burocratas europeias, há uns anos, na palidez hipócrita da sombra da política. Na base, o mesmo argumento saloio: um português nas altas instâncias europeias. Fico, no entanto, sem entender os critérios que levam estas instituições europeias a determinar quais as pessoas que se encaixam nos seus enquadramentos administrativos e decisórios.
Durão Barroso, enquanto primeiro-ministro, não existiu. Não fora António Guterres, numa impetuosa e mentirosa desculpa que glosava o resultado das eleições autárquicas, e Barroso provavelmente estaria a perorar, conjuntamente com outros seus colegas social-democratas, pelas bancadas parlamentares. Ou talvez optasse (penso que se enquadraria melhor com o seu perfil), à Jorge Coelho, por um dos prováveis convites na administração de uma qualquer empresa portuguesa, de preferência daquelas que têm ligação directa com os negócios do Estado e que, geralmente, movimentam milhões de euros dos contribuintes. Por outro lado, o agora recém-reconduzido Presidente da Comissão Europeia não teve pejo em deixar a presidência do governo português, a liderança do seu partido (deixando-o de tanga, para usar uma sua expressão politicamente vazia, mas tonitruante), para se dedicar em exclusivo ao seu umbigo.
Quanto a Vítor Constâncio, outra das sumidades do regime que, após uma efémera passagem pela política, optou pelo confortável posto de Presidente do Banco de Portugal (cargo que conseguiu por ter sido, precisamente, um candidato derrotado a primeiro-ministro), com base nos seus elevados conhecimentos macroeconómicos, não teve engenho nem arte em antever o descalabro que foi o desenho administrativo do BPN e do BPP e também das engenhosas falcatruas que, durante anos, gravitaram à volta do maior banco privado português. Convém notar que, para um país com a dimensão do nosso, já não é coisa pouca. Mas Constâncio deve andar já farto da exiguidade do meio e, como nestas coisas as cunhas têm o nome de governo da República (Barroso sabe-o bem), anda neste momento a fazer pela vida. Entretanto, nós, pequenos portugueses encalhados entre a Espanha e o Atlântico, lá nos teremos de congratular com mais esta vitória de um patrício. Mais um para a galeria.

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