segunda-feira, agosto 03, 2009

aquisições da pré-época

Não vou agora, nestas linhas curtas e esquecidas, falar de futebol. Mas o discurso pode ser naturalmente enquadrado no âmbito deste desporto. Refiro-me às proclamadas aquisições políticas que se avizinham. Já se sabe que existem presidentes de clubes que ganham eleições com promessas de determinados nomes famosos e prometedores. Futre foi um exemplo precoce, já há alguns anos, no Atlético de Madrid, desse modelo de gestão desportiva.
No quadro do próximo governo da República, que sairá das eleições de Setembro deste ano, foram já aventados alguns nomes, quais pontas de lança num qualquer clube de futebol, por parte de alguns partidos. Nesta perspectiva, o PS, na ânsia legitima de renovar o poder que conquistou há quatro anos e meio (a maioria é uma miragem cada vez mais distante) tem sido o partido mais determinado no assédio a personalidades de assumida notoriedade pública.
Neste sentido, Isabel Alçada, a popular escritora e co-autora da colecção “Uma Aventura” foi já um nome lançado pelo PS para gerir a política educativa do próximo governo. Independentemente de esboçar agora considerações sobre a prática educativa da ainda ministra da educação Lurdes Rodrigues (para quê substituí-la se tem sido tão boa? Ou então, por que razão não foi já demitida?), o que me apraz comentar, neste momento, diz respeito a este tipo de operações cosméticas, nas quaisl são despudoradamente lançados nomes para uma comunicação social ávida de não-acontecimentos, de não-notícias (a silly season afigura-se uma época propícia a este tipo de propaganda) sem o aval dos eventuais interessados. Neste caso concreto, Isabel Alçada afirmou mesmo que “nunca esteve ligada à política activa e que neste momento não faz sentido pensar [noutro tipo de] participação”. Parece por demais evidente que estamos perante uma espécie de nada. É também verdade, todavia, que no futebol também os jogadores interessados começam por negar tudo para depois aparecerem, sorridentes, com juras de abnegação e comprometimento comovedores (em política, o que parece é, dizia Salazar).
Um outro caso diz respeito ao assédio à ex-deputada do Bloco de Esquerda, Joana Amaral Dias. Mas aqui o caso afigura-se com contornos bem mais desviantes. É que não só o Partido Socialista lhe possibilitava ser a número dois pelo círculo de Coimbra, como também lhe oferecia, assim, sem mais nem menos, a presidência do Instituto das Drogas e da Toxicodependência. Ao que parece, Joana Amaral Dias não aceitou ambas as propostas, afirmando que “estes convites só fazem sentido quando são feitos pela tutela”. Sócrates deve, pois, estar já arrependido de ter delegado estes poderes reconciliáveis em Paulo Campos, um obscuro e apagado Secretário de Estado da Obras Públicas.
Não sei se outros partidos enveredarão por este caminho tão espumoso. Quanto ao PSD, alternativa assumida e natural ao PS no governo, o silêncio é a palavra de ordem, que também é uma imagem de marca da sua líder. Penso que faz bem. Para ruído, já basta o que temos.

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