sábado, maio 12, 2012

da oportunidade à tragédia

Passos e Gaspar entraram, aparentemente, em rota de colisão. O que ambos disseram sobre a problemática do desemprego daria, por si só, para a apresentação de um pedido de demissão por parte do ministro das finanças. Tudo por que as declarações de um posicionam-se em contextos extraordinariamente dissonantes das do outro. A não ser que vivamos, politicamente, num regime de completa hipocrisia e falsidade, por parte do executivo. Já aqui escrevi que este Governo é demasiado incompetente para dar resposta às várias crises que, desde 2008, nos têm assolado, vindas não só da Europa e dos Estados Unidos (onde tudo começou), como também originadas internamente, desde há décadas, desde o maná dos dinheiros europeus cavaquistas. E a incompetência do executivo começa, desde logo, pelo chefe do Governo, Passos Coelho, o qual, por estar à hora certa no lugar certo, e também porque em Portugal impera um desgraçado rotativismo que já nos afundara nos finais do século XIX, se viu convidado a formar governo pelo Presidente da República, tendo como visão sacrossanta um livrito escrito meses antes da tomada de posse, onde dava conta de uma visão de um extremado neoliberalismo, em que inclusivamente se desenhava a venda do único banco público.
E aqui entramos neste aparente ponto de desencontro entre os dois governantes. Neste sentido, Gaspar não apresenta o mais que lógico pedido de demissão simplesmente porque não estava a ser sincero, ao contrário de Passos. É que Passos Coelho, tal como Gaspar, acredita mesmo que o desemprego é uma janela de oportunidade, aproximando o desempregado de um frio e opaco número estatístico. Daí que as suas declarações se afigurem naturais à luz da doutrina que defende. No que diz respeito a Vítor Gaspar, bebedor da mesma fonte opípara, deve-se realçar simplesmente a sua construção dissimulada, saída de uma bem construída teia de tecnocracia europeia e competente, precisamente aquela que nos iria a pôr a todos, incautos biltres do funcionalismo público, na ordem.

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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