quarta-feira, janeiro 08, 2014

o panteão de eusébio

É praticamente impossível não gostar de Eusébio. Neste sentido, só alguém muito desavindo com a vida e com Portugal é que não ficou emocionalmente tocado com o seu desaparecimento. Como sempre, as pessoas aderiram à chamada das televisões. O direto funerário foi, de certo modo, uma festa para os media televisivos. De máquina em punho, todos paravam para fotografar o morto, com a família a seu lado. Cá fora, eram entrevistados singular e coletivamente os mais pintados dos cidadãos, fossem eles do tempo do Eusébio ou, pelo contrário, nunca haverem balbuciado, alguma vez, o seu nome. Posto isto, o Panteão Nacional era uma inevitabilidade. Eusébio da Silva Ferreira, moçambicano e português, futebolista de primeira água, cidadão ameno, tesouro de um Portugal passado (e é isso que ainda ninguém desenvolveu: esta nossa pretensão teimosamente saudosista do salazarismo enquanto tempo de pseudo-apaziguamento social) irá repousar eternamente junto dos nossos mais ilustres cidadãos, daqueles que nos ajudaram a definir enquanto povo e nação.
Posto isto, Cristiano Ronaldo, português igualmente reconhecido no seu ramo e ameno cidadão, é o único português vivo que sabe que o seu destino será o Panteão, o nacional.

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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

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