Eu não sabia uma série de coisas e fiquei a saber, com a entrevista encenada que o primeiro-ministro deu a Gomes Ferreira, na SIC. Uma delas é que o país está melhor do que estava antes de 2011. Mas essa até dou de barato. O que realmente me impressionou foi saber que se tivéssemos cumprido o que preconizava o memorando, os portugueses teriam de fazer mais e maiores sacrifícios. Outra notícia diz respeito ao PEC 4: se tivesse singrado, os sacrifícios seriam, igualmente, mais e maiores.
Agora, o que eu já sabia: Passos Coelho não tem decência política. Não vai embora, nem que a vaca tussa, o que quer dizer que Passos Coelho não liga patavina a eleições. Outros já saíram porque perderam eleições autárquicas. O problema é deles, repisou Coelho, seguindo Assunção Esteves. O primeiro-ministro tem um mandato legislativo. E são nas eleições legislativas que responderá. O que existe entremeio, é problemas deles, dos portugueses, claro. Esqueceu-se de dizer, todavia, que O seu mandato legislativo deve-se, sobretudo, a um conjunto de mentiras eleitoralistas, ou melhor, de inverdades, sempre fica mais politicamente correto.
terça-feira, abril 15, 2014
sexta-feira, março 28, 2014
ouvir em silêncio
Artur Jorge, ex-selecionador de futebol, campeão europeu pelo FCP, disse um dia que desligava o som da televisão durante um jogo de futebol para não ouvir as necedades dos comentadores de serviço. Pois anda a passar-se mais ou menos o mesmo comigo. Desligo, prazenteiramente, o som. Depois, é ouvi-los papaguear ondulantemente a bocarra, sorrisos e promessas. Sei que anda por aí o alvor de um mundo melhor, novos amanhãs que cantarão. Sei que Portugal é um país de rosas com alguns espinhos e que estamos a sair da crise. Gosto de desligar o som da televisão e ver, simplesmente, Passos Coelho, Portas, Maduro e Seguro. Por mim, caladinhos é que eles estão bem.
Entretanto, não desligo para as minhas caminhadas diárias, as ruas e os caixotes do lixo, aquele olhar intrínseco e haurido das pessoas. Se os ouvisse, era bem capaz de acreditar.
Entretanto, não desligo para as minhas caminhadas diárias, as ruas e os caixotes do lixo, aquele olhar intrínseco e haurido das pessoas. Se os ouvisse, era bem capaz de acreditar.
dois milhões
Somos dois milhões a menos. O número é redondo e tem a ver com os recentes dados (ainda provisórios) do INE sobre a pobreza. A questão é, pois, muito séria e deixou de ser conjuntural. Estes dois milhões são pobres e sê-lo-ão para toda a vida. Para alguns, a vida está já no seu outono, para outros, no seu início; para outros ainda, com muitos sonhos e aspirações. No entanto, um traço comum os une: o irremediável e impositivo apego à pobreza.
De dois milhões sobram oito milhões. Estes, embora mais pobres, vão dando para encher as estatísticas positivas do Governo: uns carritos ali, uns défices acolá, um retomar de qualquer coisa mais além. No polo oposto, estão os mais ricos, agora ainda mais ricos. Estes também vão ajudando para os famigerados sinais positivos da economia. Portugal está na moda e recomenda-se. Somos um país estupidamente Gold.
Entretanto, somos dois milhões a menos.
De dois milhões sobram oito milhões. Estes, embora mais pobres, vão dando para encher as estatísticas positivas do Governo: uns carritos ali, uns défices acolá, um retomar de qualquer coisa mais além. No polo oposto, estão os mais ricos, agora ainda mais ricos. Estes também vão ajudando para os famigerados sinais positivos da economia. Portugal está na moda e recomenda-se. Somos um país estupidamente Gold.
Entretanto, somos dois milhões a menos.
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
os bancos e os clubes de futebol
Parece-me que os nossos bancos estão cada vez mais parecidos com os clubes de futebol: de ano para ano, vão acumulando milhões de euros de prejuízo. No entanto, o discurso mantém-se galhardamente otimista: as expetativas foram, mesmo em conjuntura macroeconómica negativa, superadas, tudo se encontra de acordo com as previsões, entre outros "diktats" absolutamente sui generis.
O que é certo é que os clubes de futebol têm sobrevivido e até a um bom nível. Quanto aos bancos, há de haver outras explicações e futuras imposições.
O que é certo é que os clubes de futebol têm sobrevivido e até a um bom nível. Quanto aos bancos, há de haver outras explicações e futuras imposições.
quinta-feira, fevereiro 13, 2014
mecenato comercial para comemorar o 25 de abril
Assunção Esteves surpreende pouco, mas, a bem da verdade, ultimamente não tem sido esse a sua posição. Há semanas, inventariou os custos da deslocação de Eusébio para o Panteão Nacional (Eusébio ou qualquer outro, obviamente). Hoje, tomou posição sobre as comemorações dos 40 anos do 25 de abril. Assunção Esteves lançou, então, a ideia de abrir a porta ao mecenato, através da ornamentação de uma chaimite com cravos vermelhos, ao sabor da extraordinária artista plástica, Joana Vasconcelos.
Estou propenso a crer que a Presidente da Assembleia da República tomou à letra as palavras de Passos Coelho, o primeiro-ministro que salvou Portugal da crise, quando este afirmou que agora (finalmente, presumo) estamos a viver de acordo com as nossas possibilidades (as palavras não foram exatamente estas, mas a ideia mantém-se).
O 25 de abril é um momento histórico, todos o sabemos, como o é (como foi?) o 10 de outubro, por exemplo, ou o 1 de dezembro (outro exemplo). As comemorações não são menos dignas se não existirem os demais penduricalhos que, anualmente, revemos. Ou se não houver chaimites enterradas em cravos plastificados. Por mim, basta o povo sair (novamente) à rua.
Estou propenso a crer que a Presidente da Assembleia da República tomou à letra as palavras de Passos Coelho, o primeiro-ministro que salvou Portugal da crise, quando este afirmou que agora (finalmente, presumo) estamos a viver de acordo com as nossas possibilidades (as palavras não foram exatamente estas, mas a ideia mantém-se).
O 25 de abril é um momento histórico, todos o sabemos, como o é (como foi?) o 10 de outubro, por exemplo, ou o 1 de dezembro (outro exemplo). As comemorações não são menos dignas se não existirem os demais penduricalhos que, anualmente, revemos. Ou se não houver chaimites enterradas em cravos plastificados. Por mim, basta o povo sair (novamente) à rua.
terça-feira, janeiro 21, 2014
coadoção pelos jotas
A democracia tem destas coisas. Uma delas são os partidos. Alicerce de qualquer regime democrático, os partidos políticos portugueses vivem ainda no passado. E o passado, neste caso, chama-se juventudes partidárias. Não me quero alongar na razão de ser destas quotas de jovens nos diretivos partidários, os quais fazem com que muitos destes rapazes e raparigas sejam respeitados deputados da nação. Presumo que para se ser democrático, o partido tem de ter a juventude institucionalizada. Destas géneses orientadoras dos partidos políticos saem depois estas ideias extraordinárias. Na última semana tivemos duas: o atraso na escolaridade obrigatória para nove anos e o referendo à coadoção por casais do mesmo sexo. Confesso a minha estranheza anacrónica. Que raio de lembranças esta rapaziada extravasou! Não terão nada mais útil com que se entreter? Não saberão eles que estão, com estes acordares, a determinar o futuro de muitas pessoas?
Ando em fase de propostas. Aqui vai mais uma: para se elaborar projetos de resoluçaõ deste teor, relacionados, determinantemente, com uma consciencialização social, proponho que as mesmas não sejam feitas e/ou apresentadas pelas juventudes partidárias ou pelos deputados que as representam. Assim, já não poderia o partido sénior esconder-se por detrás destas luminárias. E poupava-nos algumas chatices.
Ando em fase de propostas. Aqui vai mais uma: para se elaborar projetos de resoluçaõ deste teor, relacionados, determinantemente, com uma consciencialização social, proponho que as mesmas não sejam feitas e/ou apresentadas pelas juventudes partidárias ou pelos deputados que as representam. Assim, já não poderia o partido sénior esconder-se por detrás destas luminárias. E poupava-nos algumas chatices.
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quinta-feira, janeiro 16, 2014
proposta singela
Humildemente, proponho que o tal dia de não sei quantos de junho (ou será julho ou mesmo maio?) seja solenemente consagrado como feriado nacional. 1640 já lá vai e já não é descanso semanal, o mesmo para 5 de outubro. Resta, então, o mais glorioso dos nossos dias, levado a cabo pelos Nunos Álvares hodiernos, comandados estes pelo mor Portas. Nesse dia, gritaremos todos, nesta finisterra europeia, que escorraçamos a troika, não a pontapé, mas em esperteza. Somos,
assim, o mais interessante povo europeu, o melhor do mundo, diz Gaspar que já
por lá anda a fisgar um qualquer outro plano de resgate financeiro.
Resta-nos homenagear os vivos, nós que nem esse hábito temos. Os vivos, os heróis populares do nosso imaginário, os que buscam, desaprazidos, os caixotes do lixo urbano, os que migalham nas cantinas escolares, os que emigram, os que suicidam (esses não, já estão mortos), os velhos pensionistas que refazem a aritmética derradeira, os precaríssimos e os que, de precários nada têm porque desempregados estão e, finalmente, dentro destes, os 45% que jamais arranjarão um emprego na sua vida.
A esses portugueses, os sacrificados pela pátria, os verdadeiros patriotas, presto aqui a minha homenagem. E não é em nome do governo porque eu não sou ministro.
Resta-nos homenagear os vivos, nós que nem esse hábito temos. Os vivos, os heróis populares do nosso imaginário, os que buscam, desaprazidos, os caixotes do lixo urbano, os que migalham nas cantinas escolares, os que emigram, os que suicidam (esses não, já estão mortos), os velhos pensionistas que refazem a aritmética derradeira, os precaríssimos e os que, de precários nada têm porque desempregados estão e, finalmente, dentro destes, os 45% que jamais arranjarão um emprego na sua vida.
A esses portugueses, os sacrificados pela pátria, os verdadeiros patriotas, presto aqui a minha homenagem. E não é em nome do governo porque eu não sou ministro.
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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...
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