terça-feira, agosto 27, 2013
telejornalisticamente
Ainda a tempo de acrescentar algo ao que aqui escrevi, ontem ou anteontem foi notícia de telejornal o percurso que um grupo e amigos efetuou de bicicleta entre Odivelas e Lisboa, com paragem para umas cervejas no Bairro Alto.
paulo portas, o irrevogável
Este tempo estival atrasa a vida. Só agora tive oportunidade de ver a fotografia oficiosa do nosso Paulo Portas no seu gabinete ovalizado. Sentado, compenetrado, contraído e diminuído, o vice-primeiro-ministro escuta uns papéis que se estendem sobre a sua secretária.
Paulo Portas é, profundamente, um verdadeiro cromo.
Paulo Portas é, profundamente, um verdadeiro cromo.
sábado, agosto 24, 2013
dias de estio
Sabemos que são dias imensamente patéticos os das férias grandes. E talvez assim seja o melhor. O que ficamos também a saber é que se governa mais em agosto, quando todos dormem, como praticamente nos restos dos meses do ano. O governo, ainda a banhos, vai laborando meticulosamente os estragos: em nome das boas notícias que uma estúpida comunicação social televisiva vem escoando, a meta das metas despoleta um tendencioso e perigoso alcance: arrumar o país. Mas como o país não existe sem o humano que o compõe, há que arrumar estes animais que, embora racionais, não têm já pachorra nem forças para aguentar os Portas, os Pedros, os Cavacos, os agora Pires de Lima da nossa Lusitânia pátria.
sexta-feira, julho 26, 2013
novos governos
Desde que o louco D. Sebastião resolveu vingar como mata-mouros real em Alcácer-Quibir, forçados fomos a esperar por alguém saído dum frondoso nevoeiro que nos empurrasse para a abastança. Entretanto, tivemos vários D. Sebastiões. Cavaco, por exemplo, continua a ser, para muitos, um deles. O sr. Borges, outro, agora merecidamente desaparecido. O último parece ser Pires de Lima. E ele parece que gosta do cargo real. Ao contrário da maioria da opinião publicada (começa a cansar ler os jornais), não consigo entrar na onda. Nem simpatizo, nem antipatizo. É, simplesmente, mais um para quem o ser um ex-ministro lhe fará, decerto, muito jeito.
adenda: quanto à introdução em cima do joelho do experimentadíssimo Rui Machete, agora elevado a senador da República, tenho somente a acrescentar o seguinte: quem passou e foi pago por um cargo tão importante como o de presidente do Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a dona do Banco Português de Negócios (BPN), "onde o Estado português injetou a fundo perdido cerca de 4 mil milhões de euros" (Público) não pode exercer quaisquer funções num estado republicano. Não é por acaso que estes senhores eliminam esta experiência nos seus currículos profissionais.
adenda: quanto à introdução em cima do joelho do experimentadíssimo Rui Machete, agora elevado a senador da República, tenho somente a acrescentar o seguinte: quem passou e foi pago por um cargo tão importante como o de presidente do Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a dona do Banco Português de Negócios (BPN), "onde o Estado português injetou a fundo perdido cerca de 4 mil milhões de euros" (Público) não pode exercer quaisquer funções num estado republicano. Não é por acaso que estes senhores eliminam esta experiência nos seus currículos profissionais.
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segunda-feira, julho 22, 2013
os bons exemplos portugueses, segundo cavaco
Cavaco é expectável. E é mais um para o clube dos irrevogáveis. De facto, o que há uma semana implicava eleições antecipadas para junho, depois da saída da troika, para se "iniciar um novo ciclo político", virou agora em nada: o Governo cumprirá a legislatura. Ou seja: eclipsou-se a razão que o Presidente da República tinha dado por indeclinável para a realização de eleições legislativas. A dúvida consistiria, por isso, em saber se as eleições antecipadas por Cavaco há oito dias seriam ainda mais antecipadas, isto é, se convocaria eleições já para setembro.
Mas Cavaco Silva é Cavaco Silva. A sua arrumadinha cabeça está já planando no justo descanso do guerreiro, com mais um dever cumprido, mais um alto serviço prestado à pátria e, já agora, a ele próprio. Engana-se redondamente se pensa que depende dele a convocação de eleições. Em democracia ninguém governa contra o povo. E o povo português, por costume hodierno demasiado apático, pode começar a não achar piada a esta baixa política.
Cavaco Silva, na sua alocução ao país, não resistiu em confrontar exemplos de outros países europeus. Salientou mesmo que "75% dos países de média dimensão, como Portugal, são governados com base em entendimentos políticos". É verdade. Mas também é verdade que não existe nenhum país cujo Governo se mantenha em funções com a demissão dos dois exclusivos ministros de Estado.
Mas Cavaco Silva é Cavaco Silva. A sua arrumadinha cabeça está já planando no justo descanso do guerreiro, com mais um dever cumprido, mais um alto serviço prestado à pátria e, já agora, a ele próprio. Engana-se redondamente se pensa que depende dele a convocação de eleições. Em democracia ninguém governa contra o povo. E o povo português, por costume hodierno demasiado apático, pode começar a não achar piada a esta baixa política.
Cavaco Silva, na sua alocução ao país, não resistiu em confrontar exemplos de outros países europeus. Salientou mesmo que "75% dos países de média dimensão, como Portugal, são governados com base em entendimentos políticos". É verdade. Mas também é verdade que não existe nenhum país cujo Governo se mantenha em funções com a demissão dos dois exclusivos ministros de Estado.
domingo, julho 21, 2013
crise e salvação ou salvação e crise
Sabemos que o acordo não vingou. Sabemos que se iniciou de imediato o habitual passa-culpas. Sabemos que o comentário político continuou na venal senda que o tem caraterizado (haja pelo menos alguém que passe ao lado da crise!...). Afinal, o que não sabemos? De facto, parece não existir nada que não saibamos. As teorias são diversas e têm contribuído, de certo modo, para o deslindar da situação presente. Da história económica à política, passando pela social e das mentalidades, anotando costumes e conjeturas personalísticas, tudo tem sido repassado nos jornais, televisões e rádios.
A democracia é também sinónimo de pactos, sejam eles partidários ou sociais. Daí que a proposta do presidente tivesse sido considerada uma mais-valia para o arranjo político-partidário que fomentaria uma verdadeira salvação nacional. Se tivermos em conta os quarenta anos da nossa democracia, por exemplo, não podemos deixar de considerar válida esta asserção. Ainda há dois anos, com a assinatura do famoso memorando, se criou um pacto entre a troika portuguesa e a troika estrangeira e antes se havia criado, embora não escrito, um outro pacto entre a direita e a esquerda mais esquerdista no sentido de não-aceitação do PEC 4, com o consequente derrube do Governo, derrube esse que conduziria, como se hoje claramente se sabe, à intervenção estrangeira, sob a forma de resgaste (sabemos também que tudo seria diferente, mais próximo da situação de Espanha ou Itália, que não foram miseravelmente intervencionadas, se não houvesse tido lugar essa convergência de interesses partidários, poupando-nos também à mais mentirosa campanha eleitoral da história democrática portuguesa por parte do partido vencedor). Acontece que, inteiramente por culpa da incompetência e de algum deslumbramento do Governo, ocasionada pelas magnânimas influências de Vítor Gaspar e de António Borges na tenebricosa cabecinha de Passos Coelho, o que foi acordo tripartido deixava paulatinamente de o ser, quando o PS e Seguro eram remetidos para a parte do problema e nunca para a que configurava a solução. O próprio CDS, parceiro in limine do PSD, foi muitas vezes empurrado para esse lado da contenda, atestada com a perlocutória paciência de Paulo Portas. Assim, foi o PSD quem se demarcou daquilo que era um acordo de regime (ou de salvação nacional) ao ir mais além do que a troika delineava (é o nosso programa de Governo, queremos ir mais além do que a troika, diziam, então embasbacados).
Depois de incontáveis meses de uma governança presidencial abnóxia, eis que surge Cavaco Silva, à sua boa maneira, travestido de o garante de um certo equilíbrio mental da nação, visto que a Constituição, esse documento ao qual jurou fidelidade e tantas vezes chamado à contenda, há muito que deixou de ser lido à letra. Mas Cavaco equivocou-se, mais uma vez, na sua leitura dos sinais, principalmente aquele que, por ora, mais contava: o reconhecimento da sua própria imagem política enquanto presidente da República capaz de congregar forças advindas. Façamos a leitura doutra maneira: tivéssemos nós um sólido Presidente da República e, naturalmente, esta sua salvífica aspiração jamais deixaria de ser ouvida e executada. Como sabemos, ficou só pela audição e levada a cabo por mero exercício de cálculo político-partidário.
E agora? É a pergunta que todo o povo ainda não divorciado destes atores políticos coloca. Agora, senhor Presidente, só mesmo eleições antecipadas para setembro. E basta uma razão: em vez de salvação nacional, o melhor é mesmo uma catarse nacional. E esta só acontecerá com eleições antecipadas. Ao contrário do que Passos Coelho afirma, eleições não são sinónimo de incerteza. Na verdade, qualquer forma de eleição, nesta quadratura social, configura antes uma sinonímia mais próxima da certeza: a certeza de que é ao povo que compete decidir qual o caminho a seguir. O resto são meras interpretações. E destas temo-las aos montes.
A democracia é também sinónimo de pactos, sejam eles partidários ou sociais. Daí que a proposta do presidente tivesse sido considerada uma mais-valia para o arranjo político-partidário que fomentaria uma verdadeira salvação nacional. Se tivermos em conta os quarenta anos da nossa democracia, por exemplo, não podemos deixar de considerar válida esta asserção. Ainda há dois anos, com a assinatura do famoso memorando, se criou um pacto entre a troika portuguesa e a troika estrangeira e antes se havia criado, embora não escrito, um outro pacto entre a direita e a esquerda mais esquerdista no sentido de não-aceitação do PEC 4, com o consequente derrube do Governo, derrube esse que conduziria, como se hoje claramente se sabe, à intervenção estrangeira, sob a forma de resgaste (sabemos também que tudo seria diferente, mais próximo da situação de Espanha ou Itália, que não foram miseravelmente intervencionadas, se não houvesse tido lugar essa convergência de interesses partidários, poupando-nos também à mais mentirosa campanha eleitoral da história democrática portuguesa por parte do partido vencedor). Acontece que, inteiramente por culpa da incompetência e de algum deslumbramento do Governo, ocasionada pelas magnânimas influências de Vítor Gaspar e de António Borges na tenebricosa cabecinha de Passos Coelho, o que foi acordo tripartido deixava paulatinamente de o ser, quando o PS e Seguro eram remetidos para a parte do problema e nunca para a que configurava a solução. O próprio CDS, parceiro in limine do PSD, foi muitas vezes empurrado para esse lado da contenda, atestada com a perlocutória paciência de Paulo Portas. Assim, foi o PSD quem se demarcou daquilo que era um acordo de regime (ou de salvação nacional) ao ir mais além do que a troika delineava (é o nosso programa de Governo, queremos ir mais além do que a troika, diziam, então embasbacados).
Depois de incontáveis meses de uma governança presidencial abnóxia, eis que surge Cavaco Silva, à sua boa maneira, travestido de o garante de um certo equilíbrio mental da nação, visto que a Constituição, esse documento ao qual jurou fidelidade e tantas vezes chamado à contenda, há muito que deixou de ser lido à letra. Mas Cavaco equivocou-se, mais uma vez, na sua leitura dos sinais, principalmente aquele que, por ora, mais contava: o reconhecimento da sua própria imagem política enquanto presidente da República capaz de congregar forças advindas. Façamos a leitura doutra maneira: tivéssemos nós um sólido Presidente da República e, naturalmente, esta sua salvífica aspiração jamais deixaria de ser ouvida e executada. Como sabemos, ficou só pela audição e levada a cabo por mero exercício de cálculo político-partidário.
E agora? É a pergunta que todo o povo ainda não divorciado destes atores políticos coloca. Agora, senhor Presidente, só mesmo eleições antecipadas para setembro. E basta uma razão: em vez de salvação nacional, o melhor é mesmo uma catarse nacional. E esta só acontecerá com eleições antecipadas. Ao contrário do que Passos Coelho afirma, eleições não são sinónimo de incerteza. Na verdade, qualquer forma de eleição, nesta quadratura social, configura antes uma sinonímia mais próxima da certeza: a certeza de que é ao povo que compete decidir qual o caminho a seguir. O resto são meras interpretações. E destas temo-las aos montes.
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sábado, julho 20, 2013
não há salvação
Salvação foi o vocábulo mais ouvido nos últimos oito dias. Culpa do Presidente da República. Como os jornais, em geral, adoram alimentar folhetins (definitivamente não entendo o que fazem os repórteres das televisões e rádios à porta dos lugares aonde se irá realizar uma reunião, quando, invariavelmente - e com pré-aviso -, a resposta é um não vou dizer nada até ao fim das negociações), há que, simplesmente, lamentavelmente, inventar. E foi de invenções atrás de invenções que nos alimentaram esta semana. Mas eis que hoje, solenemente, pela voz de Seguro, surge a notícia, a não-invenção, portanto: não há acordo.
De imediato, iniciou-se outra narrativa ficcionada, outra invenção: o Governo irá até ao fim da legislatura e o Presidente irá aceitar a remodelação proposta por Passos Coelho, depois do ex-irrevogável Portas se ter demitido. Ninguém sequer pensou que a proposta de um acordo de salvação nacional por parte de Cavaco surge precisamente quando essa remodelação é apresentada, não tendo sequer o Presidente se referido a ela. Por outro lado, Cavaco Silva foi claríssimo ao alinhavar um novo ciclo eleitoral depois do abandono da Troika do nosso país. Mas nada disso conta para esta gente: importa inventar, inventar, emergir com novas narrativas. Estamos em crise.
De imediato, iniciou-se outra narrativa ficcionada, outra invenção: o Governo irá até ao fim da legislatura e o Presidente irá aceitar a remodelação proposta por Passos Coelho, depois do ex-irrevogável Portas se ter demitido. Ninguém sequer pensou que a proposta de um acordo de salvação nacional por parte de Cavaco surge precisamente quando essa remodelação é apresentada, não tendo sequer o Presidente se referido a ela. Por outro lado, Cavaco Silva foi claríssimo ao alinhavar um novo ciclo eleitoral depois do abandono da Troika do nosso país. Mas nada disso conta para esta gente: importa inventar, inventar, emergir com novas narrativas. Estamos em crise.
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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...
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