domingo, maio 25, 2014

europeias eleições

Depois de variadíssimas penosas campanhas eleitorais, os discursos despontaram na noite das eleições. E o que foi penoso nesses quinze dias, mais tortuoso se revelou na noite dos aplausos. Tudo previsível, sem chama, sem alma. Até o próprio Marinho Pinto, neste sentido, surpreendeu. Estou em crer que apanhou um dos maiores sustos da sua vida com esta maçada de ter de ir para Bruxelas, apesar de não ser político (ouviu-o afirmar este "cavaquisto" dogma), nem se identificar como um vitorioso.
Tudo, pois, no maior dos mundos atmosféricos: as derrotas podem ser aumentativas e as vitórias podem, similarmente, serem diminuídas. E depois há os empates, os quais são também ganhadores. Isto se compararmos com há quatro anos, ou há seis, ou há dez. Somos, realmente, sui generis. O povo e os políticos, pois estes parte do povo não são.

segunda-feira, maio 05, 2014

barroso...cavaco... passos... portas...

Um fala como presidente da República; outra divaga como presidente da República. Tudo em nome da recente fronteira patriótica que foi sumptuosamente ultrapassada, qual Adamastor, e que tem por nome "saída limpa". Graças a ela, ficamos a saber que o verdadeiro documento de estratégia orçamental que costuma ser o Orçamento de Estado foi, com igual sumptuosidade, vencido pelo esbranquiçado DEO. Por conseguinte, as campanhas eleitorais arrancaram com força.
Barroso, o sempre aritmético presidente da Comissão Europeia, anseia por uma menosprezada votação do seu PSD. Os seus doutos avisos surgirão assim por alguém que rasgará os nevoeiros bruxelenses para salvar, ou, pelo menos, guiar a saudosa pátria lusitana. Sem ele no altar do comissariado europeu, Portugal não sairia, com quase toda a certeza, limpo.
Por outro lado, Cavaco Silva, em campanha há vinte e tal anos, vai avisando eu bem avisei. Sem ele, lá no assento etéreo de Belém, Portugal não vingaria, dado praticamente certo, com a limpeza de uma saída.
Passos Coelho não sabe ainda muito bem o que fez, para além do que não fez. Foi corajoso. E a sua coragem, abnegação e sentido de Estado fizeram com que Portugal retomasse a glória passada. Os socialistas não podem, por isso, voltar ao poder. Votar neles é um regresso ao passado, ao endividamento, aos gastos... É, portanto, deitar por água abaixo o laborioso rigor dos orçamentos da Troika.
Sobra, assim, Paulo Portas. Simplesmente, o pretérito ministro da defesa e atual e irrevogavelmente vice-primeiro-ministro anda por aí, retomando frases feitas e não feitas, inventadas agora e amanhã. Sem ele, Portugal não sairia do atoleiro no qual o PS meteu o país e que o PSD, teimosamente, se afundava ainda mais. Sem ele, não existiria saída limpa. Disso podem ter a certeza.
E esta é a tubular e singela narrativa política para os próximos dois anos.

terça-feira, abril 15, 2014

entrevista de passos coelho, primeiro-ministro: o que eu não sabia

Eu não sabia uma série de coisas e fiquei a saber, com a entrevista encenada que o primeiro-ministro deu a Gomes Ferreira, na SIC. Uma delas é que o país está melhor do que estava antes de 2011. Mas essa até dou de barato. O que realmente me impressionou foi saber que se tivéssemos cumprido o que preconizava o memorando, os portugueses teriam de fazer mais e maiores sacrifícios. Outra notícia diz respeito ao PEC 4: se tivesse singrado, os sacrifícios seriam, igualmente, mais e maiores.
Agora, o que eu já sabia: Passos Coelho não tem decência política. Não vai embora, nem que a vaca tussa, o que quer dizer que Passos Coelho não liga patavina a eleições. Outros já saíram porque perderam eleições autárquicas. O problema é deles, repisou Coelho, seguindo Assunção Esteves. O primeiro-ministro tem um mandato legislativo. E são nas eleições legislativas que responderá. O que existe entremeio, é problemas deles, dos portugueses, claro. Esqueceu-se de dizer, todavia, que O seu mandato legislativo deve-se, sobretudo, a um conjunto de mentiras eleitoralistas, ou melhor, de inverdades, sempre fica mais politicamente correto.

sexta-feira, março 28, 2014

ouvir em silêncio

Artur Jorge, ex-selecionador de futebol, campeão europeu pelo FCP, disse um dia que desligava o som da televisão durante um jogo de futebol para não ouvir as necedades dos comentadores de serviço. Pois anda a passar-se mais ou menos o mesmo comigo. Desligo, prazenteiramente, o som. Depois, é ouvi-los papaguear ondulantemente a bocarra, sorrisos e promessas. Sei que anda por aí o alvor de um mundo melhor, novos amanhãs que cantarão. Sei que Portugal é um país de rosas com alguns espinhos e que estamos a sair da crise. Gosto de desligar o som da televisão e ver, simplesmente, Passos Coelho, Portas, Maduro e Seguro. Por mim, caladinhos é que eles estão bem.
Entretanto, não desligo para as minhas caminhadas diárias, as ruas e os caixotes do lixo, aquele olhar intrínseco e haurido das pessoas. Se os ouvisse, era bem capaz de acreditar.

dois milhões

Somos dois milhões a menos. O número é redondo e tem a ver com os recentes dados (ainda provisórios) do INE sobre a pobreza. A questão é, pois, muito séria e deixou de ser conjuntural. Estes dois milhões são pobres e sê-lo-ão para toda a vida. Para alguns, a vida está já no seu outono, para outros, no seu início; para outros ainda, com muitos sonhos e aspirações. No entanto, um traço comum os une: o irremediável e impositivo apego à pobreza.
De dois milhões sobram oito milhões. Estes, embora mais pobres, vão dando para encher as estatísticas positivas do Governo: uns carritos ali, uns défices acolá, um retomar de qualquer coisa mais além. No polo oposto, estão os mais ricos, agora ainda mais ricos. Estes também vão ajudando para os famigerados sinais positivos da economia. Portugal está na moda e recomenda-se. Somos um país estupidamente Gold.
Entretanto, somos dois milhões a menos.

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

os bancos e os clubes de futebol

Parece-me que os nossos bancos estão cada vez mais parecidos com os clubes de futebol: de ano para ano, vão acumulando milhões de euros de prejuízo. No entanto, o discurso mantém-se galhardamente otimista: as expetativas foram, mesmo em conjuntura macroeconómica negativa, superadas, tudo se encontra de acordo com as previsões, entre outros "diktats" absolutamente sui generis.
O que é certo é que os clubes de futebol têm sobrevivido e até a um bom nível. Quanto aos bancos, há de haver outras explicações e futuras imposições.

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

mecenato comercial para comemorar o 25 de abril

Assunção Esteves surpreende pouco, mas, a bem da verdade, ultimamente não tem sido esse a sua posição. Há semanas, inventariou os custos da deslocação de Eusébio para o Panteão Nacional (Eusébio ou qualquer outro, obviamente). Hoje, tomou posição sobre as comemorações dos 40 anos do 25 de abril. Assunção Esteves lançou, então, a ideia de abrir a porta ao mecenato, através da ornamentação de uma chaimite com cravos vermelhos, ao sabor da extraordinária artista plástica, Joana Vasconcelos.
Estou propenso a crer que a Presidente da Assembleia da República tomou à letra as palavras de Passos Coelho, o primeiro-ministro que salvou Portugal da crise, quando este afirmou que agora (finalmente, presumo) estamos a viver de acordo com as nossas possibilidades (as palavras não foram exatamente estas, mas a ideia mantém-se).
O 25 de abril é um momento histórico, todos o sabemos, como o é (como foi?) o 10 de outubro, por exemplo, ou o 1 de dezembro (outro exemplo). As comemorações não são menos dignas se não existirem os demais penduricalhos que, anualmente, revemos. Ou se não houver chaimites enterradas em cravos plastificados. Por mim, basta o povo sair (novamente) à rua.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...


neste momento...