sábado, abril 27, 2013

O consenso mal-amado (e mal amanhado)


Poiares Maduro bem apelou ao consenso (doze vezes mencionado o nome) na sua primeira – e extraordinária! – conferência de imprensa enquanto governante. Podemos dizer que o Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional contribui, prazenteiramente, para uma espécie de configuração ecoadora dentro do executivo liderado por Gaspar e Coelho. Ao ponto de ter convidado todos os partidos com assento parlamentar para, juntos, equacionarem um determinado ponto de equilíbrio decorrente das propostas apresentadas pelas diversas partes. Em princípio, não tenho nada contra. Acontece que, nesta altura do campeonato, com todas as linhas de intervenção já definidas – e passando estas em exclusividade obsessiva pela austeridade continuada – este hipotético ajuntamento não é mais do que a prefiguração de um fogo-fátuo, abnóxio.
Ora, esta mudança radical de política, a qual passa por uma propensão tendenciosa para o diálogo governativo, teria de ser, percetivelmente, conjeturada – iniciada – por outros atores políticos. E estes, em democracia, só se alcançam através das eleições.

os swaps e o governo

Se a atitude do Governo, perante os bancos que recusaram renegociar os contratos "swaps" com empresas públicas foi de força - posição essa que contribui para a novel imagem do executivo -, por que razão não existe uma tomada de atitude idêntica relativamente aos empréstimos com a Troika? É que, como fundamento argumentativo, tudo parece muito idêntico (como o é, de igual modo, com as PPP): um contrato financeiro que se revela catastrófico para uma das partes. Quando assim acontece, tem de haver capacidade de flexibilização de ambos os lados. Quem empresta não tem obrigatoriamente de ter uma posição cimeira numa relação contratual.

quinta-feira, abril 25, 2013

bandeira inglesa

Tenho notado, ingloriamente, que muitos jovens andam vestidos com um motivo especial que é a bandeira inglesa. Presumo que isso se deva a uns rapazes que cantam e tocam num grupo pop inglês. A questão não é, no entanto, de gosto musical. É bem mais ampla e educativa: o que representa o símbolo da bandeira da República Portuguesa para os adolescentes? Veríamos, por acaso, os adolescentes ingleses ou americanos ou franceses ou espanhóis assim maciçamente trajados? Estou propenso a crer que não. Não será isso indicatório de desacertos sociais potencialmente perniciosos para a construção de uma cultura cívica plena?

os sacrifícios

Quem me manda ser de compreensão lenta!...
Só agora começo a entender que os denodados sacrifícios do povo português de que fala a maioria (Cavaco incluído) dizem também respeito ao inevitável e irregressível caminho para o desemprego. Depois, num qualquer dia de sol (ou de nevoeiro, somos mais propendidos a este, afinal), surgirão gráficos com setinhas ascendentes. E aí Portugal renascerá de novo, graças aos sacrifícios inelutáveis dos portugueses.
Grande povo! Grandes eleitos.
(E a propósito de eleitos - e de povo, também - comprazo-me em transcrever José Gomes Ferreira: "E foi para esta farsa/que se fez a revolução de abril, capitães...?).

quarta-feira, abril 24, 2013

a mudança

Dizem os muitos comentadores que o Governo entendeu, finalmente, que a receita passa, inexoravelmente, pelo crescimento, através de apostas como a que o ministro Álvaro apresentou hoje (descida do IRC, CGD como banco impulsionador da economia, etc.). Passará, com certeza. Mas o que se verificou  com esta aparente alteração de rumo é mais uma razão a favor daqueles que, como eu, acham inacreditável a continuação em funções deste Governo da República. Formatado para seguir uma linha de inanidade austera, parece-me notório que o caminho de empreendedorismo económico terá de ser feito por outros.

adenda: um banco de fomento, direcionado para as empresas, sairá, ao que parece, das malhas estatais. O BPN, vendido por 40 milhões de euros, não seria ajustado par esse efeito?

terça-feira, abril 23, 2013

a culpa é do constitucional, ou da constituição, tanto faz

Ouvi hoje pela enésima vez um membro do Governo culpabilizar o Tribunal Constitucional pelas já decididas agravações no âmbito da despesa pública. Coube, desta vez, ao extraordinário ministro Nuno Crato transmiti-lo, via televisão pública. Repito o que qualquer pessoa de juízo já percebeu. O Governo elaborou um orçamento que continha normas inconstitucionais. Qual destas nove palavras é que esta gente ainda não percebeu?

operação swap

Este tipo de financiamento de risco com nome tangido de agrupamento policial de intervenção só é verdadeiramente possível porque existe ainda em Portugal uma efetiva cultura de desprezo pelo dinheiro público. Depois dizem que no privado é diferente. E é, de facto. O que se afigura verdadeiramente extraordinário é como consegue esta gente empregos destes, bem remuneradinhos.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...


neste momento...