sexta-feira, setembro 05, 2014

o ministério dos diretores escolares

Vivem-se uns dias normalizados no reino da educação. Setembro iniciou-se e, com ele, os professores protestam, os encarregados de educação agonizam, os funcionários não docentes titubeiam, os computadores e respetivas luminárias que fazem e desfazem o haurido concurso de professores empancam... Tudo, portanto, muito parecido com o que se passou em setembro do precedente ano. E há dois anos a coisa foi também assim, mais ou menos.
Tudo isto desagua inexoravelmente num ciclotímico qualificativo: incompetência. Se, conseguintemente, a quisermos nominalizar (a incompetência), não é difícil: Nuno Crato. Não tenhamos dúvidas: a educação está pior hoje do que estava há três anos: menos professores, megagrupamentos, turmas mais numerosas, carga horária disciplinar mal concebida, irregularidades várias, indignidades profissionais (por exemplo, obrigarem os professores contratados a abandonar a escola depois da última reunião do ano), cortes nas áreas sociais, etc.
Com efeito, a absoluta e comprovadíssima incompetência de Nuno Crato é muito interessante e com muito potencial crítico. No entanto, não devemos tubular o nosso ponto de vista. Adrede, uma questão se impõe, inevitável e acrimoniosa, no meio de tudo isto: onde param os diretores das escolas? Amocham para, junto aos seus subordinados (professores, leia-se), andarem com palmadinhas nas costas e afirmarem que isto está cada vez pior, que a autonomia é uma treta, que o ministério não deixa fazer isto e aquilo, que exige mais isto, que não entende o que é uma escola...? Já alguém viu uma tomada de posição por parte da associação dos diretores? Afinal, gostam ou não gostam? Concordam ou não concordam? Será que ainda ninguém percebeu que a verdadeira mudança de rumo na educação só se pode dar com atitudes de rutura por parte de quem tem maiores responsabilidades administrativas? São ou não são, afinal, os diretores representantes diretos do ministério da educação nas escolas?

quinta-feira, setembro 04, 2014

o governo empancado

Para gáudio dos profetas das desgraças lusitanas, existem irrevogáveis citius do Governo que teimam em, sistematicamente, empancar. Dou dois exemplos recentes: os programas informáticos do ministério da educação e da justiça.
Na verdade, não se entende como é que é possível fazer, relativamente ao panorama concursal dos professores, pior de ano para ano. A culpa, obviamente, é sempre do sistema informático. De fora fica a incompetência.
Quanto à apelidada reforma judiciária, confesso que ainda não a entendi. Vejo simplesmente, na televisão, esbaforidos funcionários, de caixotes literalmente às costas, os quais presumo que contenham milhares de processos. De seguida, compreendo duas ou três coisas: encerram tribunais onde dizem que não há necessidade de existirem; os funcionários têm de se mudar para instalações provisórias para, dentro de um ano ou dois, voltarem a carguejar outros caixotes em direção aos mapas judiciários definitivos; não consigo vislumbrar, para além da extraordinária ministra, alguém satisfeito; e, finalmente, o inexorável empancamento do portal CITIUS.
Portugal é um país cansado. Se existe, de facto, um aspeto no qual o Governo atingiu os seus propósitos, diz precisamente respeito ao nível anímico dos portugueses. Este encontra-se, lamentavelmente, pelas ruas da amargura. Não fora isso e esta equipa de Passos Coelho já tinha ido pregar para outros citius.

terça-feira, agosto 26, 2014

a competência dos futebóis nacionais

Segui a conferência de imprensa do presidente. Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, uma das entidades que tem o privilégio de ter todos os canais noticiosos em cima, ao mesmo tempo. O tema era o mundial visto por uma peneira mediática. Ora, uma das palavras que mais saiu do cocuruto do senhor presidente foi competência. "Não fomos competentes", afirmava, repetida e irrevogavelmente, Fernando Gomes. Por conseguinte, há que meter mãos à obra para que novos mundos surjam. Começamos por mudar onde os outros foram melhores do que nós, ou seja, dentro do futebol jogado? Nada disso. Cria-se uma coordenação qualquer, mais uma unidade de saúde e performance (seja lá o que isso for) e rolará de novo a bola, para gáudio das bandeirinhas penduradas nas varandas nacionais.
Segui, como disse, a conferência de imprensa. E vi também uma classe jornalística indesejavelmente amorfa e absolutamente inócua. Sinais dos tempos que correm.

quarta-feira, agosto 13, 2014

educação: o ministério do caos controlado

Maria de Lurdes Rodrigues teve, num belo dia, uma ideia genial: colocar nas paredes do Ministério da Educação o retrato de todos os ministros que o tutelaram. Este exemplo, exposto assim aqui com traços assumidamente caricaturais, é revelador da feição recidiva de praticamente todas as personagens que se encontram penduradas nas ditas paredes.
Sejamos francos: será assim tão difícil pôr o edifício educativo do Governo da República a funcionar? Não, não é. Ou melhor: é se todo o espaço natural e desejavelmente de diálogo se metamorfosear num lugar de desconstrução, filaucioso e conflituoso. E é isso, infelizmente, que tem sido o Ministério da Educação. Ao ponto de coisas tão simples como um calendário concursal de professores e respetivos procedimentos não serem, aprioristicamente, divulgados. Ou então, supinamente, eleger uma prova de avaliação de competências como o facho que norteará o filosofema educativo em Portugal, deixando comodamente de fora, nesta anagnórise, as dezenas de milhares de professores do quadro. Falando, de novo, a sério: se perguntarmos a um professor como será a sua vida profissional para o próximo ano letivo, a resposta mais vista será um absoluto e sintomático não sei, vamos ver o que aí vem.
O Ministério da Educação revela uma das características mais comummente consideradas em relação aos portugueses que é a improvisação, popularmente apelidado de desenrascanço. É, sem dúvida, este qualificativo (que até nem é de todo destituído, se falarmos do ponto de vista individual) o mais amplificado pelas diversas equipas que nos têm educativamente governado, com particular semblante para o atual inquilino do edifício da 5 de outubro, de seu nome Nuno Crato. Logo ele, que tinha um não sei quê de sedicioso, inconformado, o tal que queria implodir muita coisa. Nuno Crato é, porventura, o mais extraordinário falhanço na educação em Portugal dos últimos tempos. Bastaria uma palavra para o justificar: arrogância.

domingo, agosto 10, 2014

solução bes

Como afirmei aqui, é bom não entendermos patavina da alta economia e da alta finança. Por vezes, há que ouvir os olhares dos outros, perspetivas diferenciadas de ramos opostos do saber. Dei por mim a pensar, a propósito da trapalhada (penso que este qualificativo só não se aplica - lá está! - aos abluídos economistas comentadores da nossa praça, decorrente do cintilante fanal advindo do mais empreendedor gabinete da Comissão Europeia) da divisão do BES em mau e bom, ficando este a cargo de um Fundo de Resolução que terá injeções dos quatro bancos da nossa praça, impulsionado pelos contribuintes portugueses. A questão que coloco é, assim, simples: por que razão não se dividiu banco BES em quatro, bom e mau e se dividiu o mal pelas aldeias, como se faz, por exemplo, com certas partilhas testamentárias. Até se podia, na mesma, deixar o BES mau para a família, mas entregava-se, equitativamente, o bom aos outros bancos. Simples, não é? Talvez demasiado simples ara certas mentes mais elaboradas.

sexta-feira, agosto 08, 2014

a solução bes

Na verdade, a política é importante de mais para se deixar exclusivamente aos políticos, tal como a economia tem sido inexorável e exageradamente ampliada para estar somente a cargo dos economistas, os quais abundam como cogumelos no outono. Deste modo, diferentes olhares são sempre bem vindos e úteis. São, pelo menos, perspetivas e isso já pode constituir uma espécie de alavancagem, termo apropriado nestas andanças.
Temos vindo a usufruir de unárias narrativas neste avonde caso bes/novo banco: o bom e o mau da fita, a solução milagrosa para os contribuintes, a ausência de risco sistémico, reestruturação, etc. No entanto, há, no meio de tudo isto, um não sei quê de irreal, uma conferência de Berlim de 1884/85 ajustada à paróquia financeira portuguesa: tudo gizado a régua e esquadro, ficas tu com isto que eu fico com aquilo, como se não houvesse mais nada envolvido. Depois logo se vê e o que se há de ver é a irremediável culpa dos bandidos, os quais sabemos, desde o princípio, muito bem quem são, pois só podem ser estes e mais nenhuns.
É, portanto, assim, que o caso bes/novo banco tem sido tratado. Não me venham com as diferenças relativamente ao bpn. Não sei, sinceramente, se no final irá haver grandes diferenças. A começar, desde logo, pelos despedimentos, esses colaterais danos do sistema. Pensando bem, se considerarmos os dez mil trabalhadores do BES, irá ser bem pior. Mas quem é que realmente se interessa por isso?

segunda-feira, agosto 04, 2014

o bes, o bom e o mau, o lobo e o cordeirinho

É bom não perceber da elaboradíssima economia, dessa que tem inundado, telejornalística e diariamente, as estações de televisão. Apesar disso, há algo nessa história do banco mau e do banco bom (e que também é novo de nome) que não consigo engolir.
Por que razão existem estas sub-reptícias tendências nacionalizadoras. É que os 4900 mil milhões de euros serão depositados no fundo de resolução pelo Estado, que receberá, é certo, posteriormente, esse valor acrescido dos respetivos juros. Ora, este processo não deixa de ser uma nacionalização. E não vinha mal ao mundo se o senhor Carlos Costa, estafadíssimo, tivesse pronunciado a palavra nacionalização, ainda que fosse seguida, qualificativamente, de provisória.
Pessoalmente, não acredito na solução encontrada. Vejamos o que os mercados mandam. Não deixaria de ser interessante se o banco mau, gerido não sei por quem, tivesse melhores compradores do que o bom, administrado pelo inestimável Vítor Bento, que fica com o bife do lombo, como diria Jerónimo de Sousa. Vamos, então, esperar pelos mercados, lá para depois da silly season.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...


neste momento...