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sábado, fevereiro 16, 2008

falcatrua

Ouço o antigo ministro do turismo e ouço o representante do Casino Lisboa mais visível nesta contenda (Assis Ferreira) e uma palavra me atordoa a cabeça: falcatrua. Esta palavra, de origem decerto popular, não implica necessariamente um significado que comporte uma ilegalidade declarada. Um sujeito falcatrueiro é um chico-esperto. Dois sujeitos falcatrueiros são dois chicos-espertos.
O que se passou com o negócio do Casino Lisboa, em que foi aceite pelo extraordinário governo presidido por Santana Lopes a reversão do espaço para a Estoril-Sol no fim da concessão do jogo, não é mais do que a prova de como o poder se sobreleva na cabeça de pessoas que objectivamente não estão preparadas para desempenhar decentemente cargos da importância que Telmo Correia exercia quando assinou esta alteração ao artigo 27 da Lei do Jogo (esse governo, aceite por Jorge Sampaio após a fuga de Barroso para a Comissão Europeia, foi, de facto, uma autêntica fábrica de dislates políticos, os quais se têm vindo a descobrir de forma completamente desaustinada).
A começar, desde logo, pela carta que a Estoril-Sol enviou a Telmo Correia, afirmando que a mudança da lei seria uma "mudança cirúrgica (...) totalmente imperceptível [e] insusceptível de ser interpretada como relacionável com a clarificação da situação." Com esta singular construção frásica, ou Mário Assis Ferreira queria dar a volta à cabecinha deslumbrada de Telmo Correia, ou então os negócios do jogo fazem-se mesmo assim, com intervenções cirúrgicas insusceptíveis de serem interpretadas.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

telmo correia assina 300 despachos na sua última madrugada

Uma pergunta impõe-se: o que faz um ministro do Turismo assinar, nas últimas horas ministeriáveis, cerca de 300 despachos, entre os quais um que regulamenta que o Casino de Lisboa passe para as mãos da Estoril Sol no fim da concessão do jogo, contrariando uma primeira versão que anunciava o contrário, isto é, o retorno do edifício do Casino para as mãos do Estado? Esta discussão levanta novamente a dicotomia entre a lei e a ética: o que legal não é muitas vezes ético e o que é ético pode não ser muitas vezes legal. Por isso, já que estes senhores (ou por desprezo da coisa pública, ou mesmo por inocência) não se revelam capazes de superar uma eventual alarvice signatária de última hora, deve ser regulamentado o que um ministro deve ou não fazer nas últimas horas do seu mandato. Sei que por uns pagam os outros (sempre assim foi), mas começamos todos a estar fartos destes truquezinhos de palmatória, em que tudo se resume a uma boa retórica.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...


neste momento...