Um juiz entrega o telemóvel de serviço por lhe ter sido reduzido o plafond de chamadas. A comunicação social deleita-se e o juiz aparece como uma espécie de virtuoso contestatário. A mensagem que ele simbolicamente deixa no gravador de chamadas é sintomática dessa introspeção protestatória. É um dos homens mais poderosos do país, dizem os jornais televisivos sem a mínima emergência da sombra do ridículo. Os seguranças que estão incumbidos de o proteger têm um plafond superior ao do juiz, acrescentam esses mesmos jornalistas, agora com o rarefeito ar trocista da ocasião artificialmente fabricada.
Este sinal dado pelo magistrado Carlos Alexandre é, ao contrário da verborreia dos jornais, sintomático da aura apologética da classe profissional. O que se passou foi um mero episódio, com alguma piada, só isso. Há muita mais vida (muitas mais desgraças sociais e profissionais) para além do telemóvel do juiz.
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