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domingo, novembro 09, 2008
a reacção de sócrates e maria de lurdes à manifestação de professores
Houvesse outra oposição, ou melhor, estivesse o PSD mais bem posicionado nas sondagens e Lurdes Rodrigues estaria já despedida deste governo socialista. Com efeito, as reacções de ambos os governantes à manifestação de professores são impensáveis num governo com um mínimo de cultura democrática. Como é possível que justifiquem este extraordinário movimento contestatário de uma classe profissional (4 em cada cinco professores aderiu à manifestação...) de "lamentável oportunismo dos partidos políticos" (Sócrates) e de que tudo não passou de uma "forma de pressionar a ministra da Educação porque é ano de eleições" e que "perante ameaças e chantagens deste tipo, a minha reacção é de uma total tranquilidade e de um sorriso" (Lurdes Rodrigues)?!... Alguém com bom senso e de boa fé acredita que, com esta adesão em massa dos professores, o processo avaliativo em curso nas escolas é, de facto, o melhor para garantir "a qualidade do sistema de ensino, que permita distinguir aqueles que são os melhores professores" (Lurdes Rodrigues)? Na verdade, o que para muitos era, de certa forma, o resultado de um programa político bem pensado para o sistema educativo português, transformou-se agora numa simples obsessão por parte da ministra e dos seus secretários de estado. Neste sentido, basta olharmos para as declarações de Maria de Lurdes Rodrigues, quando afirma, por exemplo, num apaziguamento de alma desconcertante, que "estão criadas condições institucionais e legais para que se concretize a avaliação" e que "não tem sentido para mim falar de outro modelo de avaliação" e ainda que "suspender [o processo de avaliação] significa desistir e eu não desisto”, para facilmente aferirmos que o que está aqui em causa será mais facilmente intuído dentro de uma perspectiva psicológica.
quinta-feira, novembro 06, 2008
a manifestação de professores
No próximo sábado, vamos voltar a ver professores dos diversos ciclos de ensino - educadores de infância incluídos - empunharem, orgulhosa a dinamicamente, gritos de revolta contra a ministra, o ministro, os secretários de estado e tudo o mais que se mexa no Ministério da Educação. Vai ser, estou certo, uma - a segunda - mega-manifestação desta classe profissional. Aparecerão também os costumeiros sindicalistas envergonhados, convertidos e declarados. Tudo em nome dum ensino mais digno. Sábado à noite, depois de um dia bem passado nas ruas de Lisboa, já completamente desopilados de semanas de frustrações pedagógicas, os professores e educadores regressam às suas casinhas. Alguns sentar-se-ão, ainda nessa mesma noite, à sombra de um candeeiro a corrigir testes ou a preparar aulas. Outros descansarão, simplesmente. Mas o que se revela efectivamente certo é que na segunda feira de manhã, grande parte destes professores estarão nas suas escolas a negociar o processo de avaliação com o conselho executivo, ao mesmo tempo que, ainda com alguma exaltação da véspera, pronunciarão umas concludentes e orgulhosas palavras de ordem contra a ministra, o ministro e tudo o que se mexa no ministério da educação...
terça-feira, março 11, 2008
artigo de emidio rangel no correio da manha
Vale a pena ler o artigo de opinião que Emídio Rangel elaborou (a custo, nota-se), na edição de sábado do Correio da Manhã (8-3-2008), a respeito da manifestação dos professores.
E vale a pena não por que Emídio Rangel diga alguma coisa de jeito (exercício de paciência), mas antes por que o artigo serve de paradigma a respeito do debate que se desenvolve na nossa sociedade a respeito desta reivindicação sectorial.
O que o ex-director da TSF faz não é mais do que um exercício de controlo de emoções. Na verdade, não se vislumbra um único ponto em que a racionalidade argumentativa prevaleça mediante o insulto fácil e brejeiro. É com este sentido aclarado que considera os professores de "travestidos de operários da Lisnave" e Maria de Lurdes Rodrigues como uma "ministra sábia, tranquila, dialogante, que fala com uma clareza tal que só os inúmeros boatos, a manipulação e a leitura distorcida do que propõe podem beliscar o que de boa-fé pretende para Portugal."
E por aí adiante. Uma verdadeira peça de jornalismo num estilo porventura um tanto dementado, mas que é, ainda, capaz de alguns esgares humorísticos (ou será que não era para rir?!...).
E vale a pena não por que Emídio Rangel diga alguma coisa de jeito (exercício de paciência), mas antes por que o artigo serve de paradigma a respeito do debate que se desenvolve na nossa sociedade a respeito desta reivindicação sectorial.
O que o ex-director da TSF faz não é mais do que um exercício de controlo de emoções. Na verdade, não se vislumbra um único ponto em que a racionalidade argumentativa prevaleça mediante o insulto fácil e brejeiro. É com este sentido aclarado que considera os professores de "travestidos de operários da Lisnave" e Maria de Lurdes Rodrigues como uma "ministra sábia, tranquila, dialogante, que fala com uma clareza tal que só os inúmeros boatos, a manipulação e a leitura distorcida do que propõe podem beliscar o que de boa-fé pretende para Portugal."
E por aí adiante. Uma verdadeira peça de jornalismo num estilo porventura um tanto dementado, mas que é, ainda, capaz de alguns esgares humorísticos (ou será que não era para rir?!...).
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domingo, março 09, 2008
os argumentos da ministra
São extraordinários os argumentos aventados pela Ministra da Educação para justificar a sua suposta operacionalidade no ministério. Afirmar que o elevado número de professores na manifestação "não é relevante", ou que "desistir tem sido a prática comum ao menor protesto, à menor insatisfação" e que "o país não tem escolha", revela um perfil desapropriado, incoerente com o que se pretende de um ministro com uma pasta tão sensível como a da educação. Na verdade, Maria de Lurdes Rodrigues, com estas afirmações, não revela absolutamente nada, isto é, não desenha alternativas para os pontos mais críticos da avaliação dos professores. Mas também não é só a avaliação que está em causa - convém nunca esquecer este dado -, pois a manifestação foi o culminar de uma insatisfação que começou a emergir quando, burocraticamente, esta equipa se lembrou de dividir artificial e injustamente os professores, com a invenção forçada dos professores titulares.
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vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...
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