No mesmo dia em que o sr. Vítor Gaspar, ministro das Finanças, declarava a sua total errância no que às contas públicas diz respeito, Durão Barroso, que jurou um dia cumprir o seu mandato que o povo lhe outorgou, mas que à primeira oportunidade egoísta rumou para Bruxelas, afirmava, lá no Olimpo europeu, que Portugal estava no bom caminho e que a última avaliação da Troika tinha sido um sucesso.
É triste o ponto a que chegamos, estarmos assim entregues a esta gente. Adormecemos, candidamente, com o peso do desastre em cima de nós. Fatalmente, uma coisa chamada sociedade vai-se degradando, olhamos uns para os outros e vemos olhos tristes. Lá em cima, nos lugares de mando, todos vão cumprindo o programa.
Para isso, não era preciso tanta coisa, tanto aparato e tantas troikas.
segunda-feira, março 18, 2013
domingo, março 10, 2013
seguro: o cravo e a ferradura
O que será que passou pela cabeça de António José Seguro ao afirmar que o último prefácio de Cavaco Silva, nos seus Roteiros, foi uma clara mensagem ao Governo: "Há uma clara mensagem dirigida ao Governo: se houver instabilidade e uma crise política em Portugal, a responsabilidade não é do senhor Presidente da República. Isso quer dizer que será do governo", afirmou, interpretativo, o líder do PS. Quando o país necessita de um PS claramente oposicionista e defensor do que foi o consulado Sócrates, mesmo admitindo os erros e as "loucuras" de alguns incompetentes ministros, Seguro assume-se um verdadeiro nim. A questão que Seguro deveria colocar, após o prefácio de Cavaco Silva, seria, simplesmente, esta: entre Sócrates e Passos, quem foi, afinal, melhor? Só mesmo para algumas cabeças feitas de enchidos comunicacionais (quem diz que o Governo não comunica bem?), a resposta calha na segunda opção.
Quero esclarecer o seguinte: eu fui muito crítico de José Sócrates e de muitos dos seus ministros, a começar pela inenarrável Lurdes Rodrigues, no espetáculo da educação, passando pelo Lino e Pinho, etc. Mas o que está a aconteceer neste momento ao país revela-se demasiado confrangedor e grave para ser aceitável. O que temos desde há um ano é um Governo que nunca o foi, um departamento incapaz de agir, incompetente e desconhecedor da realidade do país, ou melhor, das pessoas.
Quero esclarecer o seguinte: eu fui muito crítico de José Sócrates e de muitos dos seus ministros, a começar pela inenarrável Lurdes Rodrigues, no espetáculo da educação, passando pelo Lino e Pinho, etc. Mas o que está a aconteceer neste momento ao país revela-se demasiado confrangedor e grave para ser aceitável. O que temos desde há um ano é um Governo que nunca o foi, um departamento incapaz de agir, incompetente e desconhecedor da realidade do país, ou melhor, das pessoas.
descomunicando
o tempo foi passando... Os dias, as semanas e os meses estiveram sempre carregados com um dedo acusador de incapacidade de comunicação. O ministro Relvas, aquele naturalmente incumbido de fazer a ponte entre o Governo e a Assembleia e, decorrentemente, o povo, afundava-se de dia para dia, semana após semana, na sua própria incompetência, a qual, mais uma vez decorrentemente, espelha a incapacidade orgânica do Governo. Marcelo, sem muito para ficcionar (o outro, o Marques Mendes, cada vez mais parecido com o títere "grande nóia", prefere o caminho preditivo, que já lhe valeu uma transferência para outra equipa), repetia-se, semana após semana, a seguir ao telejornal da TVI: não há quem explique nada no Governo, não pode ser. E tinha razão, afinal: a Troika dixit. Tudo vai agora ser agora diferente. Os gabinetes de comunicação do primeiro-ministro e ministro das finanças serão, decerto, catalisados para novos empreendimentos comunicacionais. A propaganda vem aí. Ficaremos todos mais satisfeitos.
quinta-feira, março 07, 2013
os borges
Estes iletrados sociais retomam sempre a litania da redução de salários, para que o país possa dar o salto. O sr. Borges andou um tempo ausente. Mas bastou hoje uma agência de rating carimbar Portugal com uma subidita (estabilizou, dizem) para este consultor vir logo dar sinal de vida e de - ele sim - prosperidade. "Ninguém quer um país pobre", afirmou Borges, acrescentando que "o ideal era que os salários descessem como aconteceu noutros países como solução imediata para resolver o problema do desemprego". Ele não sabe, não quer saber, que, dos países da zona euro, é Portugal que tem o menor salário mínimo. Ele também não sabe nem quer saber que 20% da população vive no limiar da pobreza. Ele também não sabe e não quer saber que é a segurança social que impede que esses 20% não se transformem em 40%. Ele também não sabe e não quer saber que há muitos trabalhadores em Portugal que estão na pobreza. O sr. Boreges, vetusto consultor do Governo, aparecerá sempre quando o Mercado quiser.
quarta-feira, março 06, 2013
a saída de daniel oliveira
Pareceu-me expectável, a partir de certa altura que não sei precisar (um ano a esta parte?) a saída de Daniel Oliveira do Bloco. Na verdade, a roupagem de comentador político investido de liberdade opinativa não se adequava a uma militância política, naturalmente ativa. A renúncia de Francisco Louçã trocou-lhe as voltas (ele gostaria de ter tomado esta atitude com Louçã a liderar o partido, para melhor apontar o dedo acusador). Como não foi possível, justificou-se desta maneira um pouco aturdida, numa declaração de cinco páginas, sem direito a resposta, como convém (está tudo nas cinco páginas que escrevi, terá dito aos jornalistas).
Não há, pois, crise. Pelo menos, esta não virá por aqui. O Bloco perde um opaco militante, mas o comentário político ganha um eficaz protagonista. O défice, aqui, é positivo.
Não há, pois, crise. Pelo menos, esta não virá por aqui. O Bloco perde um opaco militante, mas o comentário político ganha um eficaz protagonista. O défice, aqui, é positivo.
cavaco, o inerte
Ouvi agora o delicado Cavaco Silva - merecedor, aliás, de uma interrupção em direto do debate parlamentar (um tédio...) -, numa visita a uma fábrica de cereais, afirmar que tem uma experiência que mais ninguém tem, pois foi primeiro-ministro durante dez anos e vai a caminho dos dez enquanto Presidente da República e que - last but not least - conhece profundamente a realidade do país (como ninguém, presumo). Porém, à primeira pergunta incómoda, a qual teve a ver com a eventual maturação para quinze anos do empréstimo obrigacionista da troika, reorientou de imediato o norte discursivo para salientar que é o Governo que tem os dados todos e é ele (Governo) que responde perante o país.
Eu sei, eu sei que é assim... Do ponto de vista constitucional - o único que conta, afinal - o Governo não tem de responder perante o Presidente da República e só tem de merecer o apoio do povo, isto é do Parlamento. Ora, é precisamente neste ponto que um Presidente da República deve justificar a sua existência política, isto é, ter a capacidade de ler os sinais desse mesmo povo que ele - mais do que qualquer outro, representa (gosta ou não gosta de se intitular uma espécie de provedor do povo?). E Cavaco é um redondo falhanço enquanto Presidente porque é demasiado apático e pouco influído politicamente. E logo ele que sabe, "por experiência própria", que quanot mais um Presidente da República aparecer em público, menor é a sua capacidade de influência nos decisores políticos. Mas onde é que vai buscar estas ideias?
Eu sei, eu sei que é assim... Do ponto de vista constitucional - o único que conta, afinal - o Governo não tem de responder perante o Presidente da República e só tem de merecer o apoio do povo, isto é do Parlamento. Ora, é precisamente neste ponto que um Presidente da República deve justificar a sua existência política, isto é, ter a capacidade de ler os sinais desse mesmo povo que ele - mais do que qualquer outro, representa (gosta ou não gosta de se intitular uma espécie de provedor do povo?). E Cavaco é um redondo falhanço enquanto Presidente porque é demasiado apático e pouco influído politicamente. E logo ele que sabe, "por experiência própria", que quanot mais um Presidente da República aparecer em público, menor é a sua capacidade de influência nos decisores políticos. Mas onde é que vai buscar estas ideias?
a não demissão
Uma pergunta me tem ecoado semana sim, semana não desde há uns meses: por que razão este Governo não apresenta a demissão ao Presidente da República? Neste momento, não existe absolutamente nenhum pressuposto governativo inicial, visto que todos eles não têm, atualmente, ajustamento programático. Deste modo, este é um Governo que não tem já legitimidade democrática, nem sequer eleitoral. A partir do momento em que praticamente todas as diretrizes eleitorais são arrastadas para o limbo fantasmático da politiquice, o Governo deixa de ter plausibilidade governativa. O que fazem os governantes? Nada. Sem rumo, arrastam-se ao sabor das lunáticas ideias do senhor Gaspar.
Vivemos um indubitável tempo de mudança. Vários protagonistas políticos deixarão de o ser. E isso é bom.
Vivemos um indubitável tempo de mudança. Vários protagonistas políticos deixarão de o ser. E isso é bom.
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