Pareceu-me expectável, a partir de certa altura que não sei precisar (um ano a esta parte?) a saída de Daniel Oliveira do Bloco. Na verdade, a roupagem de comentador político investido de liberdade opinativa não se adequava a uma militância política, naturalmente ativa. A renúncia de Francisco Louçã trocou-lhe as voltas (ele gostaria de ter tomado esta atitude com Louçã a liderar o partido, para melhor apontar o dedo acusador). Como não foi possível, justificou-se desta maneira um pouco aturdida, numa declaração de cinco páginas, sem direito a resposta, como convém (está tudo nas cinco páginas que escrevi, terá dito aos jornalistas).
Não há, pois, crise. Pelo menos, esta não virá por aqui. O Bloco perde um opaco militante, mas o comentário político ganha um eficaz protagonista. O défice, aqui, é positivo.
quarta-feira, março 06, 2013
cavaco, o inerte
Ouvi agora o delicado Cavaco Silva - merecedor, aliás, de uma interrupção em direto do debate parlamentar (um tédio...) -, numa visita a uma fábrica de cereais, afirmar que tem uma experiência que mais ninguém tem, pois foi primeiro-ministro durante dez anos e vai a caminho dos dez enquanto Presidente da República e que - last but not least - conhece profundamente a realidade do país (como ninguém, presumo). Porém, à primeira pergunta incómoda, a qual teve a ver com a eventual maturação para quinze anos do empréstimo obrigacionista da troika, reorientou de imediato o norte discursivo para salientar que é o Governo que tem os dados todos e é ele (Governo) que responde perante o país.
Eu sei, eu sei que é assim... Do ponto de vista constitucional - o único que conta, afinal - o Governo não tem de responder perante o Presidente da República e só tem de merecer o apoio do povo, isto é do Parlamento. Ora, é precisamente neste ponto que um Presidente da República deve justificar a sua existência política, isto é, ter a capacidade de ler os sinais desse mesmo povo que ele - mais do que qualquer outro, representa (gosta ou não gosta de se intitular uma espécie de provedor do povo?). E Cavaco é um redondo falhanço enquanto Presidente porque é demasiado apático e pouco influído politicamente. E logo ele que sabe, "por experiência própria", que quanot mais um Presidente da República aparecer em público, menor é a sua capacidade de influência nos decisores políticos. Mas onde é que vai buscar estas ideias?
Eu sei, eu sei que é assim... Do ponto de vista constitucional - o único que conta, afinal - o Governo não tem de responder perante o Presidente da República e só tem de merecer o apoio do povo, isto é do Parlamento. Ora, é precisamente neste ponto que um Presidente da República deve justificar a sua existência política, isto é, ter a capacidade de ler os sinais desse mesmo povo que ele - mais do que qualquer outro, representa (gosta ou não gosta de se intitular uma espécie de provedor do povo?). E Cavaco é um redondo falhanço enquanto Presidente porque é demasiado apático e pouco influído politicamente. E logo ele que sabe, "por experiência própria", que quanot mais um Presidente da República aparecer em público, menor é a sua capacidade de influência nos decisores políticos. Mas onde é que vai buscar estas ideias?
a não demissão
Uma pergunta me tem ecoado semana sim, semana não desde há uns meses: por que razão este Governo não apresenta a demissão ao Presidente da República? Neste momento, não existe absolutamente nenhum pressuposto governativo inicial, visto que todos eles não têm, atualmente, ajustamento programático. Deste modo, este é um Governo que não tem já legitimidade democrática, nem sequer eleitoral. A partir do momento em que praticamente todas as diretrizes eleitorais são arrastadas para o limbo fantasmático da politiquice, o Governo deixa de ter plausibilidade governativa. O que fazem os governantes? Nada. Sem rumo, arrastam-se ao sabor das lunáticas ideias do senhor Gaspar.
Vivemos um indubitável tempo de mudança. Vários protagonistas políticos deixarão de o ser. E isso é bom.
Vivemos um indubitável tempo de mudança. Vários protagonistas políticos deixarão de o ser. E isso é bom.
quinta-feira, dezembro 06, 2012
colégios gps
Vi só agora a excelente reportagem da TVI sobre o extraordinário grupo empresarial GPS, que possui, no seu longo braço tentacular, vinte e quatro colégios financiados pelo Estado português. É um acabado exemplo de como a política, no seu paradigma do centrão (leia-se: PS e PSD) passa por ser a mais inglória das atividades, quando deveria ser precisamente o contrário. Há, se dúvida, uma série de gente a comer à sombra do Orçamento, aqui oportunamenente ortografado com maiúscula.
o último sopro de oscar niemeyer
Morreu o arquiteto oscar Niemeyer, com quase 105 anos. Não vou falar de arquitetura porque não sei. Quero somente deixar aqui um retalho - uma frase, apenas - de uma entrevista concedida há cerca de dez anos a um jornalista português. Dizia então Niemeyer que a vida é para ser vivida a rir, chorando... não interessa. A vida passa rápido, a vida é um sopro.
Vem isto a propósito destas doidas teorias económicas que vigoram neste conturbado tempo a partir da Alemanha e zelosamente respeitadas pelo incauto governo português. Quantos sopros esta gente já aniquilou? Quantos amanhãs deixaram de cantar? Em nome do quê? De um futuro? De um porvir qualquer? Que eu saiba, são os gatos que têm sete vidas.
Vem isto a propósito destas doidas teorias económicas que vigoram neste conturbado tempo a partir da Alemanha e zelosamente respeitadas pelo incauto governo português. Quantos sopros esta gente já aniquilou? Quantos amanhãs deixaram de cantar? Em nome do quê? De um futuro? De um porvir qualquer? Que eu saiba, são os gatos que têm sete vidas.
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quarta-feira, dezembro 05, 2012
contra a iniciativa privada
Os chineses revelam-se uns verdadeiros privatizadores. Querem agora o que resta do Estado português (4%). Na verdade, é peso a mais de um Estado para uma empresa de capitais... públicos.
os jovenzitos psd
Uma coisa afigura-se praticamente certa: um dia, um destes jovenzitos social-democratas será líder do partido e, possivelmente, primeiro-ministro. Afrontar Mário Soares parece ser uma obrigatoriedade na senda desta gente. Há uns anos largos, também Passos Coelho se referiu ao ex-presidente da República em modos similares, anotando que Soares se encontrava (aos setenta e poucos anos) fora do prazo de validade.
Assim se fazem os líderes deste país nestes tempos.
Assim se fazem os líderes deste país nestes tempos.
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