sexta-feira, outubro 12, 2012

o cardeal

José Policarpo referiu magnificamente hoje que não é com manifestações que se resolve a crise. Do mesmo modo, anotou que estas desvirtuam o preceito constitucional.
Gosto de ouvir estas vozes, sapientes nas suas análises. Fico enternecido com a preocupação de sua eminência reverendíssima com a nossa lei fundamental. Só não entendo a ensurdecedora ausência desta mesma análise constitucionalista quando o Governo se lembrou de eliminar os dois subsídios aos trabalhadores da função pública. Que eu saiba, em democracia, continua a ser o povo quem mais ordena. E o povo, normalmente, anda na rua.

não votem psd, segundo marques mendes

Ao que o PSD chegou!... Marques Mendes, nos Açores, apelou ao voto de Berta Cabral e não no PSD. Não liguem à cor política, defendeu o ex-líder. Porém, depois rematou com esta coisa extraordinária: imaginem o candidato do PS negociar, segunda-feira, com Vítor Gaspar. Em resposta, Berta Cabral, ameaçou que segunda-feira encostará o todo poderoso ministro das finanças à parede, exigindo a retoma dos princípios fiscais. Que confusão!...

domingo, outubro 07, 2012

o gaspar

Com muito atraso, não posso deixar aqui de anotar, na estranhíssima conferência de imprensa da equipa das finanças, no abusivo uso da palavra liberdade proferida, por duas ou três vezes, pelo sr. Gaspar, Ministro das Finanças da República. Dizia então o ministro que temos de prosseguir este caminho da liberdade (não sei ao certo as palavras, mas o sentido seguia, categoricamente, este rumo).
Eu não consegui entender o sentido de liberdade de Gaspar. Sei, simplesmente, que quanto maior as pessoas se sentem em exclusão social, mais esse direito se encontra num processo de coartação. Todavia, não estou claramente certo que exclusão social seja uma das preocupações de Gaspar e companhia.

o morde e foge

É certo que só os mais distraídos poderiam esperar alguma coisa de António José Seguro. Verdadeiro Passos Coelho do PS, lembro-me, há uns dez anos, ouvi-lo afirmar que estava já cansado da extenuante vida política. Estaria na altura Seguro a desempenhar cabalmente o fatigante trabalho de deputado europeu. Lembro-me também de ler, em resposta a esta imbecilidade, um adelgaçado artigo de opinião de Baptista-Bastos no, se não me engano, Diário de Notícias.
Todavia, Seguro é líder do PS, apesar de ter disputado as eleições internas com um militante que apontava caminhos diferenciados e que, a meu ver, era o que melhor respondia a este longo e difícil caminho. Por esta escolha, inteiramente da responsabilidade dos militantes do PS (que não souberam aferir, por exemplo, as qualidades do homem quando iniciou a sua campanha eleitoral no próprio velório do Governo de Sócrates, à porta do elevador do hotel onde se realizava a declaração de vencido do seu partido), se pode ver que também estes não se podem desresponsabilizar do estado a que isto chegou. É que pior do que uma nulidade a gerir os destinos do país, é haver outra nulidade como alternativa...
A orientação de António José Seguro, enquanto líder do maior partido da oposição, tem sido marcada, inelutável e resumidamente, através de uma marca de pura covardia política. Explicando melhor: Seguro não quer ser Governo neste momento; prefere, simplesmente, que o poder lhe caia nas mãos como, aliás, caiu a Passos e, antes dele, a outros. De preferência (condição essencial, presumo) depois desta coisa aborrecida chamada troika ter saído de vez do país e este andar outra vez, cantando e sorrindo, nas ondas do irregular mercado financeiro. Daí que fuja a sete pés das moções de censura apresentadas pelos partidos à sua esquerda (extrema-esquerda, dizem, o que me confunde porque fico sem saber o que é a esquerda neste momento em Portugal), quando passa a vida a apontar - e bem - o descalabro desta coligação. Arranja depois estes joguinhos de baixa política, quando se lembrou (por aqui podemos ver a disposição estratégica dos seus colaboradores, não ficando estes a dever nada aos de Passos Coelho, como se não tivessem todos sido tirados das mesmas sacolas das juventudes partidárias) de apresentar uma proposta de redução de deputados na Assembleia da República. Obviamente que, com esta extraordinária jogada, o que este não menos extraordinário think tank socialista pretende é criar desregulações na coligação. Não seria, pois, necessário. A coligação está já moribunda e não tem pernas para aguentar. O que estes joguinhos farão é criar uma espécie de intervalo (não aconselhável) daquilo que realmente interessa: nós. E nós somos o país.

sexta-feira, outubro 05, 2012

5 de outubro

Foi o último 5 de outubro em que se comemora sendo feriado. O primeiro-ministro faltou com um néscio pretexto de estar numa insignificante cimeira em Bratislava. António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, discursou bem, mas foi covarde quando não deu oportunidade ao povo de se manifestar. O 5 de outubro tem um paralelo com o 25 de abril. Ambas as revoluções são populares. O povo não merece este tipo de desfeitas. Do mesmo modo, revela-se repugnante a eliminação deste feriado. Grandes poupanças!...
O melhor do 5 de outubro de 2012 foi uma rapariga que cantou Fernando Lopes Graça, com letra de João José Cochofel. Mereceu os aplausos finais:




Firmeza

Sem frases de desânimo,
Nem complicações de alma,
Que o teu corpo agora fale,
Presente e seguro do que vale.
Pedra em que a vida se alicerça,
Argamassa e nervo,
Pega-lhe como um senhor
E nunca como um servo.

Não seja o travor das lágrimas
Capaz de embargar-te a voz;
Que a boca a sorrir não mate
Nos lábios o brado de combate.

Olha que a vida nos acena
Para além da luta.
Canta os sonhos com que esperas,
Que o espelho da vida nos escuta.

terça-feira, outubro 02, 2012

pc e bloco

Aparentemente, PCP e Bloco de Esquerda lançaram-se numa coordenação de esforços, ao anunciarem ambos uma apresentação de uma moção de censura ao Governo. Nada mais óbvio, este trilhamento das mesmas veredas do combate político. Penso até que tanto um como o outro, se quiserem contar para alguma coisa num pressuposto mais determinantemente operativo, terão de alinhavar estratégias pré ou pós eleitorais. Por isso não entendo a divergência após aparente convergência. É que tanto o Bloco como o PCP afirmaram já que terão de refletir primeiro sobre o caráter expositivo da moção de cada partido, para assim delinearam o seu sentido de voto. Podiam-nos poupar a estes números e simplesmente convergirem. São estes manobrismos políticos que deitam tudo a perder. Tipo Seguro.

segunda-feira, outubro 01, 2012

o absoluto paradoxo

Ficamos há poucas semanas a saber que, segundo Passos Coelho, 2013 será o ano da retoma, de viragem da crise económica e social. Do mesmo modo, fontes governativas asseveram que a taxa do desemprego para o próximo ano continuará nos 16%. E confesso que não entendo. Afinal, neste desequilibrado guião governativo, o que significará a palavra retoma? O afundamento das pessoas para níveis subcivilizacionais? Um acréscimo tímido nas exportações e o seu correspondente importativo? O que eu temo - e contrario aqui o título deste post - é que não haja nestes pressupostos qualquer sinal paradoxal. O que realmente interessa, para os gabinetes, são estas coisas, assim tristemente, numericamente escalonadas.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...