sexta-feira, setembro 21, 2012
a manifestação e o país
Vejo na televisão um aglomerado de pessoas junto ao Palácio de Belém, onde decorre um extraordinário Conselho de Estado. Mário Soares abandonou a sala há umas horas. Presumo que, mais uma vez, foi uma voz dissonante dentro dos conselheiros, eventualmente irritado com os dois professorais plasmas que o ministro Gaspar usou na sua deprecante explicação. Independentemente de tudo, o momento é histórico. Cai por terra uma série de verdades feitas por pessoas que, de uma maneira geral, estão bem com a vida, isto é, têm a sua existência montada em bons ordenados. Uma delas tem a ver com a serenidade do povo português. Na verdade, o povo é sereno, mas não é burro. Pelo menos, até certo ponto. No entanto, há um ponto que paira vincadamente nesta estratosfera política: a de que os governantes não conhecem o país. Hoje espreitei várias vezes a televisão vi, amiudadamente, sorrisos na face de Passos Coelho e Gaspar. Nos dias que correm, os ministros deveriam auto decretar a proibição do sorriso.
conselho de coordenação da coligação
Que ideia mais estapafúrdia esta a de criar um conselho de Coordenação da Coligação. O que irá fazer? Imiscuir-se nos assuntos do Governo? Falar, antes das reuniões do Conselho de ministros, com cada um dos seus membros para alinhavar posições? Então o Relvas? Já não coordena? Esta gente gosta de se arvorar com minudências deste tipo. É, sem dúvida, o governo dos megaministérios e das minúsculas comissões. Tantos especialistas!
Adenda: vi a Comissão Política do PSD juntar-se na sede do partido. Todos, invariavelmente, com bons carros, de topo de gama, como convém. O secretário-geral do partido, ao lado do motorista. Vive-se bem, apesar de serem os políticos mal pagos.
Adenda: vi a Comissão Política do PSD juntar-se na sede do partido. Todos, invariavelmente, com bons carros, de topo de gama, como convém. O secretário-geral do partido, ao lado do motorista. Vive-se bem, apesar de serem os políticos mal pagos.
segunda-feira, setembro 17, 2012
o país
Por muitas voltas que a nossa politizada imaginação consiga engendrar nos mais cerebrais e recônditos lugares, a manifestação de há dois dias foi uma chapelada que os portugueses ofereceram aos nossos governantes, os quais, incapazes de perceber o país e o povo, nada mais lhes restou do que enrolar meia dúzia de vacuidades que mais ajudam a agudizar a crise generalizada que vivemos.
Uma pergunta falta fazer aos políticos, sem demagogias: era o senhor ministro capaz de viver com o ordenado mínimo? A questão não é irrelevante. Esta pergunta feita, por exemplo, na Alemanha alcançava, decerto, resposta afirmativa. E é precisamente nesta questão que reside a falência de um receituário que mais não é do que o preenchimento de uma série de cruzinhas.
Uma pergunta falta fazer aos políticos, sem demagogias: era o senhor ministro capaz de viver com o ordenado mínimo? A questão não é irrelevante. Esta pergunta feita, por exemplo, na Alemanha alcançava, decerto, resposta afirmativa. E é precisamente nesta questão que reside a falência de um receituário que mais não é do que o preenchimento de uma série de cruzinhas.
quinta-feira, setembro 13, 2012
o momento
Os momentos são fundamentais em política. Jerónimo de Sousa sabe-o muito bem e, pela primeira vez, desfiou os fios do tempo: está na altura de juntar esforços de esquerda e pedir a demissão do Governo. Estou de acordo. Este Governo, se tivesse um pingo de vergonha na cara, teria, desde logo, desde o momento que percebeu que o combate ao défice tinha, afinal, fracassado, pedido a sua demissão ao Presidente da República. Não me venham com a história da alternativa. Este tipo de desculpa é já muito velha e revela, no fundo, fraqueza política. A alternativa está aí. Está, por exemplo, na distancia crítica de militantes do PSD e do CDS-PP em relação à arquitetura decisória do executivo, na proposta do Jerónimo de Sousa, na alternativa crítica de Louça, no crescimento custoso de José Seguro. O que não podemos mais aturar é o sr. Gaspar, vindo de um escritório da União Europeia, com o seu bloquinho quadrado de deves e haveres na mão, a governar o nosso futuro. Passos Coelho é o que é: um primeiro-ministro demasiado fraco para o ser. O país não pode mais com isto.
sexta-feira, agosto 31, 2012
com conhecimento de causa
A coisa, afinal, está a correr bem. Quem o diz é António Borges, alguém que fala com conhcimento de causa. Presumo que haverá poucos, em Portugal, com tão altos predicados. Poucos que, "como sabem" trabalharam no FMI (continua a ser um grande cartão de visita). Haverá também poucos que falam assim tão bem, tão despreocupadamente. E não haverá assim tantos que, do alto das suas dezenas de milhares de euros mensais, debitam este tipo de empenhada ciência económica. Será que o Sr. António Borges saberá quanto é o ordenado mínimo em Portugal? Ou o médio?
quinta-feira, agosto 30, 2012
o respeitinho é muito bonito: 5,3%
É bom que estes senhores da Troika venham cá a casa para sabermos o que se passa. Até ontem, os mais entusiastas da coligação que nos governa (ou desgoverna, nunca é demais apontar) pensavam que o défice iria ser cumprido. Afinal, era a grande bandeira (eleitoral e pós-eleições) de Passos Coelho e Gaspar (ou Gaspar e Passos Coelho). Perante os olhares perscrutadores do triunvirato e o tremelicar corcovado dos ministros, desenhamos uma nova previsão até ao fim do ano: 5,3%.
Podemos extrair daqui a moralidade disto: estamos piores e não cumprimos o défice. O que mais falta para este Governo apresentar a demissão ao Presidente da República?
Podemos extrair daqui a moralidade disto: estamos piores e não cumprimos o défice. O que mais falta para este Governo apresentar a demissão ao Presidente da República?
terça-feira, agosto 28, 2012
os políticos e a vidinha
Uma interessante notícia do Correio da Manhã de hoje dá conta que, de 2011 para 2012, os deputados e governantes tiveram um aumento na sua massa salarial, de acordo com relatório da Direcção-Geral da Administração e Emprego Público. Deve-se tudo, segundo alguém do Ministério das Finanças, a uma atualização dos subsídios (deslocação e afins). Assim, o ganho médio mensal dos representantes do poder legislativo e de órgãos executivos passou de 5.605 para 5.686 euros.
Perante isto, não me apetece escrever muito mais, até porque não há muito mais para escrever. O argumentário destes senhores é vasto e eloquente. Afinal, o que são cinco mil e tal euros? Ou umas componentes subsidiárias de umas centenas de euros? Francamente!... Apelidar de bem pagos estes senhores!...
Perante isto, não me apetece escrever muito mais, até porque não há muito mais para escrever. O argumentário destes senhores é vasto e eloquente. Afinal, o que são cinco mil e tal euros? Ou umas componentes subsidiárias de umas centenas de euros? Francamente!... Apelidar de bem pagos estes senhores!...
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