segunda-feira, junho 18, 2012
o encerramento do interior do país
Uma anotação a este respeito, aqui várias vezes pronunciada. Não há país que se eleve a índices de desenvolvimento civilizacionalmente normalizados se a sua estrutura administrativa geral estiver assente em desarmonias territoriais. Com efeito, não é concretamente possível que um pequeno país como Portugal se desenvolva com este tipo de configurações, as quais acentuam ainda mais o ridículo que é viver num país subdividido, na prática, em dois.
a seleção de todos nós, de alguns de nós ou dos próprios
Gostava principalmente de deixar aqui um desejo: será que a seleção de futebol não se pode limitar a jogar à bola e mais nada? Para quê as mimalhices de Paulo Bento e companhia após o bom jogo contra a Holanda, uma equipa claramente fragilizada (solidariedade com Ronaldo, segundo as transpirações da comunicação social - não vê esta gente que este tipo de solidariedade pode ser contraproducente?)? Por que razão é que florescem as opiniões dos vários quadrantes da sociedade (li há pouco um título de um artigo, oriundo de um "especialista", de seu nome José Silvério, que afirma que as críticas feitas a Cristiano Ronaldo serviram como trampolim psicológico para encarar positivamente o jogo com a Holanda, não lhe passando pela cabeça que outras anteriores críticas originaram, seguindo o seu sapiencial raciocínio, resultados contrários) e por que razão é que a comunicação social, com as televisões em primeiro plano, lhes dá infindáveis e escabrosos tempos de antena? Eu sei que o povo gosta, mas isso não pode ser resposta para este aprofundamento do nosso atávico e tradicional provincianismo.
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comunicação social,
seleção de futebol
sexta-feira, junho 15, 2012
mourinho: 22 milhões
José Mourinho fatura 22 milhões de euros por ano. O banco BPN foi vendido por 40 milhões. Um outro banco, quase falido, paga milhões por Mourinho. O FMI convida o Governo espanhol a descer ordenados. José Mourinho é um treinador de futebol. Ronaldo, que é um jogador da modalidade, deve também ganhar mais ou menos isso. E outros como o Ronaldo. Não lhes conheço algum tipo de tendência filantrópica em prol do país. O que eles ganham numa semana não ganha um trabalhador de ordenado médio em toda a sua vida. O povo gosta do Ronaldo e do Mourinho. Os presidentes e os ministros também. Parece que são os melhores do mundo. E se não o fossem, também o seriam, para os patrióticos tugas.
Dizem que não há dinheiro. Pois a mim parece-me que nunca houve tanto dinheiro como agora.
Dizem que não há dinheiro. Pois a mim parece-me que nunca houve tanto dinheiro como agora.
quinta-feira, junho 14, 2012
a irresponsável década espanhola
Custa a entender-se, de facto, a senhora Merkel. Depois de investir contra a Grécia e Portugal, repete a ingerência com Espanha. Mais do mesmo: estes países obtêm agora o fruto dos seus excessos passados, designadamente (no caso de Espanha, segundo a chanceler), os do último decénio. Ainda bem que temos esta espécie de coro das tragédias gregas a evocar os nossos pecados e a apontar o caminho do futuro.
domingo, junho 10, 2012
renegociação do empréstimo
Portugal não vai pedir a renegociação do empréstimo contraído, afirmou hoje o zeloso primeiro-ministro português. Espanha foi agraciada com uma ajuda de 100 mil milhões de euros, com condições bem diferenciadas das de Portugal ou Irlanda, designadamente no que diz respeito ao caminho da austeridade imposta pelo triunvirato. Ou seja: o dinheiro vai diretamente para os cofres dos bancos, sem mais contrapartidas económicas e sociais. Irlanda ameaçou de imediato com a renegociação, reclamando as mesmas condições. Mas o Governo de Portugal, navegando ao sabor dos ventos dos mais fortes, não vislumbra razões para que tal aconteça. O que importa, para Passos Coelho e Gaspar, é a aritmética fria e incontornável dos números. A outra, a aritmética das pessoas, é coisa que eles são incapazes de entender, por mais esbracejados e institucionais discursos idealizem.
quinta-feira, junho 07, 2012
a redução de borges
A celeuma causada pelas declarações de António Borges, um respeitadíssimo conhecedor do Portugal etéreo, não tem, a meu ver, razão de existir. Afinal, o homem só disse, simplesmente, que é urgente a redução dos salários em Portugal e que o Estado é um mau gestor. Por acaso é mentira? Quando ele próprio, por um trabalhinho que está a fazer em "part time" para o Governo, aufere milhares de euros em cada fim do mês, quando gestores de empresas públicas ombreiam, no que diz respeito a salários, com os seus congéneres privados, quando Portugal é um dos países mais desiguais da Europa, com um ordenado mínimo de 480 euros, por que razão é que o ordenado de alguém que ganha 20 mil euros não se pode reduzir para 7 ou 8 mil? Será isto demagogia? Ou não era isto que o sr. António Borges estava a pensar?
domingo, junho 03, 2012
demitiu-se o líder da jota madeirense!
Foi notícia que surgiu por acaso, primeiro na televisão e depois no computador. O líder da JSD madeirense, um espécime quase acefalita, videirinho e estouvadamente seguidista de Alberto João Jardim (não sei o nome do rapaz nem tão-pouco me apetece procurá-lo), demitiu-se do cargo que ocupava nessa estrutura partidária. Ouvi-o e viu-o na televisão. Estupefacto fiquei! Noto o cenário por detrás, que resume toda a governação regional: túneis, autoestradas, enfim: obra feita!...
Não é meu hábito, propositadamente, inserir amostras fílmicas aqui no Res Civitas. Mas parece-me que isto vale a pena. Custa-me simplesmente acreditar como é possível termos deixado isto acontecer. Estes filhos de Jardim são deputados. E este diz que vai voltar.
Não é meu hábito, propositadamente, inserir amostras fílmicas aqui no Res Civitas. Mas parece-me que isto vale a pena. Custa-me simplesmente acreditar como é possível termos deixado isto acontecer. Estes filhos de Jardim são deputados. E este diz que vai voltar.
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