quinta-feira, junho 07, 2012

a redução de borges

A celeuma causada pelas declarações de António Borges, um respeitadíssimo conhecedor do Portugal etéreo, não tem, a meu ver, razão de existir. Afinal, o homem só disse, simplesmente, que é urgente a redução dos salários em Portugal e que o Estado é um mau gestor. Por acaso é mentira? Quando ele próprio, por um trabalhinho que está a fazer em "part time" para o Governo, aufere milhares de euros em cada fim do mês, quando gestores de empresas públicas ombreiam, no que diz respeito a salários, com os seus congéneres privados, quando Portugal é um dos países mais desiguais da Europa, com um ordenado mínimo de 480 euros, por que razão é que o ordenado de alguém que ganha 20 mil euros não se pode reduzir para 7 ou 8 mil? Será isto demagogia? Ou não era isto que o sr. António Borges estava a pensar?

domingo, junho 03, 2012

demitiu-se o líder da jota madeirense!

Foi notícia que surgiu por acaso, primeiro na televisão e depois no computador. O líder da JSD madeirense, um espécime quase acefalita, videirinho e estouvadamente seguidista de Alberto João Jardim (não sei o nome do rapaz nem tão-pouco me apetece procurá-lo), demitiu-se do cargo que ocupava nessa estrutura partidária. Ouvi-o e viu-o na televisão. Estupefacto fiquei! Noto o cenário por detrás, que resume toda a governação regional: túneis, autoestradas, enfim: obra feita!...
Não é meu hábito, propositadamente, inserir amostras fílmicas aqui no Res Civitas. Mas parece-me que isto vale a pena. Custa-me simplesmente acreditar como é possível termos deixado isto acontecer. Estes filhos de Jardim são deputados. E este diz que vai voltar.

domingo, maio 20, 2012

estamos caminhando em direção ao olimpo, numa versão de santana lopes

Espreitei Santana Lopes no seu blogue. Vi a sustentação da tese neoliberal deste Governo esparrinhada ao seu melhor nível: "É bom de notar que, nas últimas semanas, as notícias de há meses sobre sucessivos encerramentos de empresas, quase desapareceram. Aumentaram os sinais e as notícias de pessoas à procura de emprego, por vezes, em situações quase desesperadas. Mas, de facto, nestes primeiros meses, a recessão parece não ter ido tão fundo".
Palavras para quê?!...

como é possível?

No Público, nesta semana, apresenta-se um estudo onde se revela que as empresas cotadas na bolsa de Lisboa (PSi-20) corrigiram a massa salarial dos seus trabalhadores, em 2011, penalizando-os em 11%. Do mesmo modo, os gestores dessas mesmas empresas desfrutaram da respetiva correção salarial, ao verem os seus ordenados aumentados em 5,3%. Isto faz com que a diferença nos salários entre trabalhadores e gestores atinja a extraordinária expressão numérica de 44, a favor dos últimos. Acrescente-se que este cenário é também possível devido aos prémios que estes gestores conseguem arrebanhar, no alto das suas sapiências tradicionais.
Nem imagino o que seria de nós sem esta gente.

outra vez o futebol

Não poderia a seleção portuguesa de futebol participar no campeonato da Europa sem toda esta pacovice em volta da sua pessoa? Desde hinos e canções, concursos populares, autocarro último modelo, prolongação do contrato do treinador sob ameaça velada, tempos intermináveis de antena deste e daquele... tudo tem lugar no mundo pátrio do futebol. Eu sei que o povo gosta, mas o mais importante são os jogos.

estranha República

Um dia, um importante deputado socialista, em trabalho na Assembleia da República, no meio de uma entrevista, levanta-se e surripia os gravadores dos jornalistas. As consequências deste tão nobre e elevado gesto foram uns louvores do presidente do grupo parlamentar do PS, Francisco Assis, dando conta de nada e um encaminhamento, passadas umas breves semanas, do deputado para diversas comissões, entre as quais - é preciso ser-se de ferro para não esboçar um sorriso - a comissão parlamentar de ética, cidadania e comunicação.
Miguel Relvas telefonou para o jornal Público com ameaças do género: não publiquem isto! Se o fizerem, promoverei um blackout junto do conselho de ministros para com o jornal! Para além disso, anunciarei na internet dados sobre a vida privada da jornalista!
Miguel Relvas é ministro da República e tutela a comunicação social; Ricardo Rodrigues continua como deputado. Nem um nem outro deveriam pertencer à Política.

sábado, maio 12, 2012

da oportunidade à tragédia

Passos e Gaspar entraram, aparentemente, em rota de colisão. O que ambos disseram sobre a problemática do desemprego daria, por si só, para a apresentação de um pedido de demissão por parte do ministro das finanças. Tudo por que as declarações de um posicionam-se em contextos extraordinariamente dissonantes das do outro. A não ser que vivamos, politicamente, num regime de completa hipocrisia e falsidade, por parte do executivo. Já aqui escrevi que este Governo é demasiado incompetente para dar resposta às várias crises que, desde 2008, nos têm assolado, vindas não só da Europa e dos Estados Unidos (onde tudo começou), como também originadas internamente, desde há décadas, desde o maná dos dinheiros europeus cavaquistas. E a incompetência do executivo começa, desde logo, pelo chefe do Governo, Passos Coelho, o qual, por estar à hora certa no lugar certo, e também porque em Portugal impera um desgraçado rotativismo que já nos afundara nos finais do século XIX, se viu convidado a formar governo pelo Presidente da República, tendo como visão sacrossanta um livrito escrito meses antes da tomada de posse, onde dava conta de uma visão de um extremado neoliberalismo, em que inclusivamente se desenhava a venda do único banco público.
E aqui entramos neste aparente ponto de desencontro entre os dois governantes. Neste sentido, Gaspar não apresenta o mais que lógico pedido de demissão simplesmente porque não estava a ser sincero, ao contrário de Passos. É que Passos Coelho, tal como Gaspar, acredita mesmo que o desemprego é uma janela de oportunidade, aproximando o desempregado de um frio e opaco número estatístico. Daí que as suas declarações se afigurem naturais à luz da doutrina que defende. No que diz respeito a Vítor Gaspar, bebedor da mesma fonte opípara, deve-se realçar simplesmente a sua construção dissimulada, saída de uma bem construída teia de tecnocracia europeia e competente, precisamente aquela que nos iria a pôr a todos, incautos biltres do funcionalismo público, na ordem.

coisas

vamos pela estrada e sentimo-nos bem. lá fora, o vento sopra, a neve cai, voam duas aves perdidas. eu sei que tenho de chegar a algum lugar...

neste momento...