segunda-feira, março 26, 2012
o futebol português
Desde que me lembro, sempre ouvi a mesma cantilena dos dirigentes, treinadores e futebolistas relativamente aos erros dos árbitros. No caso dos dirigentes, o caso afigura-se mais grave, pois são eles o rosto institucional do clube. No dia em que um qualquer energúmeno, desses que uivam pelas claques, se lembrar de um qualquer ajuste de contas mais grave, então será esse o dia da condenação generalizada, em que se multiplicarão os minutos de silêncio, a reflexão efémera e os olhares envergonhados. O futebol é o reino das culpas alheias. Todos erram, menos os dirigentes, os treinadores e os futebolistas, que até falham golos de baliza aberta.
terça-feira, março 20, 2012
deputados europeus contra presença de Dominique Strauss-Kahn
Que eu saiba, Dominique Strauss-Kahn não foi condenado pelos tribunais americanos. Por conseguinte, não me parece que seja um cidadão coartado dos seus direitos, tendo em conta que a União Europeia se edifica nos princípios normativos de um Estado de Direito. Se um conjunto de garotos universitários ingleses apupou e apedrejou com ovos de galinha o antigo presidente do FMI não é coisa que me surpreenda. A juventude, a eterna juventude é irreverente, qualidade que Cavaco Silva gosta muito em campanha eleitoral e já não tanto quando se aproxima da Escola António Arroios. Porém, quando eurodeputados contestam a presença de Strauss-Kahn no Parlamento Europeu para dissertar sobre a crise financeira, apensando argumentos tão extraordinários como a dignidade das mulheres (um convite "indecente" e que "pode provocar problemas", dizem), são eles próprios que se desenquadram no que deve ser o respeito pela normalidade judicativa. A não ser que, para esta gente (um conservador holandês, de seu nome Derk Jan Eppink e um grupo de mulheres socialistas e verdes da Bélgica e da Hungria) o postulado da inocência valha absolutamente nada.
quarta-feira, março 14, 2012
o extraordinário alargamento para 18 clubes
Por vezes, espanta-me certas iluminadas decisões de não menos reluzentes sábios da nossa praça. O futebol, então, anda cheio delas. A poucos meses do término do campeonato da primeira divisão, projeta-se o seguinte, como forma de alargar para 18 o número de clubes para o próximo ano: ninguém descerá de divisão. Posto isto, ninguém quer saber da verdade desportivo, a qual estaria assegurada com o empenho, nestes derradeiros jogos, das equipas que até à data se mantinham na luta para não descer de divisão. Ninguém se lembrou, por exemplo, que o factor desportivo estaria assegurado se os dois últimos classificados da primeira liga disputassem uma liguilha com os quatro primeiros da divisão de honra, a fim de aferir as melhores quatro equipas, precisamente as que teriam acesso direto ao principal campeonato, no próximo ano.
terça-feira, março 13, 2012
cavaco e a questão sócrates
Cavaco Silva ainda não entendeu verdadeiramente o que está em causa. E o que está em causa, no prefácio que escreveu ao livro que compagina as suas intervenções políticas do último ano (roteiros vi), é muito menos as afirmações que edifica em relação à lealdade de José Sócrates e muito mais a sua falta de coerência política. Marcelo Rebelo de Sousa explicou isso muito bem no seu comentário semanal na TVI. E a desconexão de Cavaco Silva pode-se resumir na seguinte formulação interrogativa: se o primeiro-ministro violou mesmo a Constituição da República (artigo 201), como advoga Cavaco, por que raio o não demitiu? A não ser que a nossa lei fundamental valha já muito pouco para esta gente. Aliás, pelo que se tem visto, desacertos constitucionais é coisa que anda por aí aos montes.
terça-feira, março 06, 2012
ministro a prazo? não, não, diz relvas
O governo de Passos Coelho é uma estrutura desconexa e, muitas vezes, incompetente. Olho para a ministra da agricultura, pescas e ambiente e o que parece é que vemos uma personagem sem rasgos de alguma notoriedade nestes assuntos, a braços com uma estrutura que desconhece, uma espécie de criança com um brinquedo novo nos braços. O ministro Álvaro foi alvo de uma grande pressão nestes últimos dias. Passos coelho ajudou à festa, reunindo com ele durante três horas, quando os holofotes mediáticos estalavam no sentido da sua eventual saída da orgânica do executivo. Tudo porque é visível o paulatino esvaziamento do seu raio de ação.
Mas o mais grave e interessante deste Governo chama-se Relvas. Ainda há pouco o ouvi afirmar, perentório, à saída de um qualquer e ocasional encontro, que Álvaro Santos Pereira não se encontrava a prazo no Governo. Ora, que eu saiba, Relvas não é primeiro-ministro e só a este compete demitir ou avalizar a continuação dos ministros.
Mas o mais grave e interessante deste Governo chama-se Relvas. Ainda há pouco o ouvi afirmar, perentório, à saída de um qualquer e ocasional encontro, que Álvaro Santos Pereira não se encontrava a prazo no Governo. Ora, que eu saiba, Relvas não é primeiro-ministro e só a este compete demitir ou avalizar a continuação dos ministros.
quinta-feira, março 01, 2012
decidam-se
Com o desemprego em janeiro nos extraordinários 14,8%, colocando-nos no pelotão da frente europeu, o novo responsável da missão do Fundo Monetário Internacional em Portugal defende que o Governo deve implementar políticas ativas de emprego. E a explicação é simples: é desta maneira que a economia cresce.
Sabemos que o que está a ser feito assenta num exclusivo pressuposto: cumprir as regras, inverter os números do défice. Convenhamos que não é tarefa que exija especiais atributos. Daí que nas "novas democracias" da Grécia e Itália os governos não são votados pelo povo, mas nomeados tecnocratas "competentes". Sabemos também que estes têm, em relação à política, um epidérmico afastamento. Acontece que nada se resolve sem política, pois é precisamente esta que olha e decide em nome das pessoas e não em virtude dos números.
Sabemos que o que está a ser feito assenta num exclusivo pressuposto: cumprir as regras, inverter os números do défice. Convenhamos que não é tarefa que exija especiais atributos. Daí que nas "novas democracias" da Grécia e Itália os governos não são votados pelo povo, mas nomeados tecnocratas "competentes". Sabemos também que estes têm, em relação à política, um epidérmico afastamento. Acontece que nada se resolve sem política, pois é precisamente esta que olha e decide em nome das pessoas e não em virtude dos números.
terça-feira, fevereiro 28, 2012
recomendações
O relatório Going for Growth, de 2012, da OCDE, traz variadíssimas recomendações a Portugal, todas, aliás, de grau muito pouco surpreendente. No que se refere ao mundo do trabalho, gostaria de salientar apenas uma: o estendidíssimo alargamento, ao nível da proteção do emprego, entre os trabalhadores vinculados e os trabalhadores a prazo fixo. Um outro dado inolvidável diz respeito à distribuição dos rendimentos entre os trabalhadores portugueses. Nada que não se saiba há já longos anos. Somos, assim, dos países da OCDE com maiores índices de desigualdade salarial. Quando é que haverá coragem para se modificar estes dados? Não será por aí que o impulso para a verdadeira modernização, para a real saída da crise, se encaminhará?
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